O encontro com Kiko Argüello - parte 2
Em seguida, veio a parte principal do encontro: a catequese. Kiko havia nos preparado palavras belíssimas, extremamente sinceras, que nos cobravam a nossa atuação enquanto jovens no mundo. Kiko nos dizia verdades, algumas sinceras até demais, porém necessárias. Nos falou o tempo todo sobre a importância do amor, de amar o próximo como a nós mesmos, e também falou muito sobre o amor de Deus por cada um de nós, e este é o maior amor que podemos ter. Porém, a palavra que mais mexeu comigo foi a do "agradeça a Deus todos os dias por estar dentro da Igreja, este é o seu maior presente". E realmente é o maior presente que posso ter.. quem eu seria se eu não estivesse dentro da Igreja? Essa é uma pergunta que eu realmente tenho medo de encontrar resposta.Lindas palavras, muito bem preparadas, ditas energicamente. Kiko mostrou-me pessoalmente o quanto é sábio!
Seguida a catequese, foi a hora do chamado vocacional dos homens - uma das mais arrepiantes. Kiko falou da vida consagrada ao Senhor, sobre estar inteiramente disponível para levar a palavra do Senhor aos lugares mais longínquos, especialmente à Ásia. Em seguida, pediu que todos nos calássemos durante um minuto e rezássemos, em silêncio, "Senhor, envie operários para a messe" (que é um pedaço de um dos meus cantos preferidos *-*). Decorrido esse minuto, solenemente Kiko pediu que aqueles homens que se sentissem chamados a dedicar a sua vida ao Senhor, que se colocassem de pé e fossem até o palco. O momento em que o pessoal levanta é um dos mais fortes nos encontros do Caminho; o local ficou em um silêncio profundo e jovens levantavam por todos os lados - inclusive um dos meus amigos rio-pardenses - e iam correndo ao palco, como se corressem realmente ao encontro do Cristo. Era um a bela cena. Levantaram-se 3000 (TRÊS MIL) jovens homens para servir a Deus. E digo mais, Deus escolheu bem seus novos evangelizadores!!
Na sequência, foi a vez do discurso de Carmen Hernandez às mulheres. Carmem sentia mais que Kiko o peso da idade: caminhava com dificuldade e não se prolongou em sua fala. Simples, determinada, vai direto ao ponto, sem os rodeios do Kiko. Carmen se dirigia às mulheres e as enaltecia (essa parte é típica, catequistas se alfinetam o tempo todo por causa desse assunto!). Carmen pediu que nós, mulheres, não tenhamos medo de sermos mulheres,de sermos fortes e que nos preparemos apenas para um amado: Jesus Cristo.
Em seguida, Kiko explicou o canto que cantaríamos quando as mulheres se levantassem. Nunca gostei desse canto até o momento em que passei a entendê-lo: "e o rei se encantara com tua beleza, ele é o teu senhor, entrega-te a ele e faz temível a sua direita". Realmente o canto começou a fazer sentido para mim: o amado mais formoso é Jesus Cristo, ao qual sempre devemos estar preparados. Decorrido outro minuto de oração no mais profundo silêncio, 2000 (DUAS MIL) mulheres se levantaram para servir ao amado em regime de clausura. Admiro-as pela coragem pois a dedicação é de corpo e alma.
Da JMJ RIO 2013 partiram 5000 novos evangelizadores catecúmenos, que deram o seu primeiro "sim" à sua vocação. Espero que Deus ajude a todos e que a nova evangelização seja realmente estendida ao mundo todo, a fim de que tantos outros irmãos conheçam a maravilha do amor de Deus.Nunca desistam das suas vocações! Acho realmente muito bonito que se dispõe a abrir mão de uma carreira profissional ou de uma vida amorosa para seguir este chamado de Deus.
Decorrido os chamados vocacionais, Kiko anuncia que a hora da despedida estava próxima. A minha ficha ainda não havia caído que passamos o dia todo ali e que agora escurecia e aproximava-se a hora de voltar para casa. Não gosto de finais e não sei lidar com despedidas; queria que aqueles momentos durassem para sempre, queria estar na presença daquele homem sábio todo final de semana, ouví-lo cantar em seu sotaque único, queria os irmãos todos juntos, agitando bandeiras e buscando a alegria em meio às dificuldades! Mas também era preciso voltar e evangelizar por aqui; entendi nesse momento a importância do voltar: era preciso levar o resultado da colheita e espalhar o ânimo, a coragem e as palavras de amor. Dom Orani abençoou-nos e Kiko cantou para encerrar. Cantamos e dançamos nos moldes catecúmenos o 'Ressuscitou' (o velho) em vários idiomas. Cristo havia ressuscitada em nossas vidas naqueles dias de JMJ e saíamos dali com ânimo novo, com a esperança de uma vida nova e decididos a sermos pessoas melhores!
Dançamos no Riocentro até o último segundo, até que o último violão ainda ressoasse as notas do 'Ressuscitou'. Não posso me esquecer que antes de irmos embora teve o momento clássico do "cambiare" que eu pude finalmente conhecer. Catecúmenos de todos os lugares trocavam bandeiras e símbolos de seus países, era realmente engraçado assistir àquilo! O encontro terminou em festa! Uma festa que não precisou de drogas, bebidas, sexos ou rock'n'roll. Estávamos felizes de estarmos ali vivendo tudo aquilo, felizes de Deus ter nos dado um dia lindo ao lado dos irmãos do mundo todo! Eu trouxe minha bandeira do Brasil para casa pois ela foi o símbolo da resistência contra o frio e da união que tivemos na noite da vigília; guardo-a com imenso carinho e saudade e levarei-a comigo à Polônia.
Contudo, a hora de ir embora, apesar do alívio de finalmente voltar para casa, é a mais triste. Triste porque temos que nos despedir da realidade que encontramos ali: de comer polenguinho em todas as refeições, de estar junto o tempo todo, de rezar todos dias o dia inteiro,de passar por momentos inóspitos e sobreviver às dificuldades com a certeza que Deus estava guardando tudo para o final. Como aconteceu em Brasília, exatamente há um ano atrás, este foi o momento de a ficha cair: a hora em que caminhávamos de volta ao nosso ônibus para ir embora. O filme da Jornada, lindo e tumultuado, passava detalhadamente na minha cabeça. Quantas maravilhas e milagres Deus fez em mim nestes dias! Quantas coisas aconteceram! Como foi bom ter estado lá, como foi bom ter visto e vivido tudo aquilo! Dava vontade de chorar, mas novamente na saída nós cantávamos. Deus providenciou-nos um encontro e uma Jornada estupendos! Não nos falou nada e todas as dificuldades serviram de aprendizado. Deus me mostrou seu imenso amor, sua misericórdia e que se eu confiar em Sua palavra, confiar na promessa que Ele fez a mim, se eu nunca desistir e pedir com fé, Ele virá em meu socorro como veio em todos os dias de JMJ.
Jamais me esquecerei do momento em que vi Kiko Agüello pela primeira vez, a 5 metros de mim, acenado a todos os cantos do Riocentro, tão louco e tão feliz por estar ali quanto eu. Jamais me esquecer do "Eu venho reunir" em espanhol - só Deus sabe o quanto eu esperei por isto!!! Jamais me esquecerei do momento em que ele anunciou os brasileiros e que nós gritamos: "eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!". Jamais me esquecerei do momento da entrada da Virgem e da minha promessa. Jamais me esquecerei no arrepio que percorre a espinha quanto pedem um minuto de silêncio antes do chamado. Jamais me esquecerei deste dia!! Espero que Deus me conceda a graça de vê-lo novamente pois se depender de mim, enquanto este homem viver eu escutarei sua voz. Kiko, obrigada pela bagunça boa que você fez em mim, por ter me mostrado o quanto eu sou amada por Deus e por este encontro maravilhoso! Nós vemos em Cracóvia, na Polônia!!
