A madrugada fria da vigília.
O Santíssimo Sacramento ficaria exposto a noite toda no Palco de Copacabana em um belo ostensório, grande e dourado. O Papa deixou o Palco com a promessa de voltar no dia seguinte durante uma apresentação de dança. Ainda tiveram outra apresentações e um ensaio para o flash mob; não os vi pois precisava voltar para junto do grupo pois era tarde e a fome e o frio falavam mais alto.
Nós não tínhamos levado nada para passar a noite ali: não tínhamos comida, não tínhamos agasalhos suficientes, deixamos o saco de dormir e a lona no alojamento da paróquia e tão pouco tínhamos cobertas para nos aquecer. Contávamos apenas com a providência de Deus pois não tiraríamos os pés dali em hipótese alguma.
Mas Deus não nos abandonou em nenhum momento daquela noite. Os meninos conseguiram chegar a tempo de conseguir pegar kits vigília para todos e não tiveram problemas em pegar conduções na noite carioca. Isso significava que todos estavam bem e teríamos alimento para os dois dias. Para mim, que vivo morrendo de medo de ter uma crise de hipoglicemia, foi com grande alegria que recebi esta notícia; Deus havia nos providenciado uma caixa cheia de mantimentos.
Os telões haviam sido apagados e o frio começava a apertar; eu tinha apenas uma camiseta de manga comprida e uma blusa de frio fina; não estava preparada para a madrugada fria que viria. Aliás, nem eu nem o nosso grupo.
O cansaço era grande e acredito que não somente a mim; havia pessoas acampadas ali há alguns dias e sob frio mais intenso. Me disseram que na noite da vigília alguns optam por não dormir e virar a noite cantando e dançado; eis que a profecia se cumpriu. Havia um grupo de catecúmenos eslováquios perto de nós que cantava e dançava; havia um grupo de brasileiros que percorreu a praia inteira a noite toda cantando "se eu não durmo, você não dorme, Jesus ressuscitou". O corpo estava realmente exausto, mas a mente conseguia controla-lo e aguentar muito mais.
Eu não percorri a praia toda cantando e não entrei na roda dos catecúmenos eslováquios. Me limitei a ficar juntos dos meus irmãos e tentar dormir. Cochilei algumas vezes. A sirene da ambulância e o frio intenso não deixavam que os meus cochilos durassem mais que dez minutos. O frio era tanto que eu tremia, meus dentes rangiam involuntariamente; não tinha como controlar. Nós estávamos em umas 6 ou 7 meninas abraçadas e enroladas nas nossas bandeiras do Brasil (sim, o nacionalismo era geral!). No caso, eu e a minha irmã dividíamos a nossa bandeira; nós nunca havíamos ficados tão juntas como naquela noite. Uma bandeira nunca havia sido tão bom cobertor quanto antes. Nunca agradeci tanto a Deus por não estar sozinha.
A nossa sorte foi ter levado as sombrinhas que, além de nos proteger da chuva da caminhada, nos protegeram - pelo menos um pouco - do frio que fazia ali. Se você tentar imaginar a cena, tenho certeza que vai rir, mas na hora do sufoco vale tudo. Sorte também que tínhamos chegado tarde e a praia estava lotada pois se estivéssemos na praia não iríamos dar conta do frio. Sim, muita gente ao nosso lado passou mal por causa do frio mas, graças a Deus, ninguém do nosso grupo teve problemas.
Para mim um momento forte naquela noite foi por volta das 4 da manhã quando eu e umas amigas fomos procurar por um banheiro. Havia pouquíssimos banheiros na praia, os postos de atendimento tinham filas gigantescas e havia apenas dois banheiros químicos beeeem espaçados, com filas quilométricas. Não tinha condição de ficar ali, fomos tentar a sorte e pedir que os bares e hotéis nos deixassem entrar, de preferência sem cobrar nada. Nós conseguimos boates, na primeira nos cobraram 5 reais (absurdo, moço, somos peregrinos!) e na madrugada nos deixaram entrar sem pagar. Fiquei feliz de conseguir um banheiro, bem dizem as anedotas da internet que peregrino de verdade reconhece o valor de um banheiro!
Foi justamente na boate em que conseguimos entrar sem pagar que eu entendi o que estava acontecendo. Enquanto eu estava vivendo uma Jornada Mundial da Juventude havia pessoas que a ignoravam, que não conheciam o amor de Deus. Foi ali na fila do banheiro o momento em que mais rezei naquela madrugada: agradeci a Deus pela minha família, pela oportunidade de estar em uma família cristã e catecúmena que me mostrou o melhor lado, feliz por estar junto dos meus amigos e irmãos na fé. Não me importava em não ter luxos, em estar mal vestida, com os cabelos bagunçados, passando muito frio e andando na orla de Copacabana durante a madrugada procurando banheiro. Eu estava verdadeiramente em uma Jornada Mundial da Juventude e Deus havia confiado a mim - e a mais 4 milhões de jovens - a missão de ensinar o Rio de Janeiro a grandeza do amor de Deus. Rezei por aqueles que não conheciam a Deus e que Ele suscitasse naquelas pessoas o desejo de uma vida nova assim como suscitava em mim. Foi nesse momento em que a minha ficha caiu de verdade: às 4 da manhã na fila de um boate esperando pelo banheiro.
Eu tinha medo e Deus não me abandonou. Eu sentia frio mas ele me deu forças para aguentar. Ele me levou a uma boate cheia de gente que vivia tudo ao contrário do que eu vivia; ele me permitiu viver essas experiências para que eu crescesse e enxergasse que "a messe é grande e poucos são os operários" e eu me vi como operária, na minha fragilidade, no meu pecado, mas, ainda assim, operária da messe. E nunca havia me orgulhado tanto disso.
Minha catequista dizia na volta que à cada um Deus passa de um jeito: à Moisés passou em uma sarça ardente, à Elias numa brisa suave e à nós no frio de Copacabana. Não há comparação melhor que essa.
domingo, 25 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte IV
A primeira parte da vigília.
Depois de uma longa caminhada e de muitos sufoco, eis que o Papa Francisco havia passado diante dos meus olhos. A emoção de ver o Papa passando diante de mim é algo difícil de ser explicado, é um arrepio e um agitar de coração que eu nunca havia sentido igual. É único, é mágico! Espremer-me entre as pessoas para ver a sua rápida passagem foi para mim uma experiência de um filho que busca ardentemente ao pai, que quer vê-lo, quer tocá-lo, quer receber sua benção e sentir-se amado. O Papa Francisco passa realmente toda alegria e ternura de um pai que encontra seus filhos. Reitero, me senti abençoada e amada.
Foram 3 ou 4 segundos, o tempo exato dele olhar, abençoar e sorrir para mim.
Nós e os paraguaios ficamos ainda uma meia hora gritando o quase-hino da JMJ: "essa é a juventude do papa!". Nós todos, de todo cantinho do mundo, havíamos viajado muitas horas e sofrido um tanto para aquele momento! Era nada mais que surreal. Para completar, quando os seguranças vieram retirar as grades de isolamento, deixaram escapar que pela manhã o Papa passaria de novo! Foi nesse momento em que decidimos que dormiríamos ali mesmo, passaríamos fome e frio e ficaríamos plantados na grade até o Papa passar novamente. A vigília começava para nós.
Como estávamos longe do palco e não podíamos ter uma visão perfeita do telão mais próximo acampamos ali mesmo onde estávamos, na calçada em frente ao posto 2 de serviços gerais; não vi a vigília começar. Aquela, aliás, era a hora da janta. Tínhamos, apenas, o lanche que ganhamos no café da manhã que teria que durar até a tarde de domingo. Havia a possibilidade de pegarmos o kit vigília, uma caixa contendo alimentos que nos sustentariam até a tarde do domingo quando os tickets alimentação voltariam a funcionar. O único problema é que quando passamos pelo - único - ponto de retirada desses kits, ainda há 5 quilômetros de Copacabana, a fila era imensa e não podíamos perder todo aquele tempo pois a fila dava cerca de 5 voltas em uma avenida. Ao final da passagem do Papa, em momento de muita luz e inspiração, os meninos tiveram a em Copacabana para garantir nosso espaço na calçada.
Todos os homens foram buscar os kits e fizeram um esforço gigante para chegar no lugar a tempo e ainda carregar todos os kits de volta. Quem foi disse que foi uma verdadeira demonstração de solidariedade de todos. Eu fiquei na praia e minha tarefa era juntar, ou melhor, catar, todo papelão em bom estado que eu encontrasse pois essa seria a nossa cama naquela noite. No meio da tarefa eu e as meninas demos um jeito de assistir um pouco da vigília em um telão próximo de onde nós estávamos acampados. O que mais me chamou atenção nesse momento foi que as pessoas que estavam próximas aos telões e que provavelmente estavam acampadas na praia já há alguns dias, nos concederam passagem e ofereceram o seu pedacinho de lona para que nós, que não tínhamos absolutamente nada, pudéssemos nos sentar ali e também acompanhar a vigília. Eu não conhecia ninguém e só sabia de onde eram pelas bandeiras que carregavam, mas eu sabia de uma coisa: eramos todos irmãos em Cristo. Não havia disputa por melhores lugares, não havia xingamentos, egoísmo e não havia distinção de raça, nacionalidade ou dinheiro. Todos faziam seus esforços para que o outro também estivesse bem, que pudesse ver a vigília e que tivesse o que comer.
Eu, que sou extremamente egoísta com as minhas coisas, nunca havia passado por um experiência tão forte e concreta do chamado "abrir mão". Abrir mão da minha cama quentinha, da minha comida pronta na mesa, do meu banho quente e demorado, do meu banheiro limpo, do meu conforto, da minha individualidade, da minha vontade pela vontade geral e abrir mão do meu egoísmo. Deus realmente queria me mostrar que ser altruísta ainda é o melhor caminho e que existem, ainda, pessoas dispostas à isso! Me surpreendi ao ver a solidariedade e o amor de Deus imperando entre os peregrinos.
Voltando à vigília, consegui um lugar privilegiado em frente a um telão e ali pude ver grande parte dos acontecimentos daquela noite. Tive a graça de poder ver a linda oração do Papa Francisco, as apresentações de música e teatro em que amei ter visto Luan Santana cantando a oração de São Francisco e a apresentação de uma cantora norte-americana em uma musica emocionante chamada "Jesus Christ, you are my life" que aprendi a cantar nessa JMJ. Mas, o ápice da primeira parte da vigília foi a exposição do Santíssimo, um momento em que todos na praia ficaram em silêncio e de joelhos enquanto o Papa cingia o corpo de Cristo com incenso e, assim como nós, rezava.
Coloquei diante de Deus as minhas orações. Tenho certeza que Ele as ouviu.
Depois de uma longa caminhada e de muitos sufoco, eis que o Papa Francisco havia passado diante dos meus olhos. A emoção de ver o Papa passando diante de mim é algo difícil de ser explicado, é um arrepio e um agitar de coração que eu nunca havia sentido igual. É único, é mágico! Espremer-me entre as pessoas para ver a sua rápida passagem foi para mim uma experiência de um filho que busca ardentemente ao pai, que quer vê-lo, quer tocá-lo, quer receber sua benção e sentir-se amado. O Papa Francisco passa realmente toda alegria e ternura de um pai que encontra seus filhos. Reitero, me senti abençoada e amada.