Na volta, encontramos os chilenos e espanhóis que vieram para São José e novamente Tambaú. Fiquei realmente feliz de tê-los encontrado em meio a 100 mil pessoas e triste por não ter conseguido rever alguns amigos brasileiros de longe! Aos amigos-irmãos, saudosos, continuo cheia de saudade de vocês! Gostaria de abraçar cada um e rir de tudo que aconteceu conosco na JMJ (historias polêmicas e engraçadas acontecem por todo lado mesmo!) Mas agradeço a Deus por ter criado a internet e diminuído um pouquinho a saudade e a distância!! Amo vocês e vejo-os antes da Polônia, se Deus quiser!!!
Era hora de dizer adeus ao Rio de Janeiro, entrar no ônibus, subir a serra e voltar para o meu interior - que por sinal também recebeu de braços abertos. Complicações da viagem à parte, chegamos bem, cheios de memórias na bagagem.
Porém, quando chegamos, a Jornada ainda não havia terminado. Mais um final de semana abençoado estava por vir.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Sirene de ambulância.
Há uma coisa que me faz tremer na base: barulho de ambulância. Tal sonido desperta em mim um misto de medo e irritabilidade extremamente singular. Odeio-o.
Por azar, moro no começo de uma rodovia de acesso às rodovias grandes, ou seja, palco de acidentes seguidos de ambulâncias em série. Não há sequer uma semana no mês que passamos sem acidentes e barulhos estridentes. E mais, em qualquer lugar da casa o barulho é notável e mesmo a alguns quilômetros de distância ainda é possível ouvi-lo.
Ouço-o e desconcentro-me instantaneamente de tudo que estava fazendo. Me sistema de fuga-luta me avisa na hora que é para correr que alguma catástrofe aconteceu. Quero notícias rápidas. O que aconteceu? Houve mortes? Quem estava lá?
Me agustia não saber em primeira mão do acontecido e se há amigos feridos. Sinto necessidade de ir lá e ajudar a resgatar. Mas não posso, tenho medo de sangue, desmaiaria se visse alguém sangrando. Tenho que sentar e esperar. Fico olhando da janela da sala pra ver se a ambulância volta e tentar ver pela janelinha o que se passa lá dentro.
Tenho aflição de quando ela volta com a sirene desligada. Se isso acontecer, está tudo consumado. Não há esperança ou massagem cardíaca que traga de volta à vida o ferido. E não há nada que possamos fazer.
O meu medo e irritação por sirenes de ambulâncias é justamente esse: não poder fazer nada. Não estava no acidente, não vi o ferido, não liguei para a emergência e não vou poder ajudar a resgatar. Tenho apenas que ficar em casa esperando por notícias, rezando para que não tenha feridos ou que a catastrófe não tenha sido grande demais.
Mas não me contento em olhar e esperar, tenho síndrome de "Maria Capitolina". Quero sempre fazer algo, me mexer e tentar ajudar. Porém, às vezes eu quero ajudar mais aos outros do que a mim mesma, o que acaba sempre em problemas tão graves quanto o acidente em si.
Não há como escaparmos de catástrofes e não há como prevê-las (pelo menos, em sua maioria). Tudo que podemos realmente fazer é rezar para que Deus tenha piedade de nós e que nos deixe viver um pouco mair. Há acidentes todos os dias, a diferença é que nem sempre há barulhos estridentes para nos avisar que algo aconteceu. Só espero que a próxima ferida não seja eu e caso for, que o resgate venha rápido.
Por azar, moro no começo de uma rodovia de acesso às rodovias grandes, ou seja, palco de acidentes seguidos de ambulâncias em série. Não há sequer uma semana no mês que passamos sem acidentes e barulhos estridentes. E mais, em qualquer lugar da casa o barulho é notável e mesmo a alguns quilômetros de distância ainda é possível ouvi-lo.
Ouço-o e desconcentro-me instantaneamente de tudo que estava fazendo. Me sistema de fuga-luta me avisa na hora que é para correr que alguma catástrofe aconteceu. Quero notícias rápidas. O que aconteceu? Houve mortes? Quem estava lá?
Me agustia não saber em primeira mão do acontecido e se há amigos feridos. Sinto necessidade de ir lá e ajudar a resgatar. Mas não posso, tenho medo de sangue, desmaiaria se visse alguém sangrando. Tenho que sentar e esperar. Fico olhando da janela da sala pra ver se a ambulância volta e tentar ver pela janelinha o que se passa lá dentro.
Tenho aflição de quando ela volta com a sirene desligada. Se isso acontecer, está tudo consumado. Não há esperança ou massagem cardíaca que traga de volta à vida o ferido. E não há nada que possamos fazer.
O meu medo e irritação por sirenes de ambulâncias é justamente esse: não poder fazer nada. Não estava no acidente, não vi o ferido, não liguei para a emergência e não vou poder ajudar a resgatar. Tenho apenas que ficar em casa esperando por notícias, rezando para que não tenha feridos ou que a catastrófe não tenha sido grande demais.
Mas não me contento em olhar e esperar, tenho síndrome de "Maria Capitolina". Quero sempre fazer algo, me mexer e tentar ajudar. Porém, às vezes eu quero ajudar mais aos outros do que a mim mesma, o que acaba sempre em problemas tão graves quanto o acidente em si.
Não há como escaparmos de catástrofes e não há como prevê-las (pelo menos, em sua maioria). Tudo que podemos realmente fazer é rezar para que Deus tenha piedade de nós e que nos deixe viver um pouco mair. Há acidentes todos os dias, a diferença é que nem sempre há barulhos estridentes para nos avisar que algo aconteceu. Só espero que a próxima ferida não seja eu e caso for, que o resgate venha rápido.
sábado, 21 de setembro de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte VIII
O encontro com Kiko Arguello-Parte 1
Partimos cedo. Nos disseram que da Ilha do Governador até o Rio Centro - local do encontro - seriam três horas de ônibus. Por sorte, nosso motorista conseguiu cortar caminho por uma favela; chegamos em menos de uma hora, antes dos portões serem abertos. Fomos uns dos primeiros a entrar e conseguimos lugar de honra: cerca de 5 metros do palco, dava pra ver tudo com muita nitidez. Deus nos havia dado aquele presente.
Mas, como bons caipiras do interior, entramos do lado errado do Rio Centro e estávamos no local destinado aos estrangeiros. Como o local lotou (esperavam 40 mil; vieram 100 mil catecúmenos), pediram que os brasileiros gentilmente cedessem seus lugares aos estrangeiros e a bem da verdade a maior parte obedeceu, mas nós, astutos, abaixamos as nossas bandeiras e ficamos petulantemente ali, fingindo que não havia uma bandeira do Brasil na nossa camiseta e que não falávamos português (essa parte foi realmente engraçada). Sei que o Caminho nos cobra fortemente a obediência, mas não me levem à mal, nós já tínhamos passado por muitos perrengues e estávamos muito perto do palco; ver o Kiko de perto era realizar um sonho, em, talvez, uma oportunidade única.
Desobedecemos o padre. Ficamos sentados no chão do Rio Centro exatamente do começo ao fim; eu, pelo menos, resisti à tudo pois não queria perder nenhum segundinho ao lado do meu amado. Serviram-nos um kit lanche/almoço que foi simplesmente tudo de bom!! Nunca gostei tanto de comer pão com presunto e mussarela e maça de sobremesa! Esperávamos ansiosamente.
Kiko Argüello é um jovem de 74 anos que em 1964 iniciou o "Caminho Neocatecumenal" pelas favelas de Madri, junto de Carmen Hernández e Padre Mario Pezzi. O Caminho Neocatecumental é a chamada "nova evangelização" que busca intensamente viver o batismo, a experiência concreta de ser cristão. Sou suspeita para falar do Caminho, amo-o. Nasci, cresci e amadurei em meio ao catecumenato e ali dentro aprendi valores como o amor, o respeito e, sobretudo, a obediência. O Caminho me fez ser alguém melhor, menos fútil, menos materialista e mais firme nas minhas decisões. Somos constantemente cobrados acerca daquilo que aprendemos, às vezes repreendidos, mas não tenho a menor dúvida que tudo vale à pena, pois o Caminho cada vez mais se mostra maravilhoso a mim. Na Jornada ficou muito claro que se eu não tivesse tido essa educação rígida (que permanece) e se eu não estivesse dentro da Igreja - sobretudo dentro do Caminho - eu com certeza estaria perdida, sem rumo. O Neocatecumenal me mostrou qual era o caminho certo, me mostrou a minha vocação, me deu amigos incríveis e uma família sensacional. Eu certamente descreveria um monólogo sobre a minha história e amor pelo Caminho Neocatecumenal, farei-o em outra ocasião pois hoje tentarei deter-me no dia 30/07/2013.
Kiko saudou-nos exatamente às três da tarde, conforme estava escrito no roteiro. Esperávamos por ele desde às 10 da manhã; foi com grande euforia que o recebemos. Assim como o Papa Francisco, Kiko Argüello veio simples, trajando sua costumeira roupa de itinerante: a calça social e o suéter preto, indiferente ao calor que fazia no Rio Centro, e trazendo, apenas, seu violão, já bem surrado pelos anos de evangelização. Nada nesse mundo paga a alegria e emoção de ver o sorriso daquele homem. Ele acenava por todos os cantos, procurava olhar nos olhos e nas bandeiras de cada um ali presente.
Kiko agradeceu a acolhida, agradeceu ao Brasil, ao Rio de Janeiro e a Dom Orani - nosso conterrâneo idealizador da JMJ. Em seguida, como de praxe dentro do Caminho, apresentou todos que estavam presentes ali: ele chamava os países e estes se levantavam e gritavam, mostrando presença e suas respectivas bandeiras (tradição catecúmena). Era arrepiante ver que estavam presente, realmente, catecúmenos de todas as nações, desde aquelas em que o Caminho é maioria - Itália e Espanha - até aquelas onde os cristãos são a minoria - como na China e no Oriente Médio. Sim, temos catecúmenos nas China e em países árabes!! Que orgulho saber que somos muitos e estamos por toda parte!! Que alegria ver todos os irmãos catando a uma só voz os mesmos cânticos, vivendo o mesmo ideal de vida e professando a mesma fé, em qualquer idioma. A alegria de dias como estes de Jornada Mundial da Juventude é indescritível, não consigo por em palavras o que eu sentia ali. Fui contagiada pela alegria que emanava de jovens tão loucos quanto eu, tão sedentos por uma palavra quanto eu e tão orgulhosos quanto eu de fazerem parte do Caminho.
Era tudo contagiante. Para finalizar, Kiko chamou os brasileiros e, claro, a festa foi gigante: ao somo de "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" o Rio Centro inteiro mais o pessoal que acompanhava lá fora pelos telões se levantou, agitou bandeiras, gritou muito, pulou, dançou..e não só nós brasileiros, mas todas as nações se levantaram e gritaram junto com a gente. Enchia o peito de emoção.. e os olhos de lágrimas. Impossível que tenha uma só pessoa que naquele momento não sentiu um orgulho gigante de ser brasileiro!! Somos contagiantes por essência, somos receptivos, fazemos festa com tudo!! Me alegro e me orgulho muito de ter feito parte daquele momento, nunca me emocionei tanto ao agitar a bandeira do meu país.
Kiko também se emocionou e agradeceu novamente a calorosa recepção. Em seguida, ensinou-nos o canto novo, o canto que ele havia preparado para a Jornada Mundial da Juventude do Brasil e, como ele mesmo disse "quando vocês ouvirem esse canto em suas comunidades, se lembrarão para sempre desse momento, é o canto que marca a JMJ do Brasil". Nosso canto é o "Ressurese", lindo e brilhantemente orquestrado; foi um canto feito para emocionar! O canto diz que "Cristo ressuscitou, Cristo vive" e esta passagem foi muito forte nessa peregrinação! Cristo esteve presente ao nosso lado em todos os momentos, nos ajudando a cada dificuldade! Confesso que dentre os cantos feitos para peregrinações há outros mais bonitos e com mais história, mas o nosso é verdadeiramente a cara do Brasil: simples, alto e emocionante. Não há nenhum outro canto no Caminho que tenha ganho uma orquestra tão bem trabalhada como este!
Nações e canto apresentados, o encontro propriamente começou com a entrada e benção de Dom Orani, Arcebispo do Rio de Janeiro e natural de São José do Rio Pardo, a minha cidade. Kiko ia constantemente à estante, cantava, falava e gesticulava por todos os lados. Todos os cantos me emocionaram muito e até aqueles que eu não gostava tanto passei a olhar com mais atenção. Diga-se de passagem que ele não apenas cantava, mas dava uma mini catequese sobre cada canto, explicando-os desde a sua origem. Confirmei minha suspeita: não há nada no Caminho que não tenha um forte significado.
Me emocionei logo no canto de entrada: "Yo vengo a reunir" é o canto-símbolo das peregrinações, eu estava tão ansiosa para ouvir que cantei junto em portunhol mesmo, era lindo de qualquer jeito!!! Realmente, todos que se dispuseram a ir viram a glória de Deus, e bem de perto. A tradicional invocação do Espírito Santo antes das celebrações catecúmenas foi feita à capela, por 100 mil pessoas.. tentem imaginar a emoção e a altura que foi isso!! 100 mil pessoas cantando, verdadeiramente, à uma só voz!! Deus havia nos presenteado com momentos inesquecíveis naquele dia.
Em seguida, pra mim, foi um dos grandes momentos da JMJ: a entrada de Nossa Senhora da Penha (uma imagem lindíssima!!) ao som de "Um grande sinal" - o canto da Jornada de Sidney, em 2008, na Austrália. Foi um momento tão grande quanto a passagem do Papa para mim pois havia ouvido a mini catequese da minha mãe sobre a entrada de Nossa Senhora nos encontros catecúmenos (essa é uma das vantagens de ser filha de catequistas!) e lembrei instantaneamente de tudo que ela havia me dito dias antes de viajar. Minha mãe sabe das coisas e disse que era para eu ão me esquecer de pedir alguma coisa à Virgem, que qualquer cosia que eu pedisse naquele momento ela me atenderia. Hoje tenho total certeza que ela cuida do meu pedido e vai realizá-lo quando for a hora certa. Foi o único momento na JMJ em que algumas de minhas lágrimas cairam; enxuguei-as rapidamente pois aquele era um momento de alegria. Maria entrava, me trazia conforto e enchia o meu coração do carinho de uma Mãe que estava presente para interceder por seus filhos. Aprendi que Maria é a maior advogada que temos e que intercederá para que o melhor nos aconteça.
Partimos cedo. Nos disseram que da Ilha do Governador até o Rio Centro - local do encontro - seriam três horas de ônibus. Por sorte, nosso motorista conseguiu cortar caminho por uma favela; chegamos em menos de uma hora, antes dos portões serem abertos. Fomos uns dos primeiros a entrar e conseguimos lugar de honra: cerca de 5 metros do palco, dava pra ver tudo com muita nitidez. Deus nos havia dado aquele presente.
Mas, como bons caipiras do interior, entramos do lado errado do Rio Centro e estávamos no local destinado aos estrangeiros. Como o local lotou (esperavam 40 mil; vieram 100 mil catecúmenos), pediram que os brasileiros gentilmente cedessem seus lugares aos estrangeiros e a bem da verdade a maior parte obedeceu, mas nós, astutos, abaixamos as nossas bandeiras e ficamos petulantemente ali, fingindo que não havia uma bandeira do Brasil na nossa camiseta e que não falávamos português (essa parte foi realmente engraçada). Sei que o Caminho nos cobra fortemente a obediência, mas não me levem à mal, nós já tínhamos passado por muitos perrengues e estávamos muito perto do palco; ver o Kiko de perto era realizar um sonho, em, talvez, uma oportunidade única.
Desobedecemos o padre. Ficamos sentados no chão do Rio Centro exatamente do começo ao fim; eu, pelo menos, resisti à tudo pois não queria perder nenhum segundinho ao lado do meu amado. Serviram-nos um kit lanche/almoço que foi simplesmente tudo de bom!! Nunca gostei tanto de comer pão com presunto e mussarela e maça de sobremesa! Esperávamos ansiosamente.