Foram 3 ou 4 segundos, o tempo exato dele olhar, abençoar e sorrir para mim.
Nós e os paraguaios ficamos ainda uma meia hora gritando o quase-hino da JMJ: "essa é a juventude do papa!". Nós todos, de todo cantinho do mundo, havíamos viajado muitas horas e sofrido um tanto para aquele momento! Era nada mais que surreal. Para completar, quando os seguranças vieram retirar as grades de isolamento, deixaram escapar que pela manhã o Papa passaria de novo! Foi nesse momento em que decidimos que dormiríamos ali mesmo, passaríamos fome e frio e ficaríamos plantados na grade até o Papa passar novamente. A vigília começava para nós.
Como estávamos longe do palco e não podíamos ter uma visão perfeita do telão mais próximo acampamos ali mesmo onde estávamos, na calçada em frente ao posto 2 de serviços gerais; não vi a vigília começar. Aquela, aliás, era a hora da janta. Tínhamos, apenas, o lanche que ganhamos no café da manhã que teria que durar até a tarde de domingo. Havia a possibilidade de pegarmos o kit vigília, uma caixa contendo alimentos que nos sustentariam até a tarde do domingo quando os tickets alimentação voltariam a funcionar. O único problema é que quando passamos pelo - único - ponto de retirada desses kits, ainda há 5 quilômetros de Copacabana, a fila era imensa e não podíamos perder todo aquele tempo pois a fila dava cerca de 5 voltas em uma avenida. Ao final da passagem do Papa, em momento de muita luz e inspiração, os meninos tiveram a em Copacabana para garantir nosso espaço na calçada.
Todos os homens foram buscar os kits e fizeram um esforço gigante para chegar no lugar a tempo e ainda carregar todos os kits de volta. Quem foi disse que foi uma verdadeira demonstração de solidariedade de todos. Eu fiquei na praia e minha tarefa era juntar, ou melhor, catar, todo papelão em bom estado que eu encontrasse pois essa seria a nossa cama naquela noite. No meio da tarefa eu e as meninas demos um jeito de assistir um pouco da vigília em um telão próximo de onde nós estávamos acampados. O que mais me chamou atenção nesse momento foi que as pessoas que estavam próximas aos telões e que provavelmente estavam acampadas na praia já há alguns dias, nos concederam passagem e ofereceram o seu pedacinho de lona para que nós, que não tínhamos absolutamente nada, pudéssemos nos sentar ali e também acompanhar a vigília. Eu não conhecia ninguém e só sabia de onde eram pelas bandeiras que carregavam, mas eu sabia de uma coisa: eramos todos irmãos em Cristo. Não havia disputa por melhores lugares, não havia xingamentos, egoísmo e não havia distinção de raça, nacionalidade ou dinheiro. Todos faziam seus esforços para que o outro também estivesse bem, que pudesse ver a vigília e que tivesse o que comer.
Eu, que sou extremamente egoísta com as minhas coisas, nunca havia passado por um experiência tão forte e concreta do chamado "abrir mão". Abrir mão da minha cama quentinha, da minha comida pronta na mesa, do meu banho quente e demorado, do meu banheiro limpo, do meu conforto, da minha individualidade, da minha vontade pela vontade geral e abrir mão do meu egoísmo. Deus realmente queria me mostrar que ser altruísta ainda é o melhor caminho e que existem, ainda, pessoas dispostas à isso! Me surpreendi ao ver a solidariedade e o amor de Deus imperando entre os peregrinos.
Voltando à vigília, consegui um lugar privilegiado em frente a um telão e ali pude ver grande parte dos acontecimentos daquela noite. Tive a graça de poder ver a linda oração do Papa Francisco, as apresentações de música e teatro em que amei ter visto Luan Santana cantando a oração de São Francisco e a apresentação de uma cantora norte-americana em uma musica emocionante chamada "Jesus Christ, you are my life" que aprendi a cantar nessa JMJ. Mas, o ápice da primeira parte da vigília foi a exposição do Santíssimo, um momento em que todos na praia ficaram em silêncio e de joelhos enquanto o Papa cingia o corpo de Cristo com incenso e, assim como nós, rezava.
Coloquei diante de Deus as minhas orações. Tenho certeza que Ele as ouviu.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte III
O sofrido e abençoado primeiro contato com Papa Francisco
Caminhamos muito para chegar a Copacabana. Enfrentamos frio, chuva, sol, calor, fome e sede. Depois de 6 ou 7 horas nessas condições, o cansaço pesou e estava difícil continuar. Alguns de nós já não estavam bem; precisávamos parar.
Achamos uma única churrascaria em Botafogo, há uns 2 ou 3 quilômetros da praia. Não foi o melhor churrasco da minha vida e o preço não estava incluído no orçamento peregrino, mas foi bom parar e finalmente, depois de dois dias, comer comida de verdade.
A comida reanimou; confesso que também estava cansada e ansiosa para chegar logo. Me parecia que quanto mais caminhávamos mais distantes ficávamos de tudo: distantes da vida que deixamos em nossa cidade, distantes dos problemas que encontramos na hospedagem e distantes, até mesmo, do que considerávamos como um limite. Eu não conseguia parar e pensar que eu estava vivendo tudo aquilo. Era cada vez mais surreal.
Outro grande momento da peregrinação (para mim, o primeiro dos três eventos mais emocionantes) foi o que aconteceu nos túneis de acesso a Copacabana. Estávamos na reta final e só precisávamos atravessar três túneis pequenos e virar uma esquina que já estaríamos lá. Me repudiou a ideia de estar dentro de um túnel no Rio de Janeiro mas, perante o meu medo e cansaço, Deus me proporcionou um momento único. Encontramos um grupo de peregrinos catecúmenos dos Estados Unidos e outro grupo de catecúmenos da Argentina e eles puxavam um canto chamado "Cântico de Moisés", uma adaptação do canto que os hebreus cantaram logo após terem atravessado o Mar Vermelho. Só cantamos este cântico na páscoa para lembrar o sofrimento que os hebreus passaram e, mesmo assim, deram graças a Deus. O canto diz que "minha força e meu canto é o Senhor, Ele é meu salvador, é meu Deus, eu o celebrarei"; da mesma forma que Deus os libertou da escravidão do Egito, Ele, aos poucos, nos libertava das nossas escravidões diárias e mostrava a todo momento a sua bondade conosco, não deixando que nos faltasse nada e nos reservando momentos únicos.
Foi emocionante porque dentro de um túnel o som se abafa e engrandece, emocionante porque cantamos em três línguas que professavam uma só fé; o gigante tremia ao som de vozes que buscavam em Cristo suas forças. O som dos quatro atabaques deixava tudo mais arrepiante ainda e, acreditem, se tem barulho, tem catecúmeno! Enquanto andávamos ali, encontrei ânimo novo e coragem. Era preciso renovar as energias pois o melhor ainda estaria por vir.
Nos haviam dito que só poderíamos chegar em Copacabana até as 17 horas porque depois desse horário os voluntários começariam a fechar as ruas de acesso para preparar para a chegada do Papa Francisco. Saímos da churrascaria às 16:50; teríamos, literalmente, que correr contra o relógio. Imagine a agonia de um grupo que caminhou um dia inteiro em busca de um objetivo e que este corria o risco de não ser realizado; nós entraríamos naquela praia a todo e qualquer custo, furaríamos qualquer bloqueio e chegaríamos o mais perto possível. Para nós, ali, não existia a possibilidade de não dar certo.
Deus, mais uma vez, mostrou sua infinita misericórdia e bondade. Conseguimos que um grupo de voluntário nos deixasse furar a segurança na segunda rua de acesso. Além de termos conseguido, estaríamos relativamente perto do palco. A praia estava completamente tomada por jovens peregrinos, em todas as direções, de todas as nacionalidades. Era realmente lindo presenciar aquilo.
Nos infiltramos no meio do povo até que conseguimos um lugar perfeito. Deus providenciou tudo aquilo à nós! Estávamos à cerca de meio metro da grade e naquele dia não havia seguranças e cordão de isolamento. O Papa estaria a, no máximo, um metro de mim. Inacreditável. Era 18:10 quando nos fixamos naquele lugar. O Papa viria às 19.
Foram 50 minutos de muita expectativa e oração. Eu esperei tanto por aquilo. Aliás, não somente eu mas 4 milhões de jovens aguardavam ansiosamente por aquele momento. Eis que Francisco veio: simples, sem milhares de seguranças, sorridente e quase saindo do papa móvel para abençoar a cada um de nós que estavam ali.
Foi naquele rápido momento em que o Papa, a figura de Jesus Cristo, esteve na minha frente e fez o sinal da cruz, me senti amada e abençoada; coloquei toda a minha vida nas mãos daquele homem, eu sabia que ele estava abençoando toda a minha vida e todas as orações que estavam guardadas em meu coração. Nós, ali, espremidos nas grades, gritávamos, em coro: "esta é a juventude do Papa". Sem medo, sem vergonha, em qualquer língua, emocionados, agitados, felizes.
Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a Sua palavra.
Somos parte da maioria.
Caminhamos muito para chegar a Copacabana. Enfrentamos frio, chuva, sol, calor, fome e sede. Depois de 6 ou 7 horas nessas condições, o cansaço pesou e estava difícil continuar. Alguns de nós já não estavam bem; precisávamos parar.
Achamos uma única churrascaria em Botafogo, há uns 2 ou 3 quilômetros da praia. Não foi o melhor churrasco da minha vida e o preço não estava incluído no orçamento peregrino, mas foi bom parar e finalmente, depois de dois dias, comer comida de verdade.
A comida reanimou; confesso que também estava cansada e ansiosa para chegar logo. Me parecia que quanto mais caminhávamos mais distantes ficávamos de tudo: distantes da vida que deixamos em nossa cidade, distantes dos problemas que encontramos na hospedagem e distantes, até mesmo, do que considerávamos como um limite. Eu não conseguia parar e pensar que eu estava vivendo tudo aquilo. Era cada vez mais surreal.
Outro grande momento da peregrinação (para mim, o primeiro dos três eventos mais emocionantes) foi o que aconteceu nos túneis de acesso a Copacabana. Estávamos na reta final e só precisávamos atravessar três túneis pequenos e virar uma esquina que já estaríamos lá. Me repudiou a ideia de estar dentro de um túnel no Rio de Janeiro mas, perante o meu medo e cansaço, Deus me proporcionou um momento único. Encontramos um grupo de peregrinos catecúmenos dos Estados Unidos e outro grupo de catecúmenos da Argentina e eles puxavam um canto chamado "Cântico de Moisés", uma adaptação do canto que os hebreus cantaram logo após terem atravessado o Mar Vermelho. Só cantamos este cântico na páscoa para lembrar o sofrimento que os hebreus passaram e, mesmo assim, deram graças a Deus. O canto diz que "minha força e meu canto é o Senhor, Ele é meu salvador, é meu Deus, eu o celebrarei"; da mesma forma que Deus os libertou da escravidão do Egito, Ele, aos poucos, nos libertava das nossas escravidões diárias e mostrava a todo momento a sua bondade conosco, não deixando que nos faltasse nada e nos reservando momentos únicos.
Foi emocionante porque dentro de um túnel o som se abafa e engrandece, emocionante porque cantamos em três línguas que professavam uma só fé; o gigante tremia ao som de vozes que buscavam em Cristo suas forças. O som dos quatro atabaques deixava tudo mais arrepiante ainda e, acreditem, se tem barulho, tem catecúmeno! Enquanto andávamos ali, encontrei ânimo novo e coragem. Era preciso renovar as energias pois o melhor ainda estaria por vir.
Nos haviam dito que só poderíamos chegar em Copacabana até as 17 horas porque depois desse horário os voluntários começariam a fechar as ruas de acesso para preparar para a chegada do Papa Francisco. Saímos da churrascaria às 16:50; teríamos, literalmente, que correr contra o relógio. Imagine a agonia de um grupo que caminhou um dia inteiro em busca de um objetivo e que este corria o risco de não ser realizado; nós entraríamos naquela praia a todo e qualquer custo, furaríamos qualquer bloqueio e chegaríamos o mais perto possível. Para nós, ali, não existia a possibilidade de não dar certo.
Deus, mais uma vez, mostrou sua infinita misericórdia e bondade. Conseguimos que um grupo de voluntário nos deixasse furar a segurança na segunda rua de acesso. Além de termos conseguido, estaríamos relativamente perto do palco. A praia estava completamente tomada por jovens peregrinos, em todas as direções, de todas as nacionalidades. Era realmente lindo presenciar aquilo.
Nos infiltramos no meio do povo até que conseguimos um lugar perfeito. Deus providenciou tudo aquilo à nós! Estávamos à cerca de meio metro da grade e naquele dia não havia seguranças e cordão de isolamento. O Papa estaria a, no máximo, um metro de mim. Inacreditável. Era 18:10 quando nos fixamos naquele lugar. O Papa viria às 19.
Foram 50 minutos de muita expectativa e oração. Eu esperei tanto por aquilo. Aliás, não somente eu mas 4 milhões de jovens aguardavam ansiosamente por aquele momento. Eis que Francisco veio: simples, sem milhares de seguranças, sorridente e quase saindo do papa móvel para abençoar a cada um de nós que estavam ali.
Foi naquele rápido momento em que o Papa, a figura de Jesus Cristo, esteve na minha frente e fez o sinal da cruz, me senti amada e abençoada; coloquei toda a minha vida nas mãos daquele homem, eu sabia que ele estava abençoando toda a minha vida e todas as orações que estavam guardadas em meu coração. Nós, ali, espremidos nas grades, gritávamos, em coro: "esta é a juventude do Papa". Sem medo, sem vergonha, em qualquer língua, emocionados, agitados, felizes.
Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a Sua palavra.
Somos parte da maioria.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte II
As provações.
Não conseguimos ir para Copacabana na Via Sacra na sexta, estávamos muito longe e completamente perdidos no tempo e no espaço. Depois de alojados e jantados, foi a hora do banho. Já era noite e o sol que tínhamos pegado durante o dia já tinha ido embora. No alojamento não tínhamos muitos banheiro e estávamos em muitas pessoas. A nossa sorte e agonia foi ter conhecido um voluntário muito gentil que conseguiu convencer o padre da paróquia a nos deixar usar o banheiro da casa paroquial. Fiquei super feliz por não termos que encarar a fila e os banheiros já bem usado do alojamento. Minha felicidade culminou em banho gelado.
Após uma noite de viagem e um dia tenso não foi difícil dormir naquela noite. Dormir no saco de dormir não é algo agradável, não é confortável e não faz bem para a coluna. Eu nem me importei com isso; dei graças a Deus por ter um lugar para estendê-lo e agradeci infinitamente à minha mãe por me ter feito levar um cobertor de casal.
A noite, afinal, terminou bem e quando o sol raiou eu senti que aquele seria o dia! Era sábado, o dia de finalmente ver o Papa Francisco!! Era o dia que começaria a vigília e eu estava feliz por isso. Pegamos outro kit, rezamos laudes no fundo na Igreja e exatamente às 9 da manhã partimos em direção à Copacabana. E nesse "partir" foi que realmente caiu a minha ficha que eu estava no Rio de Janeiro! Ficamos cerca de uma hora esperando um dos -apenas- três ônibus da linha peregrino que não estivesse extremamente lotado! E nesse meio tempo, cansados de esperar, a nossa turma se dividiu em grupos para tentar outras formas de transporte. Depois e uma hora, conseguimos que um ônibus parasse, lotado, mas entramos. Demoramos 40 minutos até a Central, onde supostamente pegaríamos um metrô. Quando chegamos o metrô já havia parado; teríamos que caminhar até Copacabana. Eu não tinha noção do quão longe era.
A questão dos transportes foi uma completa falta de respeito ao peregrino. Só podíamos pegar a linha peregrina, que contavam apenas com 3 ônibus que passavam espaçadamente e lotados. As vans de transporte interno do Rio, dessas que mostram nas novelas, era um meio rápido (apesar de caro!) de transporte pois sempre vinham vazias mas, infelizmente, o governo do Rio proibiu essas vans de circular próxima aos locais frequentados por peregrinos. Os metrôs eram menos caóticos e mais organizados, porém funcionavam até um certo tempo, até a lotação ou até o meio dia, quando nossos cartões de transporte não passavam mais. Isso sem falar que quando conseguíamos ter a graça de conseguir pegar um ônibus ou metrô eles já estavam cheios. Não sei como um ônibus conseguia transportar cerca de 150 pessoas em uma única viagem!
As ruas do Rio estavam tomadas de peregrinos. Às vezes chovia, outras aparecia o Sol; a caminhada foi longa, teve clima para todos os gostos. Caminhamos cantando, dançando, fazendo amizades. Às vezes com frio, com calor, com fome, cansados. À todo canto da cidade maravilhosa proclamava-se que Cristo é o Senhor da vida de milhões e milhões de jovens. E mais, proclamava-se em todos os idiomas, de todos os movimentos, de várias religiões. O meu cansaço não me dominou justamente por isso: eu não estava sozinha. Dentro de mim e de todos que estavam ali sofrendo com os 17 quilômetros, havia a certeza de que tudo ia valer à pena e a alegria que sentíamos era muito maior do quer tudo o que ainda pudesse acontecer.
Não conseguimos ir para Copacabana na Via Sacra na sexta, estávamos muito longe e completamente perdidos no tempo e no espaço. Depois de alojados e jantados, foi a hora do banho. Já era noite e o sol que tínhamos pegado durante o dia já tinha ido embora. No alojamento não tínhamos muitos banheiro e estávamos em muitas pessoas. A nossa sorte e agonia foi ter conhecido um voluntário muito gentil que conseguiu convencer o padre da paróquia a nos deixar usar o banheiro da casa paroquial. Fiquei super feliz por não termos que encarar a fila e os banheiros já bem usado do alojamento. Minha felicidade culminou em banho gelado.
Após uma noite de viagem e um dia tenso não foi difícil dormir naquela noite. Dormir no saco de dormir não é algo agradável, não é confortável e não faz bem para a coluna. Eu nem me importei com isso; dei graças a Deus por ter um lugar para estendê-lo e agradeci infinitamente à minha mãe por me ter feito levar um cobertor de casal.
A noite, afinal, terminou bem e quando o sol raiou eu senti que aquele seria o dia! Era sábado, o dia de finalmente ver o Papa Francisco!! Era o dia que começaria a vigília e eu estava feliz por isso. Pegamos outro kit, rezamos laudes no fundo na Igreja e exatamente às 9 da manhã partimos em direção à Copacabana. E nesse "partir" foi que realmente caiu a minha ficha que eu estava no Rio de Janeiro! Ficamos cerca de uma hora esperando um dos -apenas- três ônibus da linha peregrino que não estivesse extremamente lotado! E nesse meio tempo, cansados de esperar, a nossa turma se dividiu em grupos para tentar outras formas de transporte. Depois e uma hora, conseguimos que um ônibus parasse, lotado, mas entramos. Demoramos 40 minutos até a Central, onde supostamente pegaríamos um metrô. Quando chegamos o metrô já havia parado; teríamos que caminhar até Copacabana. Eu não tinha noção do quão longe era.
A questão dos transportes foi uma completa falta de respeito ao peregrino. Só podíamos pegar a linha peregrina, que contavam apenas com 3 ônibus que passavam espaçadamente e lotados. As vans de transporte interno do Rio, dessas que mostram nas novelas, era um meio rápido (apesar de caro!) de transporte pois sempre vinham vazias mas, infelizmente, o governo do Rio proibiu essas vans de circular próxima aos locais frequentados por peregrinos. Os metrôs eram menos caóticos e mais organizados, porém funcionavam até um certo tempo, até a lotação ou até o meio dia, quando nossos cartões de transporte não passavam mais. Isso sem falar que quando conseguíamos ter a graça de conseguir pegar um ônibus ou metrô eles já estavam cheios. Não sei como um ônibus conseguia transportar cerca de 150 pessoas em uma única viagem!
As ruas do Rio estavam tomadas de peregrinos. Às vezes chovia, outras aparecia o Sol; a caminhada foi longa, teve clima para todos os gostos. Caminhamos cantando, dançando, fazendo amizades. Às vezes com frio, com calor, com fome, cansados. À todo canto da cidade maravilhosa proclamava-se que Cristo é o Senhor da vida de milhões e milhões de jovens. E mais, proclamava-se em todos os idiomas, de todos os movimentos, de várias religiões. O meu cansaço não me dominou justamente por isso: eu não estava sozinha. Dentro de mim e de todos que estavam ali sofrendo com os 17 quilômetros, havia a certeza de que tudo ia valer à pena e a alegria que sentíamos era muito maior do quer tudo o que ainda pudesse acontecer.
sábado, 3 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte I
A Jornada Mundial da Juventude terminou oficialmente amanhã pra mim. Amanhã, sim, pois me despedirei da última turma de italianos que passará por minha cidade. Da 'Semana Missionária' até hoje, foram exatamente três semanas inteiramente dedicadas à Jornada. A preparação, conforme já dito muito neste blog, foi verdadeiramente de corpo e alma. A Jornada, em si, uma série de sofrimentos seguidos por doces alegrias. A acolhida dos chilenos, espanhóis e italianos foi realmente Cristo passando por essa cidade.
Quantos momentos únicos essa JMJ me proporcionou! Quantas revelações, quantas alegrias! É preciso registrar tudo, cada detalhe, descrever tudo pois quero me lembrar dessas 3 semanas com muita precisão. Farei uma série de textos contando a minha experiência na JMJ. Lá vai..
Os primeiros choques.
Era um começo de noite de sexta feira quando partimos para o Rio de Janeiro. Estava muito frio e o céu nublado. A mala, pequena, só levava itens de extrema necessidade; não podíamos nos dar ao luxo de levar metade do guarda-roupa, nem as melhores coisas que temos. O espírito de peregrinação começou aqui, foi difícil ver o tempo esfriando cada vez mais e eu com duas blusas de frio na mala.