Kiko Argüello é um jovem de 74 anos que em 1964 iniciou o "Caminho Neocatecumenal" pelas favelas de Madri, junto de Carmen Hernández e Padre Mario Pezzi. O Caminho Neocatecumental é a chamada "nova evangelização" que busca intensamente viver o batismo, a experiência concreta de ser cristão. Sou suspeita para falar do Caminho, amo-o. Nasci, cresci e amadurei em meio ao catecumenato e ali dentro aprendi valores como o amor, o respeito e, sobretudo, a obediência. O Caminho me fez ser alguém melhor, menos fútil, menos materialista e mais firme nas minhas decisões. Somos constantemente cobrados acerca daquilo que aprendemos, às vezes repreendidos, mas não tenho a menor dúvida que tudo vale à pena, pois o Caminho cada vez mais se mostra maravilhoso a mim. Na Jornada ficou muito claro que se eu não tivesse tido essa educação rígida (que permanece) e se eu não estivesse dentro da Igreja - sobretudo dentro do Caminho - eu com certeza estaria perdida, sem rumo. O Neocatecumenal me mostrou qual era o caminho certo, me mostrou a minha vocação, me deu amigos incríveis e uma família sensacional. Eu certamente descreveria um monólogo sobre a minha história e amor pelo Caminho Neocatecumenal, farei-o em outra ocasião pois hoje tentarei deter-me no dia 30/07/2013.
Kiko saudou-nos exatamente às três da tarde, conforme estava escrito no roteiro. Esperávamos por ele desde às 10 da manhã; foi com grande euforia que o recebemos. Assim como o Papa Francisco, Kiko Argüello veio simples, trajando sua costumeira roupa de itinerante: a calça social e o suéter preto, indiferente ao calor que fazia no Rio Centro, e trazendo, apenas, seu violão, já bem surrado pelos anos de evangelização. Nada nesse mundo paga a alegria e emoção de ver o sorriso daquele homem. Ele acenava por todos os cantos, procurava olhar nos olhos e nas bandeiras de cada um ali presente.
Kiko agradeceu a acolhida, agradeceu ao Brasil, ao Rio de Janeiro e a Dom Orani - nosso conterrâneo idealizador da JMJ. Em seguida, como de praxe dentro do Caminho, apresentou todos que estavam presentes ali: ele chamava os países e estes se levantavam e gritavam, mostrando presença e suas respectivas bandeiras (tradição catecúmena). Era arrepiante ver que estavam presente, realmente, catecúmenos de todas as nações, desde aquelas em que o Caminho é maioria - Itália e Espanha - até aquelas onde os cristãos são a minoria - como na China e no Oriente Médio. Sim, temos catecúmenos nas China e em países árabes!! Que orgulho saber que somos muitos e estamos por toda parte!! Que alegria ver todos os irmãos catando a uma só voz os mesmos cânticos, vivendo o mesmo ideal de vida e professando a mesma fé, em qualquer idioma. A alegria de dias como estes de Jornada Mundial da Juventude é indescritível, não consigo por em palavras o que eu sentia ali. Fui contagiada pela alegria que emanava de jovens tão loucos quanto eu, tão sedentos por uma palavra quanto eu e tão orgulhosos quanto eu de fazerem parte do Caminho.
Era tudo contagiante. Para finalizar, Kiko chamou os brasileiros e, claro, a festa foi gigante: ao somo de "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor" o Rio Centro inteiro mais o pessoal que acompanhava lá fora pelos telões se levantou, agitou bandeiras, gritou muito, pulou, dançou..e não só nós brasileiros, mas todas as nações se levantaram e gritaram junto com a gente. Enchia o peito de emoção.. e os olhos de lágrimas. Impossível que tenha uma só pessoa que naquele momento não sentiu um orgulho gigante de ser brasileiro!! Somos contagiantes por essência, somos receptivos, fazemos festa com tudo!! Me alegro e me orgulho muito de ter feito parte daquele momento, nunca me emocionei tanto ao agitar a bandeira do meu país.
Kiko também se emocionou e agradeceu novamente a calorosa recepção. Em seguida, ensinou-nos o canto novo, o canto que ele havia preparado para a Jornada Mundial da Juventude do Brasil e, como ele mesmo disse "quando vocês ouvirem esse canto em suas comunidades, se lembrarão para sempre desse momento, é o canto que marca a JMJ do Brasil". Nosso canto é o "Ressurese", lindo e brilhantemente orquestrado; foi um canto feito para emocionar! O canto diz que "Cristo ressuscitou, Cristo vive" e esta passagem foi muito forte nessa peregrinação! Cristo esteve presente ao nosso lado em todos os momentos, nos ajudando a cada dificuldade! Confesso que dentre os cantos feitos para peregrinações há outros mais bonitos e com mais história, mas o nosso é verdadeiramente a cara do Brasil: simples, alto e emocionante. Não há nenhum outro canto no Caminho que tenha ganho uma orquestra tão bem trabalhada como este!
Nações e canto apresentados, o encontro propriamente começou com a entrada e benção de Dom Orani, Arcebispo do Rio de Janeiro e natural de São José do Rio Pardo, a minha cidade. Kiko ia constantemente à estante, cantava, falava e gesticulava por todos os lados. Todos os cantos me emocionaram muito e até aqueles que eu não gostava tanto passei a olhar com mais atenção. Diga-se de passagem que ele não apenas cantava, mas dava uma mini catequese sobre cada canto, explicando-os desde a sua origem. Confirmei minha suspeita: não há nada no Caminho que não tenha um forte significado.
Me emocionei logo no canto de entrada: "Yo vengo a reunir" é o canto-símbolo das peregrinações, eu estava tão ansiosa para ouvir que cantei junto em portunhol mesmo, era lindo de qualquer jeito!!! Realmente, todos que se dispuseram a ir viram a glória de Deus, e bem de perto. A tradicional invocação do Espírito Santo antes das celebrações catecúmenas foi feita à capela, por 100 mil pessoas.. tentem imaginar a emoção e a altura que foi isso!! 100 mil pessoas cantando, verdadeiramente, à uma só voz!! Deus havia nos presenteado com momentos inesquecíveis naquele dia.
Em seguida, pra mim, foi um dos grandes momentos da JMJ: a entrada de Nossa Senhora da Penha (uma imagem lindíssima!!) ao som de "Um grande sinal" - o canto da Jornada de Sidney, em 2008, na Austrália. Foi um momento tão grande quanto a passagem do Papa para mim pois havia ouvido a mini catequese da minha mãe sobre a entrada de Nossa Senhora nos encontros catecúmenos (essa é uma das vantagens de ser filha de catequistas!) e lembrei instantaneamente de tudo que ela havia me dito dias antes de viajar. Minha mãe sabe das coisas e disse que era para eu ão me esquecer de pedir alguma coisa à Virgem, que qualquer cosia que eu pedisse naquele momento ela me atenderia. Hoje tenho total certeza que ela cuida do meu pedido e vai realizá-lo quando for a hora certa. Foi o único momento na JMJ em que algumas de minhas lágrimas cairam; enxuguei-as rapidamente pois aquele era um momento de alegria. Maria entrava, me trazia conforto e enchia o meu coração do carinho de uma Mãe que estava presente para interceder por seus filhos. Aprendi que Maria é a maior advogada que temos e que intercederá para que o melhor nos aconteça.
sábado, 7 de setembro de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte VII
O presente chamado Renata.
Saímos de Copacabana por volta das 11:30 da manhã. Estava no momento da comunhão; não comungamos naquele dia pois era preciso juntar a turma e partir. Nossos catequistas tinham medo também e prezavam pelo bem da maioria. Ou íamos embora naquela hora ou só conseguiríamos sair de Copacabana à noite, o que seria perigoso, afinal de contas, não se brinca na noite carioca. Confesso que recebi a notícia com grande pesar, por mim eu passaria, sim, o dia ali com o que havia sobrado do Kit Vigília e veria todas as apresentações ao final da missa, queria aproveitar cada segundo da minha JMJ. Porém, quando se está em um grupo grande e sobretudo se esse grupo for catecúmeno, deve-se obediência aos seus catequistas. Na Jornada não tinha dessa de metade vai e metade fica, ou era todo mundo ou não era ninguém - foi assim o tempo todo, não nos desgrudamos por um segundo. Teve momentos em que renunciar a própria vontade pela vontade dos superiores ou da maioria doía, ainda mais pra mim, mas era necessário e era preciso, também, fazê-lo sem murmurar.