Na saída, como de praxe, recebemos um benção no meio da rua de nossa Paróquia Santuário de São Roque, pedindo que o senhor acompanhasse a nossa viagem. O que foi fora do costume foi a carreata que nossos pais e amigos que aqui ficaram fizeram à nós! Percorreram todo o trajeto até a saída da cidade com as luzes ligadas e com as buzinas funcionando.A carreata foi a primeira emoção da viagem. Eu sentia que cada vez que as buzinas tocavam era o toque de apoio, saudade e desejo de estar junto que os nossos irmãos rio-pardenses mandavam. Obrigada por todo o apoio que nos deram, por todas as pizzas e rifas que compraram e venderam para que nós pudéssemos juntar dinheiro para ir! Todos estiveram em nossos pensamentos o tempo todo.
A viagem de 10 horas foi turbulenta. O ônibus era como uma sanfona, me estômago reclamava e a estrada nunca tinha fim. Foi difícil dormir essa noite.
Chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 6 da manhã com o sol nascendo. Ver a cidade maravilhosa acordando foi lindo. O sol nascia numa mistura de amarelo com rosa tão linda, nunca tinha visto coisa igual! Por sorte, nosso motorista se perdeu e fomos parar no centro do Rio de Janeiro!! Graças à isso, conseguimos ver e fotografar as belas paisagens do Rio ao nascer do Sol! Inesquecível, incrível, único!
Ficamos duas horas perdidos no Rio de Janeiro até chegarmos na Ilha do Governador, nosso local de catequese e hospedagem. A "Ilha" nos reservou grandes surpresas, boas e ruins, e, para completar, a vista era da ponte Rio-Niterói com seus 17 quilômetros de garbo e elegância!
Descemos cantando, o espírito era de peregrinação. Foi nesse momento que tivemos o primeiro contato com o "Kit Peregrino". Os lanches do kit eram muito bons! (à exceção da salada de atum em conserva e da batata de saquinho da vigilia que me proporcionaram a pior azia de todos os tempos). O único problema da comida foi comer torrada com polenginho + barrinha de cereal todos os dias.Nesta manhã ainda tivemos catequese com um bispo do Alasca seguida de eucaristia.
Depois da eucaristia, o pesadelo começou. Na hora de chamar as pessoas para serem acolhidas nas casas nosso nome não estava em nenhuma lista e não permitiam que ficássemos alojados no salão da Paróquia "São José Operário". Não tivemos almoço e o dilema perdurou até as 4 horas da tarde quando colocamos as malas dentro do salão contra a vontade da organização.
O salão era pequeno e não estava nas melhores condições de limpeza. Não tinham banheiros, estrutura e sala para acomodar todos os peregrinos que tiveram que ficaram alojados. Tentavam a todo custo nos tirar dali com mil e uma desculpas. Não aceitamos e o preço a pagar doeu.
Quantos momentos únicos essa JMJ me proporcionou! Quantas revelações, quantas alegrias! É preciso registrar tudo, cada detalhe, descrever tudo pois quero me lembrar dessas 3 semanas com muita precisão. Farei uma série de textos contando a minha experiência na JMJ. Lá vai..
Os primeiros choques.
Era um começo de noite de sexta feira quando partimos para o Rio de Janeiro. Estava muito frio e o céu nublado. A mala, pequena, só levava itens de extrema necessidade; não podíamos nos dar ao luxo de levar metade do guarda-roupa, nem as melhores coisas que temos. O espírito de peregrinação começou aqui, foi difícil ver o tempo esfriando cada vez mais e eu com duas blusas de frio na mala.
Na saída, como de praxe, recebemos um benção no meio da rua de nossa Paróquia Santuário de São Roque, pedindo que o senhor acompanhasse a nossa viagem. O que foi fora do costume foi a carreata que nossos pais e amigos que aqui ficaram fizeram à nós! Percorreram todo o trajeto até a saída da cidade com as luzes ligadas e com as buzinas funcionando.A carreata foi a primeira emoção da viagem. Eu sentia que cada vez que as buzinas tocavam era o toque de apoio, saudade e desejo de estar junto que os nossos irmãos rio-pardenses mandavam. Obrigada por todo o apoio que nos deram, por todas as pizzas e rifas que compraram e venderam para que nós pudéssemos juntar dinheiro para ir! Todos estiveram em nossos pensamentos o tempo todo.
A viagem de 10 horas foi turbulenta. O ônibus era como uma sanfona, me estômago reclamava e a estrada nunca tinha fim. Foi difícil dormir essa noite.
Chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 6 da manhã com o sol nascendo. Ver a cidade maravilhosa acordando foi lindo. O sol nascia numa mistura de amarelo com rosa tão linda, nunca tinha visto coisa igual! Por sorte, nosso motorista se perdeu e fomos parar no centro do Rio de Janeiro!! Graças à isso, conseguimos ver e fotografar as belas paisagens do Rio ao nascer do Sol! Inesquecível, incrível, único!
Ficamos duas horas perdidos no Rio de Janeiro até chegarmos na Ilha do Governador, nosso local de catequese e hospedagem. A "Ilha" nos reservou grandes surpresas, boas e ruins, e, para completar, a vista era da ponte Rio-Niterói com seus 17 quilômetros de garbo e elegância!
Descemos cantando, o espírito era de peregrinação. Foi nesse momento que tivemos o primeiro contato com o "Kit Peregrino". Os lanches do kit eram muito bons! (à exceção da salada de atum em conserva e da batata de saquinho da vigilia que me proporcionaram a pior azia de todos os tempos). O único problema da comida foi comer torrada com polenginho + barrinha de cereal todos os dias.Nesta manhã ainda tivemos catequese com um bispo do Alasca seguida de eucaristia.
Depois da eucaristia, o pesadelo começou. Na hora de chamar as pessoas para serem acolhidas nas casas nosso nome não estava em nenhuma lista e não permitiam que ficássemos alojados no salão da Paróquia "São José Operário". Não tivemos almoço e o dilema perdurou até as 4 horas da tarde quando colocamos as malas dentro do salão contra a vontade da organização.
O salão era pequeno e não estava nas melhores condições de limpeza. Não tinham banheiros, estrutura e sala para acomodar todos os peregrinos que tiveram que ficaram alojados. Tentavam a todo custo nos tirar dali com mil e uma desculpas. Não aceitamos e o preço a pagar doeu.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Às portas da JMJ
O tema parece infinito e o coração de quem vos escreve aqui está transbordando. Estou cheia de palavras, emoções, ansiedade e medos para esta Jornada Mundial da Juventude que se aproxima. Falta, agora, exatamente uma semana. Dentro de mais sete longos dias estarei em solo carioca onde eu e mais milhões de jovens do mundo todo estaremos reunidos pelo mesmo motivo: Jesus Cristo.
Vou pois estou sedenta disso: ouvir o que Deus tem à me dizer; Ele diz através de outras pessoas, de cantos, de leituras e dos momentos de sacrifício. Uma vez ouvi de um dos meus catequistas preferidos que "Deus é acontecimento", ou seja, Deus se manifesta nas nossas vidas através do que que acontece; nos momentos difíceis é Ele quem nos dá força para poder suportar e nos momentos alegres nos dá a certeza de que só estamos felizes porque confiamos na sua palavra.
Nessa JMJ não faltarão acontecimentos. Passar fome, sede, calor, frio, enfrentar horas de caminhada, chuva, sono, dor de todos os tipos e no final receber a palavra de que tanto procurávamos. Isto é ser peregrino. A farra que fazemos é fruto disto.
A alegria em Cristo não é passageira! Estou sedenta por ouvir minha palavra de consolo, ânimo e coragem. Estou sedenta por conhecer meus irmãos de fé, estrangeiros e brasileiros, filhos da mesma fé, que entoam o mesmo cântico, em qualquer língua.
Deus abre, também, o meu coração nesta JMJ. Já sinto os ares dela pairando na minha cidade e, sobretudo, na minha vida. A revolução começou e o meu coração se enche de uma esperança que nunca tive. É tempo de viver. Chegou a hora. Quero estar lá. Estou com o coração e com a mente prontos. Pode vir, JMJ, há um coração esperando ansiosamente por ti.
O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria. Papa Bento XVI
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"porque minha força e o meu canto é o Senhor, ele é meu salvador!"
"porque minha força e o meu canto é o Senhor, ele é meu salvador!"
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Eu sou a maré viva.
Há momentos em que os astros se alinham e o resultado disso são as chamadas "marés vivas", que aumentam a atividade dos peixes e o volume das ondas. São os melhores dias para pescar e os piores para os banhistas. O mar fica agitado e alto, com ondas abundantes e impacientes, querendo arrastar tudo o que vê pela frente.
Quando a maré está assim, os guarda-vidas colocam várias daquelas plaquinhas de "perigo, não nada aqui" e ficam o dia inteiro chamando a atenção dos banhistas e apitando para que nenhum incidente grave aconteça.
Mas, se você for astuto, nenhuma plaquinha ou nenhum guarda-vida sarado vai te impedir de nadar contra a corrente. A escolha final é sempre sua mas saiba de antemão que se algo grave acontecer a culpa é inteiramente sua. O risco de afogamento e os índices deste são grandes. Não adianta saber nadar pois a maré é mais forte que você e lá, no meio do mar, não vai ter ninguém para te salvar.
Não se pode prever a quantidade de peixes que esta maré trará, tão pouco a força de suas ondas. Não há aparelhos capazes de medir e não dá para perceber com precisão quando elas vão chegar. É um tiro no escuro. Colocar seu barco ou nadar ao encontro da maré depende do quanto você é capaz de aguentar tudo de bom ou de ruim que te pode acontecer. Não há um manual pronto para te dizer o que fazer a cada instante; é um completo improviso, sem direito à ensaios.
Eu sou a maré viva e se você entrar, vai se afogar. Pense bem, posso te arrastar para o mais profundo de mim e se isso acontecer não poderá mais voltar a superfície. Eu sou a maré decisiva, posso te salvar ou te colocar em apuros. Ser pescador ou nadar contra a corrente depende de você; saiba previamente dos riscos, não diga que eu não avisei.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Síndrome de Maria Capitolina.
Quando a maré está assim, os guarda-vidas colocam várias daquelas plaquinhas de "perigo, não nada aqui" e ficam o dia inteiro chamando a atenção dos banhistas e apitando para que nenhum incidente grave aconteça.
Mas, se você for astuto, nenhuma plaquinha ou nenhum guarda-vida sarado vai te impedir de nadar contra a corrente. A escolha final é sempre sua mas saiba de antemão que se algo grave acontecer a culpa é inteiramente sua. O risco de afogamento e os índices deste são grandes. Não adianta saber nadar pois a maré é mais forte que você e lá, no meio do mar, não vai ter ninguém para te salvar.
Não se pode prever a quantidade de peixes que esta maré trará, tão pouco a força de suas ondas. Não há aparelhos capazes de medir e não dá para perceber com precisão quando elas vão chegar. É um tiro no escuro. Colocar seu barco ou nadar ao encontro da maré depende do quanto você é capaz de aguentar tudo de bom ou de ruim que te pode acontecer. Não há um manual pronto para te dizer o que fazer a cada instante; é um completo improviso, sem direito à ensaios.
Eu sou a maré viva e se você entrar, vai se afogar. Pense bem, posso te arrastar para o mais profundo de mim e se isso acontecer não poderá mais voltar a superfície. Eu sou a maré decisiva, posso te salvar ou te colocar em apuros. Ser pescador ou nadar contra a corrente depende de você; saiba previamente dos riscos, não diga que eu não avisei.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Síndrome de Maria Capitolina.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Automedicação
Uma das coisas de que eu mais gosto de fazer é assistir seriados de medicina, especialmente Grey's Anatomy; é a minha diversão. Mas, na vida real, detesto em ir médicos. Não gosto da coisa de ter que ficar o dia inteiro no consultório esperando a hora em que o médico poderá atender; as revistas da sala de espera sempre são velhas e isso me agonia pois tenho a sensação de estar revivendo todos os meus erros na sala de espera para depois confessá-los lá dentro. Ir em otorrinolaringologista é a morte para mim, tenho trauma de infância. Odeio exames, tenho medo de agulhas e não gosto da escuridão dos corredores do - único - hospital desta cidade. Ir em médicos ou hospital, para mim, é coisa rara.
Quando estou doente me automedico sem medo. Se é gripe/laringite/dor de cabeça já tenho a minha coleção própria de medicamentos. Afinal de contas, não há nada que um dorflex não resolva! Se nada disso der certo, tem a farmácia do centro da cidade, sempre dão remédios certeiros; são quase santos tamanhos são os milagres que já fizeram em mim. Quando a situação piora consulto o Google, sempre me fornecendo santos remédios, inclusive receitas caseiras realmente muito boas. Não há nada que o Google não cure.
Conselhos como "vá ao médico", "faça exames", "tome o antibiótico na hora certa" nunca funcionam para mim. Sou desatenta e cabeça dura. Tenho necessidade de fazer tudo do meu jeito, eu faço a regra. Preciso chegar ao meu limite para encarar o problema de frente e marcar uma consulta. Não sei prevenir; sempre espero a doença chegar arrebatadora para querer resolvê-la.
O único problema de tomar sempre os mesmos remédios é que eles vão perdendo o efeito graduadamente e você vai precisar de doses cada vez mais forte deles.Quando isso acontece, me sinto uma usurpadora inconsequente, que não cumpriu a prescrição e agora precisa apelar para a solução final: ir ao médico. Me sinto deteriorada, tenho que admitir que errei e mais um remédio não poderei usar.
Doutor, hoje abro mão dos meus costumes, quero uma consulta com urgência pois a doença está grave e o remédio não faz mais efeito. Não prometo voltar daqui a três meses e não sei se farei o tratamento correto. Marque uma consulta, esperarei o dia inteiro se preciso. Preciso que descubras o quanto a doença evoluiu e se ainda é possível tratá-la ou curá-la; desta vez não tenho medo do diagnóstico. Apenas prometo que irei me esforçar.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Grey's Anatomy está de férias e só volta em Setembro. Estou com saudade; aguentem, então, as metáforas até lá.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Dias Ensolarados de Inverno.
Os dias aqui, nas margens do Rio Pardo, estão cada mais mais bonitos. Me encanta a beleza de um dia ensolarado, de céu sem nuvens, límpido e azul, e coroado com um belo por do sol ao fim do dia. Sou amante de dias assim pois vejo neles a alegria e o despertar de uma vida que pode ser tão linda quanto esses dias ensolarados.
Encanta-me, justamente, por agora ser época de inverno. Esperava por dias cinzentos e frios que trariam associados a melancolia e o fechar-se em casa, mas, este inverno está me surpreendendo a cada dia. A brisa é suave e refresca aquele verão extremamente quente de Janeiro; traz, junto consigo, as respostas que eu outrora esperava e a alegria da preparação para a Jornada Mundial da Juventude.
Esses dias de Sol de inverno aquecem o meu coração e me dão ânimo novo, me libertando do calor e da combustão constante do verão. Quando abro minha janela de manhã e vejo o dia lindo que me espera sinto vontade de ser melhor, de fazer tudo o que eu posso para ser melhor. Quando vejo dias assim, esqueço-me que no próximo verão enfrentarei a maratona de vestibulares, esqueço-me das tristezas que afligem o meu coração e das dúvidas que pairavam envolta de mim.
Me lembro que há tempos já remotos estive em lugares lindos coroados com dias como esses que tenho vivido aqui no meu sertão paulista; é claro que sinto saudade e vontade de voltar àqueles dias, àquelas viagens; espero que um dia isso seja possívels.
É tempo de preparação. De alegrar-se. É vida nova que emana pelo ar, que chega docemente como este inverno ensolarado. Cabe a cada um de nós captar estes bons ares, aproveitar cada instante dessa alegria que está cada vez mais presente em tudo, em cada lampejo de sol que brilha aqui dentro e lá fora. Deixemos as preocupações para os dias cinzas pois em dias como estes não é permitido nenhum tipo de tristeza ou aborrecimento. É tempo de sair e viver, pois os dias melhores chegaram.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Não basta sentir a chegada dos dias lindos. É necessário proclamar: "Os dias ficaram lindos". Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Em pleno carnaval.
Fantasias, cores, pessoas alegres, todo mundo na rua. É festa. A cidade coloriu-se de todas as cores, o sol brilha mais forte e a chuva dá uma trégua para não estragar os planos dos foliões. Não há tristeza, não há luto. O Brasil parou para contemplar a festa que nos caracteriza lá fora. Somos, por essência, foliões em dias de carnaval. Gostamos, por definição do que é ser brasileiro, de sentir as emoções à flor da pela, de agito e comemorações.
Hoje é carnaval fora de época aqui dentro. Resolvi, como todo bom brasileiro, quebrar as regras do calendário de vez em quando. Já escolhi minha fantasia e preparei a maquiagem; estou esperando a hora da festa começar. Está tudo pronto. A noite está linda; acenderam todos os postes e no centro da cidade há luzes coloridas, indicando que a noite, hoje, não permite tristeza e não tem hora para acabar.
O coração está aceso, em sintonia e com sede de festa. Quero esquecer de tudo, deixar os problemas, o vestibular e as contas da viagem para depois. Não quero uma super produção; vou deixar o Louboutin guardado dentro da caixa pois hoje nem dor no pé é permitido!
As músicas são agitadas e, que me perdoe a minha banda preferida, deixamos as músicas tristes para amanhã quando bater o arrependimento; hoje quero tudo que não faça sentido e que é proibido. Me desçam uma dose de axé com sertanejo no capricho, quero que seja tipicamente um carnaval.
A cidade é pequena, minúscula, todo mundo é meio parente. Hoje todos estarão lá, escondidos em algum canto ou procurando ser vistos. Há vantagens e desvantagens nisso, mas hoje, sinceramente, não me importo. Sei que haverá apenas uma pessoa em quem meus olhos pousarão, apenas uma pessoa a quem tudo foi pensado e planejado.
Vinícius de Morais disse que o amor é fantasia. Então, meu bem, a noite de carnaval é nossa.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Nunca gostei muito de carnaval até hoje.
Hoje é carnaval fora de época aqui dentro. Resolvi, como todo bom brasileiro, quebrar as regras do calendário de vez em quando. Já escolhi minha fantasia e preparei a maquiagem; estou esperando a hora da festa começar. Está tudo pronto. A noite está linda; acenderam todos os postes e no centro da cidade há luzes coloridas, indicando que a noite, hoje, não permite tristeza e não tem hora para acabar.
O coração está aceso, em sintonia e com sede de festa. Quero esquecer de tudo, deixar os problemas, o vestibular e as contas da viagem para depois. Não quero uma super produção; vou deixar o Louboutin guardado dentro da caixa pois hoje nem dor no pé é permitido!
As músicas são agitadas e, que me perdoe a minha banda preferida, deixamos as músicas tristes para amanhã quando bater o arrependimento; hoje quero tudo que não faça sentido e que é proibido. Me desçam uma dose de axé com sertanejo no capricho, quero que seja tipicamente um carnaval.
A cidade é pequena, minúscula, todo mundo é meio parente. Hoje todos estarão lá, escondidos em algum canto ou procurando ser vistos. Há vantagens e desvantagens nisso, mas hoje, sinceramente, não me importo. Sei que haverá apenas uma pessoa em quem meus olhos pousarão, apenas uma pessoa a quem tudo foi pensado e planejado.
Vinícius de Morais disse que o amor é fantasia. Então, meu bem, a noite de carnaval é nossa.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Nunca gostei muito de carnaval até hoje.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Em clima de Jornada Mundial da Juventude.
Finalmente chegamos no esperado mês da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que começa agora!
Foram, exatamente, um ano e meio de espera desde àquela noite quente de Janeiro na sala 5 do Centro Pastoral da Paróquia Santuário de São Roque em que assinamos uma pré-lista de interessados para a Jornada. A partir daquela noite tudo foi feito e pensado em prol da JMJ. Foram meses e meses de venda de pizzas e rifas de tudo o que vocês podem imaginar para juntarmos algum dinheiro para a esperada Jornada. O trabalho foi árduo; acordar no sábado às 7 da manhã, estando calor ou frio, para montar as pizzas, sair pela cidade vendendo rifas, dançar nas festas da Paróquia, pedir ajuda e doações dizendo que não era passeio, mas um encontro de milhões de jovens que iriam ao Rio de Janeiro ver o Papa. Foram um ano e meio de privações, de economia e de muito planejamento para essa Jornada.
É inacreditável que tenha, finalmente, chegado a hora. Parafraseando a minha banda favorita: "chegou a hora de ser maior que as muralhas". A muralha é gigante. Serão cerca de 10 horas de viagem de ônibus até o Rio de Janeiro. Fora isso, quando chegarmos lá ainda não sabemos bem para onde iremos, onde vamos dormir e o quê exatamente vai acontecer nas nossas vidas.
Eu vou em busca de tentar encontrar de novo a minha vocação, seja ela qual for, pois esse é, além de tudo, um "encontro pessoal com Cristo".Quero tentar entender as perguntas que ainda ficaram sem respostas no Encontro Vocacional de Brasília, ano passado, e ver se realmente estou seguindo o que Ele me pede. Quero rever todos os amigos catecúmenos que estão espalhados por todo esse Brasil, os de perto e os de muito longe, e, quem sabe, fazer novas e incríveis amizades que só esses encontros de jovens nos permitem. A saudade dos amigos é gigante! Nos vemos uma vez por ano ou a cada seis meses, mas é como se fóssemos verdadeiramente irmãos, pois comungamos dos mesmos interesses e dividimos os mesmos valores, "somos, pois, amigos pela fé" e isso distância e saudade nenhuma separam!
Vou, reconheço, com o coração na mão, como todas as vezes em que fui à Encontros Vocacionais. Tenho medo pois não sei exatamente o que vou encontrar e as minhas expectativas são muitas! Tenho medo de passar mal, de ter fome e sede e de me perder de todo mundo. Mas, também sei, que estando na presença de Deus nada de ruim irá acontecer, pois Ele abre os caminhos e mesmo em meio às dificuldades, que certamente virão, ele se fará misericordioso e maior que toda e qualquer muralha.