Por sorte conseguimos encontrar o metrô funcionando e evitar mais uma grande caminhada. Foi a primeira vez que andei de metrô na minha vida e confesso que foi muito muito muito louco!! Encontramos no metrô um grupo de chilenos, não dava para saber se era o mesmo que esteve em São José durante os preparativos da Jornada, mas sei que entoavam o já famoso hino "Chi, Chi, chi.. Le, Le, Le.. Viva Chile!!", O metrô tremia ao som dos chilenos. A cidade do Rio de Janeiro certamente nunca havia visto nada igual e certamente não se esquecerá de momentos como esse.
Um metrô, um ônibus e uma pequena caminhada e estávamos novamente na Ilha do Governador, no alojamento da Paróquia que nos recebia. Primeira providência quando chegamos: tomar banho, afinal de contas já fazia dois dias que não fazíamos isso e era de extrema urgência. Para nossa surpresa, nosso voluntário avisou-nos que não haveria banho para todos pois a água estava acabando e, além de nós, estavam alojados também outros grupos de peregrinos. Era inacreditável que depois de tudo que estava acontecendo na minha vida eu teria outra provação. Acho que Deus estava me testando mesmo.
Depois da indignação chegou a hora de decidirmos o que fazer. Não hesitamos: saímos em busca de casas perto da paróquia que nos cedesse um chuveiro. Nos negaram na primeira, mas na segunda, uma casinha simples entre os prédios da Ilha, estava disposta a nos acolher. Conhecemos a Renata, o anjo que Deus havia preparado para nós naquela Jornada.
A Renata é uma mulher extremamente simpática e carinhosa, que não teve o menor medo de acolher peregrinas que ela sequer conhecia. E por obra do destino, Deus nos enviou a uma família que não frequentava a paróquia porém, com muito mais disposição do que os paroquianos. A Renata fez o que minha mãe faria por mim: nos deixou tomar banho (estávamos em 5), fez um bolo de chocolate - maravilhoso - e nos chamou para passarmos a noite ali, dadas as histórias que contamos.
Eu me senti verdadeiramente em casa; tinha cama, comida, minha irmã de sangue e minhas irmãs de fé e pessoas maravilhosas que Deus havia me enviado. A Renata tem uma filha linda, a Duda, que muito me lembrou de mim mesma em seus gestos e ações. Jantamos pizza, vimos o Papa na tv, pude usar finalmente a internet e deixar um recado aos meus conterrâneos.
Foi uma das melhores noites da minha vida. Sem luxos, sem maquiagem, sem cabelo escovado e sem Louboutin. Mas, eu tinha tudo junto de mim: o amor de Deus, a sua misericórdia para comigo que, mesmo pecadora, Ele não deixou de estar ao meu lado e me mostrar, mais uma vez, que quando confiamos em Sua palavra o melhor nos irá acontecer.
Me alegro muito por ter conhecido a Renata e toda a sua família: o Diego, a Duda e a Milena que passava um dias lá. Foram realmente anjos. Nem sei mais como agradecer por tudo que fizeram por nós naquela noite!! Jamais me esquecerei da acolhida, simples e especial!! Espero vê-los novamente em breve. Que Deus sempre os abençoe.
Dormimos bem, comemos bem e agrademos à Deus e à Renata por aquela acolhida. Foi difícil ir embora dali, mesmo com todos os problemas que tivemos no alojamento, Deus havia nos cumulado de bençãos e alegrias. Partimos cedo para o Rio Centro, onde nos encontraríamos com Kiko Argüello, Carmem e Padre Mário, os inciadores do Caminho Neocatecumenal, juntamente a 100 mil catecúmenos tão loucos quanto eu.
Saímos de Copacabana por volta das 11:30 da manhã. Estava no momento da comunhão; não comungamos naquele dia pois era preciso juntar a turma e partir. Nossos catequistas tinham medo também e prezavam pelo bem da maioria. Ou íamos embora naquela hora ou só conseguiríamos sair de Copacabana à noite, o que seria perigoso, afinal de contas, não se brinca na noite carioca. Confesso que recebi a notícia com grande pesar, por mim eu passaria, sim, o dia ali com o que havia sobrado do Kit Vigília e veria todas as apresentações ao final da missa, queria aproveitar cada segundo da minha JMJ. Porém, quando se está em um grupo grande e sobretudo se esse grupo for catecúmeno, deve-se obediência aos seus catequistas. Na Jornada não tinha dessa de metade vai e metade fica, ou era todo mundo ou não era ninguém - foi assim o tempo todo, não nos desgrudamos por um segundo. Teve momentos em que renunciar a própria vontade pela vontade dos superiores ou da maioria doía, ainda mais pra mim, mas era necessário e era preciso, também, fazê-lo sem murmurar.
Por sorte conseguimos encontrar o metrô funcionando e evitar mais uma grande caminhada. Foi a primeira vez que andei de metrô na minha vida e confesso que foi muito muito muito louco!! Encontramos no metrô um grupo de chilenos, não dava para saber se era o mesmo que esteve em São José durante os preparativos da Jornada, mas sei que entoavam o já famoso hino "Chi, Chi, chi.. Le, Le, Le.. Viva Chile!!", O metrô tremia ao som dos chilenos. A cidade do Rio de Janeiro certamente nunca havia visto nada igual e certamente não se esquecerá de momentos como esse.
Um metrô, um ônibus e uma pequena caminhada e estávamos novamente na Ilha do Governador, no alojamento da Paróquia que nos recebia. Primeira providência quando chegamos: tomar banho, afinal de contas já fazia dois dias que não fazíamos isso e era de extrema urgência. Para nossa surpresa, nosso voluntário avisou-nos que não haveria banho para todos pois a água estava acabando e, além de nós, estavam alojados também outros grupos de peregrinos. Era inacreditável que depois de tudo que estava acontecendo na minha vida eu teria outra provação. Acho que Deus estava me testando mesmo.
Depois da indignação chegou a hora de decidirmos o que fazer. Não hesitamos: saímos em busca de casas perto da paróquia que nos cedesse um chuveiro. Nos negaram na primeira, mas na segunda, uma casinha simples entre os prédios da Ilha, estava disposta a nos acolher. Conhecemos a Renata, o anjo que Deus havia preparado para nós naquela Jornada.
A Renata é uma mulher extremamente simpática e carinhosa, que não teve o menor medo de acolher peregrinas que ela sequer conhecia. E por obra do destino, Deus nos enviou a uma família que não frequentava a paróquia porém, com muito mais disposição do que os paroquianos. A Renata fez o que minha mãe faria por mim: nos deixou tomar banho (estávamos em 5), fez um bolo de chocolate - maravilhoso - e nos chamou para passarmos a noite ali, dadas as histórias que contamos.
Eu me senti verdadeiramente em casa; tinha cama, comida, minha irmã de sangue e minhas irmãs de fé e pessoas maravilhosas que Deus havia me enviado. A Renata tem uma filha linda, a Duda, que muito me lembrou de mim mesma em seus gestos e ações. Jantamos pizza, vimos o Papa na tv, pude usar finalmente a internet e deixar um recado aos meus conterrâneos.
Foi uma das melhores noites da minha vida. Sem luxos, sem maquiagem, sem cabelo escovado e sem Louboutin. Mas, eu tinha tudo junto de mim: o amor de Deus, a sua misericórdia para comigo que, mesmo pecadora, Ele não deixou de estar ao meu lado e me mostrar, mais uma vez, que quando confiamos em Sua palavra o melhor nos irá acontecer.
Me alegro muito por ter conhecido a Renata e toda a sua família: o Diego, a Duda e a Milena que passava um dias lá. Foram realmente anjos. Nem sei mais como agradecer por tudo que fizeram por nós naquela noite!! Jamais me esquecerei da acolhida, simples e especial!! Espero vê-los novamente em breve. Que Deus sempre os abençoe.