Estou ansiosa. Tenho amado tudo o que tenho lido sobre a JMJ e visto que há muitas e muitas pessoas como eu: ansiosas, com mil expectativas, com medo e felizes, por ter finalmente chegado o mês dedicado à Jornada. No Rio de Janeiro, no dia 28 de Julho de 2013, em Guaratiba, no Campus Fidei, nos reuniremos em milhões de jovens que cantão, com muito orgulho e emoção, à uma só voz: "esta é a juventude do Papa".
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Eis que venho reunir todas as nações / virão e verão a minha glória"
Foram, exatamente, um ano e meio de espera desde àquela noite quente de Janeiro na sala 5 do Centro Pastoral da Paróquia Santuário de São Roque em que assinamos uma pré-lista de interessados para a Jornada. A partir daquela noite tudo foi feito e pensado em prol da JMJ. Foram meses e meses de venda de pizzas e rifas de tudo o que vocês podem imaginar para juntarmos algum dinheiro para a esperada Jornada. O trabalho foi árduo; acordar no sábado às 7 da manhã, estando calor ou frio, para montar as pizzas, sair pela cidade vendendo rifas, dançar nas festas da Paróquia, pedir ajuda e doações dizendo que não era passeio, mas um encontro de milhões de jovens que iriam ao Rio de Janeiro ver o Papa. Foram um ano e meio de privações, de economia e de muito planejamento para essa Jornada.
É inacreditável que tenha, finalmente, chegado a hora. Parafraseando a minha banda favorita: "chegou a hora de ser maior que as muralhas". A muralha é gigante. Serão cerca de 10 horas de viagem de ônibus até o Rio de Janeiro. Fora isso, quando chegarmos lá ainda não sabemos bem para onde iremos, onde vamos dormir e o quê exatamente vai acontecer nas nossas vidas.
Eu vou em busca de tentar encontrar de novo a minha vocação, seja ela qual for, pois esse é, além de tudo, um "encontro pessoal com Cristo".Quero tentar entender as perguntas que ainda ficaram sem respostas no Encontro Vocacional de Brasília, ano passado, e ver se realmente estou seguindo o que Ele me pede. Quero rever todos os amigos catecúmenos que estão espalhados por todo esse Brasil, os de perto e os de muito longe, e, quem sabe, fazer novas e incríveis amizades que só esses encontros de jovens nos permitem. A saudade dos amigos é gigante! Nos vemos uma vez por ano ou a cada seis meses, mas é como se fóssemos verdadeiramente irmãos, pois comungamos dos mesmos interesses e dividimos os mesmos valores, "somos, pois, amigos pela fé" e isso distância e saudade nenhuma separam!
Vou, reconheço, com o coração na mão, como todas as vezes em que fui à Encontros Vocacionais. Tenho medo pois não sei exatamente o que vou encontrar e as minhas expectativas são muitas! Tenho medo de passar mal, de ter fome e sede e de me perder de todo mundo. Mas, também sei, que estando na presença de Deus nada de ruim irá acontecer, pois Ele abre os caminhos e mesmo em meio às dificuldades, que certamente virão, ele se fará misericordioso e maior que toda e qualquer muralha.
Estou ansiosa. Tenho amado tudo o que tenho lido sobre a JMJ e visto que há muitas e muitas pessoas como eu: ansiosas, com mil expectativas, com medo e felizes, por ter finalmente chegado o mês dedicado à Jornada. No Rio de Janeiro, no dia 28 de Julho de 2013, em Guaratiba, no Campus Fidei, nos reuniremos em milhões de jovens que cantão, com muito orgulho e emoção, à uma só voz: "esta é a juventude do Papa".
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Eis que venho reunir todas as nações / virão e verão a minha glória"
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Dente do Siso
O famoso "dente do siso" corresponde ao "terceiro molar" da arcada dentária e, se você tiver muita sorte, terá um em cada canto da boca. Seu desenvolvimento acontece entre os 16 e 20 anos sendo, por isso, chamado popularmente de "dente do juízo".
Eu, 17 anos, encontro-me com os quatro sisos formados e enraizados, sendo que o de baixo, na esquerda, está em processo de rompimento. É muita sorte para uma pessoa só: ter os quatro sisos formados e eles resolverem nascer em meio à todo o caos dos vestibulares; como se eu já não tivesse problemas e dores o suficiente! Porém, não tem como escolher, não é algo que se possa determinar geneticamente ou que se possa escolher a hora em que irão nascer. Não há outra maneira além de se conformar mesmo.
Durante a minha adolescência, convivi com o trauma da possível cirurgia dos sisos antes mesmo de completarem sua formação. Eu, medrosa que sou, relutei ao máximo e dizia que não deixaria ninguém abrir a minha gengiva; fazia isso pois eu sabia que, apesar de evitar um problema no futuro, a dor e o trauma que a cirurgia me traria seria grande demais.
Hoje, os sisos estão formados e nascendo, e eu, que achei que só haveria dor na cirurgia, convivo com as dores do nascimento, que são bem chatas. É uma dor penetrante e a cada vez que mexo a boca é como se alguém colocasse pequenas agulhas pontiagudas na minha gengiva. Há dias que nem me lembro de que tenho o tal do terceiro molar absorvendo a minha gengiva - absorvendo, sim, pois o ato de romper é absorver a gengiva; há dias sem dor e outros torturantes.
Consultei meu dentista há alguns dias atrás pois queria que ele fizesse alguma coisa para amenizar a dor. Recebi, além de algumas cruéis espetadas na gengiva, um belo "agora você tem que esperar ele nascer". Em outras palavras, "bem feito, eu falei que era pra me deixar operar". Sinto uma pontinha de culpa por isso, confesso.
Contudo, a bem da verdade, tenho que dizer que a primeira vez que vi um cantinho de dente saindo de dentro da minha gengiva meu coração encheu-se de uma alegria muito grande, assim, do nada, sem motivo. Me deu uma tremedeira inexplicável e eu espalhei a novidade à todos os meus amigos, como se fosse a maior fofoca do século. Era só mais um dente.. não, não era só mais um dente, é "o" dente!! Foi o mais esperado e finalmente ele estava ali. Ele fez uma revolução em mim pois me mostrou em meio a muita dor e agonia o quanto era belo ver que eu, junto dele, eu estava crescendo e saindo do casulo.
O siso veio para me dizer que querendo ou não, na hora certa ou errada, cheguei a idade adulta e tenho que lidar com ela. Ele me mostra que não há como evitar totalmente as dores e traumas da vida mas há como tirar um bom proveito em todas as situações. Todo dia à noite, quando o olho no espelho antes de dormir, entreabre-se no meu rosto cansado um sorriso, pois sei que dias melhores estão vindo e hoje estou feliz por não tê-lo arrancado aos 14 anos, apesar da dor.
Quando ele terminar de nascer, se estiver em uma posição que não comprometa meus outros dentes, meu dentista disse que vou poder escolher entre arrancá-lo ou deixa-lo ali. Escolhi, desde já, que a menos que ele entorte novamente a minha arcada dentária e eu tenha que usar aparelho de novo, quero deixá-lo ali pois é uma parte de mim e toda vez que eu olhar para ele vou me lembrar que só há dor para nos mostrar o quão belo pode ser as pequenas coisas da vida. Aliás, isso é vida nascendo; é um bom motivo para festejar.
Eu, 17 anos, encontro-me com os quatro sisos formados e enraizados, sendo que o de baixo, na esquerda, está em processo de rompimento. É muita sorte para uma pessoa só: ter os quatro sisos formados e eles resolverem nascer em meio à todo o caos dos vestibulares; como se eu já não tivesse problemas e dores o suficiente! Porém, não tem como escolher, não é algo que se possa determinar geneticamente ou que se possa escolher a hora em que irão nascer. Não há outra maneira além de se conformar mesmo.
Durante a minha adolescência, convivi com o trauma da possível cirurgia dos sisos antes mesmo de completarem sua formação. Eu, medrosa que sou, relutei ao máximo e dizia que não deixaria ninguém abrir a minha gengiva; fazia isso pois eu sabia que, apesar de evitar um problema no futuro, a dor e o trauma que a cirurgia me traria seria grande demais.
Hoje, os sisos estão formados e nascendo, e eu, que achei que só haveria dor na cirurgia, convivo com as dores do nascimento, que são bem chatas. É uma dor penetrante e a cada vez que mexo a boca é como se alguém colocasse pequenas agulhas pontiagudas na minha gengiva. Há dias que nem me lembro de que tenho o tal do terceiro molar absorvendo a minha gengiva - absorvendo, sim, pois o ato de romper é absorver a gengiva; há dias sem dor e outros torturantes.
Consultei meu dentista há alguns dias atrás pois queria que ele fizesse alguma coisa para amenizar a dor. Recebi, além de algumas cruéis espetadas na gengiva, um belo "agora você tem que esperar ele nascer". Em outras palavras, "bem feito, eu falei que era pra me deixar operar". Sinto uma pontinha de culpa por isso, confesso.
Contudo, a bem da verdade, tenho que dizer que a primeira vez que vi um cantinho de dente saindo de dentro da minha gengiva meu coração encheu-se de uma alegria muito grande, assim, do nada, sem motivo. Me deu uma tremedeira inexplicável e eu espalhei a novidade à todos os meus amigos, como se fosse a maior fofoca do século. Era só mais um dente.. não, não era só mais um dente, é "o" dente!! Foi o mais esperado e finalmente ele estava ali. Ele fez uma revolução em mim pois me mostrou em meio a muita dor e agonia o quanto era belo ver que eu, junto dele, eu estava crescendo e saindo do casulo.
O siso veio para me dizer que querendo ou não, na hora certa ou errada, cheguei a idade adulta e tenho que lidar com ela. Ele me mostra que não há como evitar totalmente as dores e traumas da vida mas há como tirar um bom proveito em todas as situações. Todo dia à noite, quando o olho no espelho antes de dormir, entreabre-se no meu rosto cansado um sorriso, pois sei que dias melhores estão vindo e hoje estou feliz por não tê-lo arrancado aos 14 anos, apesar da dor.
Quando ele terminar de nascer, se estiver em uma posição que não comprometa meus outros dentes, meu dentista disse que vou poder escolher entre arrancá-lo ou deixa-lo ali. Escolhi, desde já, que a menos que ele entorte novamente a minha arcada dentária e eu tenha que usar aparelho de novo, quero deixá-lo ali pois é uma parte de mim e toda vez que eu olhar para ele vou me lembrar que só há dor para nos mostrar o quão belo pode ser as pequenas coisas da vida. Aliás, isso é vida nascendo; é um bom motivo para festejar.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Em tempos de vestibular.
Aproveitando que sexta-passada foi o "dia do vestibulando" colocarei-vos a par da loucura que é ser vestibulando.
Vestibulando que é vestibulando não sabe o que é dormir oito horas por noite, não sabe o que é ter finais de semana livre e também não sabe mais o que é ter a vida em ordem. Se eu fosse sintetizar em uma única palavra, seria: "confusão", ou, ainda, "loucura"; ficaria entre essas duas. O combustível é sempre o café, e quanto mais amargo melhor, pois quanto mais concentrada é a solução de cafeína mais acordado ela te deixa; é a combinação perfeita.
Músicas e filmes só se forem educativos e relacionados à matéria. Entram nesse grupo, único, coisas como: "o rap da pilha", "isomeria sertaneja", "canção da trigonometria" e, não menos importante, "Grey's Anatomy" coroando as noites de sexta. É uma sintonia harmônica e perfeita, digna de grandes clássicos.
Os maiores e mais sedutores amantes são aqueles exercícios de matemática que parecem impossíveis e que nos deixam loucos da vida. Quanto aos livros, nem pense em tirá-los de perto de nós, pois desenvolvemos uma dependência incurável.
Não diga coisas do tipo "isso é uma forte tendência do vestibular" ou "a Fuvest vem aí" porque isso acaba com o humor de qualquer um. Não há tempo suficiente para todo o conteúdo diário que temos que absorver, e ainda lidar com toooooooooodas as provas do terceirão, porque, por mais que doa muito dizer isso, a Fuvest realmente logo chegará e dessa vez ela não nos detonará, porque estamos sendo maior que as muralhas.
Só se ganha os louros da vitória depois de muito sacrifício, determinação e, sobretudo, coragem. Coragem porque vamos encarar o que vier pela frente e se der errado vamos começar de novo, sim! Coragem porque não sabemos o que acontecerá amanhã ou em que lugar estaremos ano que vem. Coragem porque em seis meses já foram fortes emoções, e ainda há mais outros seis até, se Deus quiser, acabar. Coragem porque a luta ainda persiste e você não pode cair no meio dela. Coragem, coragem..
Só peço à Deus que não me falte coragem e determinação, pois sei que um dia tudo entrará em perfeita harmonia e todos os meus sonhos e objetivos se concretizarão. Também peço à Deus que me mantenha firme e forte na fé para que eu nunca desanime dessa árdua caminhada.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Mas de uma coisa é certa: quando tudo acabar, sentirei saudade de toda essa loucura, pois aprendi demais nesses anos. Mas isso é assunto para outro texto...
Vestibulando que é vestibulando não sabe o que é dormir oito horas por noite, não sabe o que é ter finais de semana livre e também não sabe mais o que é ter a vida em ordem. Se eu fosse sintetizar em uma única palavra, seria: "confusão", ou, ainda, "loucura"; ficaria entre essas duas. O combustível é sempre o café, e quanto mais amargo melhor, pois quanto mais concentrada é a solução de cafeína mais acordado ela te deixa; é a combinação perfeita.
Músicas e filmes só se forem educativos e relacionados à matéria. Entram nesse grupo, único, coisas como: "o rap da pilha", "isomeria sertaneja", "canção da trigonometria" e, não menos importante, "Grey's Anatomy" coroando as noites de sexta. É uma sintonia harmônica e perfeita, digna de grandes clássicos.
Os maiores e mais sedutores amantes são aqueles exercícios de matemática que parecem impossíveis e que nos deixam loucos da vida. Quanto aos livros, nem pense em tirá-los de perto de nós, pois desenvolvemos uma dependência incurável.
Não diga coisas do tipo "isso é uma forte tendência do vestibular" ou "a Fuvest vem aí" porque isso acaba com o humor de qualquer um. Não há tempo suficiente para todo o conteúdo diário que temos que absorver, e ainda lidar com toooooooooodas as provas do terceirão, porque, por mais que doa muito dizer isso, a Fuvest realmente logo chegará e dessa vez ela não nos detonará, porque estamos sendo maior que as muralhas.
Só se ganha os louros da vitória depois de muito sacrifício, determinação e, sobretudo, coragem. Coragem porque vamos encarar o que vier pela frente e se der errado vamos começar de novo, sim! Coragem porque não sabemos o que acontecerá amanhã ou em que lugar estaremos ano que vem. Coragem porque em seis meses já foram fortes emoções, e ainda há mais outros seis até, se Deus quiser, acabar. Coragem porque a luta ainda persiste e você não pode cair no meio dela. Coragem, coragem..
Só peço à Deus que não me falte coragem e determinação, pois sei que um dia tudo entrará em perfeita harmonia e todos os meus sonhos e objetivos se concretizarão. Também peço à Deus que me mantenha firme e forte na fé para que eu nunca desanime dessa árdua caminhada.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Mas de uma coisa é certa: quando tudo acabar, sentirei saudade de toda essa loucura, pois aprendi demais nesses anos. Mas isso é assunto para outro texto...
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Infecção Generalizada.
Quando tudo parece estar bem eis que surge uma infecção para nos derrubar de novo. O pior é que ela chega sem avisar, sorrateiramente pela porta dos fundos. Não há prevenção efetiva contra essa temível bactéria: ela está por toda parte e espalha-se pelo ar. Se encontra terreno fértil em nosso organismo, aloja-se sem o menor pudor e sem pedir permissão; não é algo que você pode controlar por mais que esteja com a carteira de vacinação em dia. Quando isso acontece, precismos de doses fortes de antibióticos e o máximo de cuidado possível, porque, dependendo do tipo de bactéria, pode ser fatal.
O primeiro sinal de qualquer infecção é a febre. Dizem a biologia e a medicina que se há febre, é porque alguma coisa está errada.A febre nos faz suar frio, tremer e estar em constante atenção para que a temperatura do corpo volte ao normal. Junto dela vem o mal-estar, a dor de cabeça latejante e a fraqueza. A infecção não se contenta em vir destruir sozinha nosso organismo: sempre traz um exército de reserva bem reforçado para nos derrubar por alguns dias.
Para os mais sortudos, os piores sintomas desaparecem logo nas primeiras doses do medicamento. para os mais azarados, ou mais "resistentes", é preciso dias de repouso e doses severas até que tudo volte ao normal. É como dizem os médicos: cada caso é um caso.
Há também os extremos, e esses são os mais preocupantes. A doença pode ser assintomática ou transformar-se em uma série de outras infecções, espalhando a tal da bactéria por todo o organismo. Os dois casos são letais se descobertos tardiamente, pois exigem isolamento do paciente em unidades intensivas de tratamento; é preciso sedá-lo e injetar doses extremamente perigosas para o corpo. São aqueles casos em que um milímetro a mais ou a menos de remédio pode fazer toda diferença.
Sinto que a minha infecção se encaixa nesse último quadro, o mais perigoso. Foi totalmente inesperada e literalmente, veio da noite para o dia e me deixou de cama. Não veio sozinha: trouxe febre, fraqueza, mal-estar, forte dores de cabeça, laringite, otite e dores no estômago. Já se foram cinco dias de fortes doses de antibióticos mas sinto que a bactéria ainda vive dentro do meu corpo e que a qualquer momento ressurgirá novamente em outra grave infecção.
Tenho evitados os médicos pois tenho medo do diagnóstico; não quero descobrir que meu caso é letal e que não tem mais jeito. Não quero que a infecção domine meu corpo e a minha consciência. Para o meu caso, no entanto, sei de apenas uma coisa: não há vacina ou remédio fortes o suficiente para evitar que ela venha ou para neutralizar seus efeitos colaterais. Sinto que ela entrará em equilíbrio quando for a hora, convivendo em relações mútuas, sem que seja preciso matá-la ou me matar.
E que Deus sempre me proteja do que está por vir.
O primeiro sinal de qualquer infecção é a febre. Dizem a biologia e a medicina que se há febre, é porque alguma coisa está errada.A febre nos faz suar frio, tremer e estar em constante atenção para que a temperatura do corpo volte ao normal. Junto dela vem o mal-estar, a dor de cabeça latejante e a fraqueza. A infecção não se contenta em vir destruir sozinha nosso organismo: sempre traz um exército de reserva bem reforçado para nos derrubar por alguns dias.
Para os mais sortudos, os piores sintomas desaparecem logo nas primeiras doses do medicamento. para os mais azarados, ou mais "resistentes", é preciso dias de repouso e doses severas até que tudo volte ao normal. É como dizem os médicos: cada caso é um caso.
Há também os extremos, e esses são os mais preocupantes. A doença pode ser assintomática ou transformar-se em uma série de outras infecções, espalhando a tal da bactéria por todo o organismo. Os dois casos são letais se descobertos tardiamente, pois exigem isolamento do paciente em unidades intensivas de tratamento; é preciso sedá-lo e injetar doses extremamente perigosas para o corpo. São aqueles casos em que um milímetro a mais ou a menos de remédio pode fazer toda diferença.
Sinto que a minha infecção se encaixa nesse último quadro, o mais perigoso. Foi totalmente inesperada e literalmente, veio da noite para o dia e me deixou de cama. Não veio sozinha: trouxe febre, fraqueza, mal-estar, forte dores de cabeça, laringite, otite e dores no estômago. Já se foram cinco dias de fortes doses de antibióticos mas sinto que a bactéria ainda vive dentro do meu corpo e que a qualquer momento ressurgirá novamente em outra grave infecção.
Tenho evitados os médicos pois tenho medo do diagnóstico; não quero descobrir que meu caso é letal e que não tem mais jeito. Não quero que a infecção domine meu corpo e a minha consciência. Para o meu caso, no entanto, sei de apenas uma coisa: não há vacina ou remédio fortes o suficiente para evitar que ela venha ou para neutralizar seus efeitos colaterais. Sinto que ela entrará em equilíbrio quando for a hora, convivendo em relações mútuas, sem que seja preciso matá-la ou me matar.
E que Deus sempre me proteja do que está por vir.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Sobre sapos.
Toda noite quando saio de casa pra estudar no meu quartinho dos fundos sempre encontro sapos no curto trajeto que percorro. Alguns dizem que é porque aqui em casa a umidade e a "roça" favorecem a proliferação deles; outros dizem apenas que é puro azar. Não sei o que pensar dos sapos, apenas os odeio e me recuso a passar perto. Só sei que eles estão lá à espreita, toda noite, como se me vigiassem com seus olhos negros e saltos acrobáticos.
Não gosto dos olhos, da rugosidade da pele, do formato do corpo e principalmente da capacidade de estarem escondidos onde a gente menos espera. É como se me dissessem: "estou aqui e sei que você está com medo". E obviamente, me recuso a pegar a vassoura no canto da parede e espantá-los porque sempre fico imaginando o pior (eles saltarem em mim e liberarem algum tipo de veneno).
Sou refém dos sapos, assim, sem reagir, sem lutar; apensa me rendo ao medo e grito por socorro. Mas hoje eu me pergunto: até quando? No começo, quando a gente está aprendendo alguma coisa nova os medos são aceitáveis e compreensíveis. Porém, chega uma hora que vira comédia. O medo vira desculpa e conformação. A gente se recusa a fazer alguma coisa que nos faria bem só pelo simples fato de ter medo de coisas bobas. Coisas que a gente nem sabe direito porque é que tem medo.
Dizem que para matar sapos a gente deve jogar sal em cima deles; o sal desidrata o corpo do bicho e a morte é lenta e então você sofre junto. Se matar sapos não resolve o problema a gente faz o quê exatamente? Alguns dizem que você deve espantá-los, tocá-los pra bem longe toda vez que aparecerem. Outros dizem que é um bom sinal, por "o sapo sempre vira o príncipe no final da história". O problema do primeiro é que ele sempre volta e o problema do segundo é que o final vai demorar e não sei se será feliz. Estou nesse impasse com os meus sapos hoje: tocá-los ou torcer para que eles não pulem em mim enquanto espero o final feliz?