Dormimos bem, comemos bem e agrademos à Deus e à Renata por aquela acolhida. Foi difícil ir embora dali, mesmo com todos os problemas que tivemos no alojamento, Deus havia nos cumulado de bençãos e alegrias. Partimos cedo para o Rio Centro, onde nos encontraríamos com Kiko Argüello, Carmem e Padre Mário, os inciadores do Caminho Neocatecumenal, juntamente a 100 mil catecúmenos tão loucos quanto eu.
sábado, 31 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte VI
"Eis que eu os envio"
Depois daquela ida ao banheiro consegui que meus cochilos durassem mais que 10 minutos. Deus havia me aquecido e me dado ânimo novo. N[os estávamos usando nossas capas de chuva; não chovia, mas disseram que isolavam do frio. Isolava pouco a bem da verdade, mas usávamos tudo que podíamos. Mas noite, enfim, terminou. Acordei com o dia amanhecendo; estava azul e aquele seria um dia lindo. Nós fixamos na grade de isolamento exatamente as 6:40 da manhã pois queríamos garantir um bom lugar para a próxima passagem do Papa Francisco que aconteceria exatamente às 10 da manhã. Os paraguaios dormiam ali e nós ficamos entre os sacos de dormir deles disputando cada pedacinho. Depois daquela noite, nada poderia dar errado.
Foram mais de três horas em pé na grade espremida por paraguaios que gritavam o tempo todo. Nesse meio de tempo conhecemos um sargento do Rio Grande do Sul que foi muito simpático com a gente e nos contou detalhes de sua profissão e explicou porque haveriam militares e voluntários fazendo cordão de isolamento naquela manhã. Confesso que não gostei do excesso de segurança pois colocaram a grade um pouco mais para trás e eu queria muito conseguir tirar uma foto nítida do Papa. Mas regras são regras e sei que os voluntários ralaram muito para que nada de errado acontecesse.
Eis que Francisco novamente veio junto de nós, pontualmente às 10 da manhã, no seu papa móvel sem vidros, na sua alegria contagiante e nos seus acenos eloquentes. Gritei muito e vi o Papa olhando e acenando novamente para mim. Me senti abençoada. Coloquei minha vida em suas mãos, para que ele intercedesse junto ao Pai pela minha vida e pelo meu futuro. Tenho certeza que ele ouviu minhas preces e está cuidando para que o melhor aconteça em minha vida. Tenho total convicção disso pois hoje tenho certeza que quando a gente pede muito e pede de verdade, com todas as nossas forças e com todo o nosso coração e tem fé que vai dar certo, não tem jeito de dar errado. Mesmo quando a gente acha que não vai aguentar, que a cruz é pesada demais e que vai morrer de fome ou de frio, Deus vem em nosso socorro e nos mostra o seu amor por nós. Ele conduz a minha vida e tenho certeza que não preciso de regente melhor. Deus me mostrou fortemente o seu amor e misericórdia por mim nessa Jornada Mundial da Juventude. É bem a velha das peregrinações: a gente sofre e vive de perrengue, mas no final Deus nos surpreende.
E olha que ainda havia muita coisa para acontecer depois da passagem do Papa.
Não consegui uma foto nítida pois estava emocionada e a cabeça de uma voluntária infelizmente era mais alta do que eu. Mas sem problemas, fotos do Papa estão espalhadas pela internet. A sensação do "estar lá" de que tanto ouvi falar antes de ir, realmente é a maior verdade. Não adianta a gente ouvir as histórias dos amigos que já foram, não adianta a gente ler tudo que puder sobre a JMJ; o que vale é estar lá e viver tudo isso, sentir na pele o sofrimento e a emoção. Não há nada que se compare ao momento de ver o Papa passando na sua frente e te abençoando e é justamente por esse momento que disse, ali mesmo no Rio de Janeiro: "estarei na próxima Jornada Mundial da Juventude".
Não chorei quando o Papa passou, gritei muito e meu coração pulsava forte. Aliás, os paraguaios que estavam atrás de mim também. Era uma festa de várias nações. Durante todo o trajeto do papa móvel se cantava "esta é a juventude do Papa!". Estou com saudades disso.
A missa de envio começou pontualmente às 10:30 da manhã e a abertura foi o flash mob - o maior da história. Nesse momento estávamos indo perto de um telão e consegui acompanhar a coreografia; eu e as meninas ensaiamos o flahs mob antes de viajarmos mas na hora eu não lembrava de quase nada. Deu para enrolar e imitar bem os que sabiam dançar direitinho; confesso que foi até engraçado e que amei ter feito parte do maior flahs mob da história! Hoje estou apaixonada na música e danço em casa. Que alegria poder ter encontrado papa Francisco!!
Conseguimos um espacinho para acompanhar um pouco da missa pelo telão e quanto mais andávamos mais bandeiras diferentes eu via. Estava tudo lindo: a praia tomada, o sol quente e o céu e o mar azuis. E ah, que lindo o mar de Copacabana!!! Sei que sou suspeita para falar porque amo praia, mas a de Copacabana é realmente tudo o que a televisão fala!! É azulzinho, limpo, calmo!!!!!! Me joguei na água de roupa e tudo, afinal de contas eu não perderia aquela oportunidade nunca!! Reclamava de saudade do mar e Deus me deu uma chance de poder vê-lo durante a JMJ!! É revigorante estar de frente ao mar.
Dali das límpidas águas de Copacabana pude ouvir em alto e bom som a homília do Papa Francisco que dizia exatamente o seguinte "Não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho, a sua fé. Não tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: 'Eu estou com vocês todos os dias. E não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor". E aqui missão dada é missão cumprida!! Papa disse que é para não termos medo que Deus estaria conosco todos os dias de nossas vidas! Foi a palavra certa, no momento certo! Me senti muito mais tranquila ao ouvir isso pois senti, de novo, que Deus é o senhor da minha vida e que Ele a está conduzindo da melhor forma possível. Voltei da JMJ com isso na cabeça: sou enviada pelo Papa a anunciar o evangelho e não vou deixar que ele morra dentro de mim. Quero que todo mundo saiba o que eu senti e que tenha a oportunidade de ver o quanto Deus ama a cada um de nós. Ele nos ama como filhos, do jeito que somos e quer fazer uma história belíssima para todos nós, basta que deixemos, basta que sigamos os seus ensinamentos.
"E olhai que eu os envio como ovelhas entre lobos. Sedes prudentes como serpentes e simples como as pombas. Não leveis bolsas nem dinheiro, e acreditai que o reino está perto, Cristo ressuscitou e ele vem conosco, ele vem conosco!". Meu canto preferido da JMJ se cumpriu verdadeiramente.
Depois daquela ida ao banheiro consegui que meus cochilos durassem mais que 10 minutos. Deus havia me aquecido e me dado ânimo novo. N[os estávamos usando nossas capas de chuva; não chovia, mas disseram que isolavam do frio. Isolava pouco a bem da verdade, mas usávamos tudo que podíamos. Mas noite, enfim, terminou. Acordei com o dia amanhecendo; estava azul e aquele seria um dia lindo. Nós fixamos na grade de isolamento exatamente as 6:40 da manhã pois queríamos garantir um bom lugar para a próxima passagem do Papa Francisco que aconteceria exatamente às 10 da manhã. Os paraguaios dormiam ali e nós ficamos entre os sacos de dormir deles disputando cada pedacinho. Depois daquela noite, nada poderia dar errado.
Foram mais de três horas em pé na grade espremida por paraguaios que gritavam o tempo todo. Nesse meio de tempo conhecemos um sargento do Rio Grande do Sul que foi muito simpático com a gente e nos contou detalhes de sua profissão e explicou porque haveriam militares e voluntários fazendo cordão de isolamento naquela manhã. Confesso que não gostei do excesso de segurança pois colocaram a grade um pouco mais para trás e eu queria muito conseguir tirar uma foto nítida do Papa. Mas regras são regras e sei que os voluntários ralaram muito para que nada de errado acontecesse.
Eis que Francisco novamente veio junto de nós, pontualmente às 10 da manhã, no seu papa móvel sem vidros, na sua alegria contagiante e nos seus acenos eloquentes. Gritei muito e vi o Papa olhando e acenando novamente para mim. Me senti abençoada. Coloquei minha vida em suas mãos, para que ele intercedesse junto ao Pai pela minha vida e pelo meu futuro. Tenho certeza que ele ouviu minhas preces e está cuidando para que o melhor aconteça em minha vida. Tenho total convicção disso pois hoje tenho certeza que quando a gente pede muito e pede de verdade, com todas as nossas forças e com todo o nosso coração e tem fé que vai dar certo, não tem jeito de dar errado. Mesmo quando a gente acha que não vai aguentar, que a cruz é pesada demais e que vai morrer de fome ou de frio, Deus vem em nosso socorro e nos mostra o seu amor por nós. Ele conduz a minha vida e tenho certeza que não preciso de regente melhor. Deus me mostrou fortemente o seu amor e misericórdia por mim nessa Jornada Mundial da Juventude. É bem a velha das peregrinações: a gente sofre e vive de perrengue, mas no final Deus nos surpreende.