Sei que apesar dos mil conselhos que posso receber e das inúmeras tentativas do meu pai de me proteger de alguma ação maligna deles, a decisão só cabe a mim. Sou eu quem percorre o caminho entre a cozinha e o quarto de estudos todos os dias. Sou eu quem tem que passar e lidar com eles. Não tenho culpa se estão ali, mas eles também não tem. É apenas a vida seguindo seu curso normal, cada um em seu habitat tentando sobreviver. Sei que preciso me decidir, e logo, se vou deixá-los quietos ali ou se vou tocá-los sempre que os ver.
Mas hoje, escolho ficar aqui dentro de casa e não ter que vê-los por essa noite. Tenho adiado minha decisão e disso bem sei, mas apenas quero fazê-la com prudência e cautela, sem que haja arrependimentos futuros, sem que haja mais dores, medos e pesares.
Sapos: espero que vocês sejam um sinal divino e que realmente controlem seus impulsos saltatórios e que guardem bem suas toxinas quando eu estiver por perto enquanto eu me decido do futuro que vocês terão em minha vida.
Grata, Maria Olívia.
Não gosto dos olhos, da rugosidade da pele, do formato do corpo e principalmente da capacidade de estarem escondidos onde a gente menos espera. É como se me dissessem: "estou aqui e sei que você está com medo". E obviamente, me recuso a pegar a vassoura no canto da parede e espantá-los porque sempre fico imaginando o pior (eles saltarem em mim e liberarem algum tipo de veneno).
Sou refém dos sapos, assim, sem reagir, sem lutar; apensa me rendo ao medo e grito por socorro. Mas hoje eu me pergunto: até quando? No começo, quando a gente está aprendendo alguma coisa nova os medos são aceitáveis e compreensíveis. Porém, chega uma hora que vira comédia. O medo vira desculpa e conformação. A gente se recusa a fazer alguma coisa que nos faria bem só pelo simples fato de ter medo de coisas bobas. Coisas que a gente nem sabe direito porque é que tem medo.
Dizem que para matar sapos a gente deve jogar sal em cima deles; o sal desidrata o corpo do bicho e a morte é lenta e então você sofre junto. Se matar sapos não resolve o problema a gente faz o quê exatamente? Alguns dizem que você deve espantá-los, tocá-los pra bem longe toda vez que aparecerem. Outros dizem que é um bom sinal, por "o sapo sempre vira o príncipe no final da história". O problema do primeiro é que ele sempre volta e o problema do segundo é que o final vai demorar e não sei se será feliz. Estou nesse impasse com os meus sapos hoje: tocá-los ou torcer para que eles não pulem em mim enquanto espero o final feliz?
Sei que apesar dos mil conselhos que posso receber e das inúmeras tentativas do meu pai de me proteger de alguma ação maligna deles, a decisão só cabe a mim. Sou eu quem percorre o caminho entre a cozinha e o quarto de estudos todos os dias. Sou eu quem tem que passar e lidar com eles. Não tenho culpa se estão ali, mas eles também não tem. É apenas a vida seguindo seu curso normal, cada um em seu habitat tentando sobreviver. Sei que preciso me decidir, e logo, se vou deixá-los quietos ali ou se vou tocá-los sempre que os ver.
Mas hoje, escolho ficar aqui dentro de casa e não ter que vê-los por essa noite. Tenho adiado minha decisão e disso bem sei, mas apenas quero fazê-la com prudência e cautela, sem que haja arrependimentos futuros, sem que haja mais dores, medos e pesares.
Sapos: espero que vocês sejam um sinal divino e que realmente controlem seus impulsos saltatórios e que guardem bem suas toxinas quando eu estiver por perto enquanto eu me decido do futuro que vocês terão em minha vida.
Grata, Maria Olívia.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
A mocidade é um estado de espírito
"A mocidade não é apenas uma quadra da vida, é um estado de alma. Ser jovem não é uma questão de faces rosadas e joelhos lépidos - é também uma questão de vontade, de imaginação, de emoção, sentimentos que brotam das fontes profundas da vida.A juventude significa a preponderância da coragem sobre a timidez; do espírito de aventura sobre o amor à comodidade.Ninguém se torna velho, simplesmente, por ter vivido um certo número de anos. As pessoas tornam-se velhas quando abandonam seus ideais. O passar dos anos enruga o rosto; perder o entusiasmo enruga a alma.As preocupações, as dúvidas, o medo, o desespero é que são os longos anos que fazem perder a cabeça e levam o espírito a volver ao pó.Qualquer que seja sua idade, não deixe que desapareça de seu coração o amor maravilhoso. Não perca a curiosidade infantil pelo que está por vir; nem a alegria pelo jogo da vida. Você será tão jovem quanto a fé que o anima, tão velho quanto as dúvidas que alimenta. Tão moço quanto a sua autoconfiança; tão idoso quanto o seu medo. Tão jovem quanto suas esperanças; tão velho quanto seu desespero. Enquanto seu coração puder captar mensagens de beleza, de esperança, de coragem, de aplausos, você permanecerá jovem. Quando, porém, se esgotar essa receptividade e seu coração se cobrir com as neves do pessimismo e os gelos do cinismo, que Deus, então, se apiede de sua alma de velho" Douglas MacArthur.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Sobre as amarras da vida.
É hora de silenciar. Fechar a boca, desligar a música, apagar a luz, meditar e escrever. O início de ano foi uma loucura. Voou e foi-se embora os meses como tantas outras coisas. Tenho sentido antecipadamente as dores de um ano que promete fortes emoções.
É tanta loucura, tanta confusão e tanta falta de tempo que nos poucos momentos de paz-de-espírito que tenho, me encho de saudade. De nostalgia. De conjugar no passado. Tenho sentido às amarras do passado me assombrando quando fecho os olhos. É como um fantasma que só aparece quando a gente já está com medo de outras coisas. É um ímã. Uma tempestade que não cessa.
Quando a criança tem medo, dizem que ela tem que ir lá e lutar contra o fantasma e no fim ela descobrirá que ele é apenas seu pai enrolado em um lençol. Quando a gente cresce, a gente briga, luta, esfaqueia, asfixia e nada disso revela a verdadeira face do fantasma. Ele fica nos seguindo e se a gente pergunta o que ele quer, ele ri na nossa cara.
É uma infecção contra a qual a medicina não desenvolveu remédios que a mandassem embora para sempre. A doença sempre volta sem avisos, sem hora marcada.
A gente se prende por mil e uma coisas. A gente fecha a boca porque sabe que se falar demais e na hora errada, vai estar tudo perdido. A gente troca de roupa e de sapato até que tudo combine. A gente foge do fantasma quando sente ele próximo. A gente se auto-medica e acredita que os nossos conhecimentos médicos são o bastante para curar qualquer coisa. A gente decora frases prontas e finge que se disser com convicção, vamos enganar alguém.
A gente se culpa pelos menores deslizes que damos. Culpa por ter gastado muito tempo ou por não ter gastado tempo nenhum. Culpa por lembrar. Culpa por ainda deixar que um fantasma domine alguma coisa.
Mas o que é que a gente faz de verdade? Será que a gente realmente se esforça para mudar de vida? A gente arranja mil motivos pra continuar perto do fantasma e adia a visita ao médico. A gente finge que não existe mais nada, que está tudo guardado e trancado quando não está. Nós mesmos nos prendemos em nós. Somos os vilões e somos heróis. Soltar as amarras da vida depende das nossas forças: não basta dizer e não fazer nada. É hora de agir; de não ter medo de lidar. É hora de despojar de tudo o que faz mal. É hora de mover as amarras que nos prende a isso e aquilo. É tempo de libertar-se.
Espero que a partir de amanhã eu realmente viva como já deveria estar vivendo à um ano: desamarrada. Livre do fantasma. Livre de pendências. Livre de urgências. Livre de qualquer coisa que me lembre passado e plural. Quero ser só eu, meu presente e meu futuro. Não quero mais o que eu nunca tive. Não, não mais.. Já passou da hora de mudar de vida. E agora, foi dada a largada..
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Tenho morrido de estudar e gostado das coisas enérgicas. Quero movimento e ações e por isso, estou começando a dar exemplo disso. E que Deus esteja sempre conosco nessa empreitada! um beijo.
É tanta loucura, tanta confusão e tanta falta de tempo que nos poucos momentos de paz-de-espírito que tenho, me encho de saudade. De nostalgia. De conjugar no passado. Tenho sentido às amarras do passado me assombrando quando fecho os olhos. É como um fantasma que só aparece quando a gente já está com medo de outras coisas. É um ímã. Uma tempestade que não cessa.
Quando a criança tem medo, dizem que ela tem que ir lá e lutar contra o fantasma e no fim ela descobrirá que ele é apenas seu pai enrolado em um lençol. Quando a gente cresce, a gente briga, luta, esfaqueia, asfixia e nada disso revela a verdadeira face do fantasma. Ele fica nos seguindo e se a gente pergunta o que ele quer, ele ri na nossa cara.
É uma infecção contra a qual a medicina não desenvolveu remédios que a mandassem embora para sempre. A doença sempre volta sem avisos, sem hora marcada.
A gente se prende por mil e uma coisas. A gente fecha a boca porque sabe que se falar demais e na hora errada, vai estar tudo perdido. A gente troca de roupa e de sapato até que tudo combine. A gente foge do fantasma quando sente ele próximo. A gente se auto-medica e acredita que os nossos conhecimentos médicos são o bastante para curar qualquer coisa. A gente decora frases prontas e finge que se disser com convicção, vamos enganar alguém.
A gente se culpa pelos menores deslizes que damos. Culpa por ter gastado muito tempo ou por não ter gastado tempo nenhum. Culpa por lembrar. Culpa por ainda deixar que um fantasma domine alguma coisa.
Mas o que é que a gente faz de verdade? Será que a gente realmente se esforça para mudar de vida? A gente arranja mil motivos pra continuar perto do fantasma e adia a visita ao médico. A gente finge que não existe mais nada, que está tudo guardado e trancado quando não está. Nós mesmos nos prendemos em nós. Somos os vilões e somos heróis. Soltar as amarras da vida depende das nossas forças: não basta dizer e não fazer nada. É hora de agir; de não ter medo de lidar. É hora de despojar de tudo o que faz mal. É hora de mover as amarras que nos prende a isso e aquilo. É tempo de libertar-se.
Espero que a partir de amanhã eu realmente viva como já deveria estar vivendo à um ano: desamarrada. Livre do fantasma. Livre de pendências. Livre de urgências. Livre de qualquer coisa que me lembre passado e plural. Quero ser só eu, meu presente e meu futuro. Não quero mais o que eu nunca tive. Não, não mais.. Já passou da hora de mudar de vida. E agora, foi dada a largada..
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Tenho morrido de estudar e gostado das coisas enérgicas. Quero movimento e ações e por isso, estou começando a dar exemplo disso. E que Deus esteja sempre conosco nessa empreitada! um beijo.
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