E olha que ainda havia muita coisa para acontecer depois da passagem do Papa.
Não consegui uma foto nítida pois estava emocionada e a cabeça de uma voluntária infelizmente era mais alta do que eu. Mas sem problemas, fotos do Papa estão espalhadas pela internet. A sensação do "estar lá" de que tanto ouvi falar antes de ir, realmente é a maior verdade. Não adianta a gente ouvir as histórias dos amigos que já foram, não adianta a gente ler tudo que puder sobre a JMJ; o que vale é estar lá e viver tudo isso, sentir na pele o sofrimento e a emoção. Não há nada que se compare ao momento de ver o Papa passando na sua frente e te abençoando e é justamente por esse momento que disse, ali mesmo no Rio de Janeiro: "estarei na próxima Jornada Mundial da Juventude".
Não chorei quando o Papa passou, gritei muito e meu coração pulsava forte. Aliás, os paraguaios que estavam atrás de mim também. Era uma festa de várias nações. Durante todo o trajeto do papa móvel se cantava "esta é a juventude do Papa!". Estou com saudades disso.
A missa de envio começou pontualmente às 10:30 da manhã e a abertura foi o flash mob - o maior da história. Nesse momento estávamos indo perto de um telão e consegui acompanhar a coreografia; eu e as meninas ensaiamos o flahs mob antes de viajarmos mas na hora eu não lembrava de quase nada. Deu para enrolar e imitar bem os que sabiam dançar direitinho; confesso que foi até engraçado e que amei ter feito parte do maior flahs mob da história! Hoje estou apaixonada na música e danço em casa. Que alegria poder ter encontrado papa Francisco!!
Conseguimos um espacinho para acompanhar um pouco da missa pelo telão e quanto mais andávamos mais bandeiras diferentes eu via. Estava tudo lindo: a praia tomada, o sol quente e o céu e o mar azuis. E ah, que lindo o mar de Copacabana!!! Sei que sou suspeita para falar porque amo praia, mas a de Copacabana é realmente tudo o que a televisão fala!! É azulzinho, limpo, calmo!!!!!! Me joguei na água de roupa e tudo, afinal de contas eu não perderia aquela oportunidade nunca!! Reclamava de saudade do mar e Deus me deu uma chance de poder vê-lo durante a JMJ!! É revigorante estar de frente ao mar.
Dali das límpidas águas de Copacabana pude ouvir em alto e bom som a homília do Papa Francisco que dizia exatamente o seguinte "Não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho, a sua fé. Não tenham medo! Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: 'Eu estou com vocês todos os dias. E não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor". E aqui missão dada é missão cumprida!! Papa disse que é para não termos medo que Deus estaria conosco todos os dias de nossas vidas! Foi a palavra certa, no momento certo! Me senti muito mais tranquila ao ouvir isso pois senti, de novo, que Deus é o senhor da minha vida e que Ele a está conduzindo da melhor forma possível. Voltei da JMJ com isso na cabeça: sou enviada pelo Papa a anunciar o evangelho e não vou deixar que ele morra dentro de mim. Quero que todo mundo saiba o que eu senti e que tenha a oportunidade de ver o quanto Deus ama a cada um de nós. Ele nos ama como filhos, do jeito que somos e quer fazer uma história belíssima para todos nós, basta que deixemos, basta que sigamos os seus ensinamentos.
"E olhai que eu os envio como ovelhas entre lobos. Sedes prudentes como serpentes e simples como as pombas. Não leveis bolsas nem dinheiro, e acreditai que o reino está perto, Cristo ressuscitou e ele vem conosco, ele vem conosco!". Meu canto preferido da JMJ se cumpriu verdadeiramente.
domingo, 25 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte V
A madrugada fria da vigília.
O Santíssimo Sacramento ficaria exposto a noite toda no Palco de Copacabana em um belo ostensório, grande e dourado. O Papa deixou o Palco com a promessa de voltar no dia seguinte durante uma apresentação de dança. Ainda tiveram outra apresentações e um ensaio para o flash mob; não os vi pois precisava voltar para junto do grupo pois era tarde e a fome e o frio falavam mais alto.
Nós não tínhamos levado nada para passar a noite ali: não tínhamos comida, não tínhamos agasalhos suficientes, deixamos o saco de dormir e a lona no alojamento da paróquia e tão pouco tínhamos cobertas para nos aquecer. Contávamos apenas com a providência de Deus pois não tiraríamos os pés dali em hipótese alguma.
Mas Deus não nos abandonou em nenhum momento daquela noite. Os meninos conseguiram chegar a tempo de conseguir pegar kits vigília para todos e não tiveram problemas em pegar conduções na noite carioca. Isso significava que todos estavam bem e teríamos alimento para os dois dias. Para mim, que vivo morrendo de medo de ter uma crise de hipoglicemia, foi com grande alegria que recebi esta notícia; Deus havia nos providenciado uma caixa cheia de mantimentos.
Os telões haviam sido apagados e o frio começava a apertar; eu tinha apenas uma camiseta de manga comprida e uma blusa de frio fina; não estava preparada para a madrugada fria que viria. Aliás, nem eu nem o nosso grupo.
O cansaço era grande e acredito que não somente a mim; havia pessoas acampadas ali há alguns dias e sob frio mais intenso. Me disseram que na noite da vigília alguns optam por não dormir e virar a noite cantando e dançado; eis que a profecia se cumpriu. Havia um grupo de catecúmenos eslováquios perto de nós que cantava e dançava; havia um grupo de brasileiros que percorreu a praia inteira a noite toda cantando "se eu não durmo, você não dorme, Jesus ressuscitou". O corpo estava realmente exausto, mas a mente conseguia controla-lo e aguentar muito mais.
Eu não percorri a praia toda cantando e não entrei na roda dos catecúmenos eslováquios. Me limitei a ficar juntos dos meus irmãos e tentar dormir. Cochilei algumas vezes. A sirene da ambulância e o frio intenso não deixavam que os meus cochilos durassem mais que dez minutos. O frio era tanto que eu tremia, meus dentes rangiam involuntariamente; não tinha como controlar. Nós estávamos em umas 6 ou 7 meninas abraçadas e enroladas nas nossas bandeiras do Brasil (sim, o nacionalismo era geral!). No caso, eu e a minha irmã dividíamos a nossa bandeira; nós nunca havíamos ficados tão juntas como naquela noite. Uma bandeira nunca havia sido tão bom cobertor quanto antes. Nunca agradeci tanto a Deus por não estar sozinha.
A nossa sorte foi ter levado as sombrinhas que, além de nos proteger da chuva da caminhada, nos protegeram - pelo menos um pouco - do frio que fazia ali. Se você tentar imaginar a cena, tenho certeza que vai rir, mas na hora do sufoco vale tudo. Sorte também que tínhamos chegado tarde e a praia estava lotada pois se estivéssemos na praia não iríamos dar conta do frio. Sim, muita gente ao nosso lado passou mal por causa do frio mas, graças a Deus, ninguém do nosso grupo teve problemas.
Para mim um momento forte naquela noite foi por volta das 4 da manhã quando eu e umas amigas fomos procurar por um banheiro. Havia pouquíssimos banheiros na praia, os postos de atendimento tinham filas gigantescas e havia apenas dois banheiros químicos beeeem espaçados, com filas quilométricas. Não tinha condição de ficar ali, fomos tentar a sorte e pedir que os bares e hotéis nos deixassem entrar, de preferência sem cobrar nada. Nós conseguimos boates, na primeira nos cobraram 5 reais (absurdo, moço, somos peregrinos!) e na madrugada nos deixaram entrar sem pagar. Fiquei feliz de conseguir um banheiro, bem dizem as anedotas da internet que peregrino de verdade reconhece o valor de um banheiro!
Foi justamente na boate em que conseguimos entrar sem pagar que eu entendi o que estava acontecendo. Enquanto eu estava vivendo uma Jornada Mundial da Juventude havia pessoas que a ignoravam, que não conheciam o amor de Deus. Foi ali na fila do banheiro o momento em que mais rezei naquela madrugada: agradeci a Deus pela minha família, pela oportunidade de estar em uma família cristã e catecúmena que me mostrou o melhor lado, feliz por estar junto dos meus amigos e irmãos na fé. Não me importava em não ter luxos, em estar mal vestida, com os cabelos bagunçados, passando muito frio e andando na orla de Copacabana durante a madrugada procurando banheiro. Eu estava verdadeiramente em uma Jornada Mundial da Juventude e Deus havia confiado a mim - e a mais 4 milhões de jovens - a missão de ensinar o Rio de Janeiro a grandeza do amor de Deus. Rezei por aqueles que não conheciam a Deus e que Ele suscitasse naquelas pessoas o desejo de uma vida nova assim como suscitava em mim. Foi nesse momento em que a minha ficha caiu de verdade: às 4 da manhã na fila de um boate esperando pelo banheiro.
Eu tinha medo e Deus não me abandonou. Eu sentia frio mas ele me deu forças para aguentar. Ele me levou a uma boate cheia de gente que vivia tudo ao contrário do que eu vivia; ele me permitiu viver essas experiências para que eu crescesse e enxergasse que "a messe é grande e poucos são os operários" e eu me vi como operária, na minha fragilidade, no meu pecado, mas, ainda assim, operária da messe. E nunca havia me orgulhado tanto disso.
Minha catequista dizia na volta que à cada um Deus passa de um jeito: à Moisés passou em uma sarça ardente, à Elias numa brisa suave e à nós no frio de Copacabana. Não há comparação melhor que essa.
O Santíssimo Sacramento ficaria exposto a noite toda no Palco de Copacabana em um belo ostensório, grande e dourado. O Papa deixou o Palco com a promessa de voltar no dia seguinte durante uma apresentação de dança. Ainda tiveram outra apresentações e um ensaio para o flash mob; não os vi pois precisava voltar para junto do grupo pois era tarde e a fome e o frio falavam mais alto.
Nós não tínhamos levado nada para passar a noite ali: não tínhamos comida, não tínhamos agasalhos suficientes, deixamos o saco de dormir e a lona no alojamento da paróquia e tão pouco tínhamos cobertas para nos aquecer. Contávamos apenas com a providência de Deus pois não tiraríamos os pés dali em hipótese alguma.
Mas Deus não nos abandonou em nenhum momento daquela noite. Os meninos conseguiram chegar a tempo de conseguir pegar kits vigília para todos e não tiveram problemas em pegar conduções na noite carioca. Isso significava que todos estavam bem e teríamos alimento para os dois dias. Para mim, que vivo morrendo de medo de ter uma crise de hipoglicemia, foi com grande alegria que recebi esta notícia; Deus havia nos providenciado uma caixa cheia de mantimentos.
Os telões haviam sido apagados e o frio começava a apertar; eu tinha apenas uma camiseta de manga comprida e uma blusa de frio fina; não estava preparada para a madrugada fria que viria. Aliás, nem eu nem o nosso grupo.
O cansaço era grande e acredito que não somente a mim; havia pessoas acampadas ali há alguns dias e sob frio mais intenso. Me disseram que na noite da vigília alguns optam por não dormir e virar a noite cantando e dançado; eis que a profecia se cumpriu. Havia um grupo de catecúmenos eslováquios perto de nós que cantava e dançava; havia um grupo de brasileiros que percorreu a praia inteira a noite toda cantando "se eu não durmo, você não dorme, Jesus ressuscitou". O corpo estava realmente exausto, mas a mente conseguia controla-lo e aguentar muito mais.
Eu não percorri a praia toda cantando e não entrei na roda dos catecúmenos eslováquios. Me limitei a ficar juntos dos meus irmãos e tentar dormir. Cochilei algumas vezes. A sirene da ambulância e o frio intenso não deixavam que os meus cochilos durassem mais que dez minutos. O frio era tanto que eu tremia, meus dentes rangiam involuntariamente; não tinha como controlar. Nós estávamos em umas 6 ou 7 meninas abraçadas e enroladas nas nossas bandeiras do Brasil (sim, o nacionalismo era geral!). No caso, eu e a minha irmã dividíamos a nossa bandeira; nós nunca havíamos ficados tão juntas como naquela noite. Uma bandeira nunca havia sido tão bom cobertor quanto antes. Nunca agradeci tanto a Deus por não estar sozinha.
A nossa sorte foi ter levado as sombrinhas que, além de nos proteger da chuva da caminhada, nos protegeram - pelo menos um pouco - do frio que fazia ali. Se você tentar imaginar a cena, tenho certeza que vai rir, mas na hora do sufoco vale tudo. Sorte também que tínhamos chegado tarde e a praia estava lotada pois se estivéssemos na praia não iríamos dar conta do frio. Sim, muita gente ao nosso lado passou mal por causa do frio mas, graças a Deus, ninguém do nosso grupo teve problemas.
Para mim um momento forte naquela noite foi por volta das 4 da manhã quando eu e umas amigas fomos procurar por um banheiro. Havia pouquíssimos banheiros na praia, os postos de atendimento tinham filas gigantescas e havia apenas dois banheiros químicos beeeem espaçados, com filas quilométricas. Não tinha condição de ficar ali, fomos tentar a sorte e pedir que os bares e hotéis nos deixassem entrar, de preferência sem cobrar nada. Nós conseguimos boates, na primeira nos cobraram 5 reais (absurdo, moço, somos peregrinos!) e na madrugada nos deixaram entrar sem pagar. Fiquei feliz de conseguir um banheiro, bem dizem as anedotas da internet que peregrino de verdade reconhece o valor de um banheiro!
Foi justamente na boate em que conseguimos entrar sem pagar que eu entendi o que estava acontecendo. Enquanto eu estava vivendo uma Jornada Mundial da Juventude havia pessoas que a ignoravam, que não conheciam o amor de Deus. Foi ali na fila do banheiro o momento em que mais rezei naquela madrugada: agradeci a Deus pela minha família, pela oportunidade de estar em uma família cristã e catecúmena que me mostrou o melhor lado, feliz por estar junto dos meus amigos e irmãos na fé. Não me importava em não ter luxos, em estar mal vestida, com os cabelos bagunçados, passando muito frio e andando na orla de Copacabana durante a madrugada procurando banheiro. Eu estava verdadeiramente em uma Jornada Mundial da Juventude e Deus havia confiado a mim - e a mais 4 milhões de jovens - a missão de ensinar o Rio de Janeiro a grandeza do amor de Deus. Rezei por aqueles que não conheciam a Deus e que Ele suscitasse naquelas pessoas o desejo de uma vida nova assim como suscitava em mim. Foi nesse momento em que a minha ficha caiu de verdade: às 4 da manhã na fila de um boate esperando pelo banheiro.
Eu tinha medo e Deus não me abandonou. Eu sentia frio mas ele me deu forças para aguentar. Ele me levou a uma boate cheia de gente que vivia tudo ao contrário do que eu vivia; ele me permitiu viver essas experiências para que eu crescesse e enxergasse que "a messe é grande e poucos são os operários" e eu me vi como operária, na minha fragilidade, no meu pecado, mas, ainda assim, operária da messe. E nunca havia me orgulhado tanto disso.
Minha catequista dizia na volta que à cada um Deus passa de um jeito: à Moisés passou em uma sarça ardente, à Elias numa brisa suave e à nós no frio de Copacabana. Não há comparação melhor que essa.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte IV
A primeira parte da vigília.
Depois de uma longa caminhada e de muitos sufoco, eis que o Papa Francisco havia passado diante dos meus olhos. A emoção de ver o Papa passando diante de mim é algo difícil de ser explicado, é um arrepio e um agitar de coração que eu nunca havia sentido igual. É único, é mágico! Espremer-me entre as pessoas para ver a sua rápida passagem foi para mim uma experiência de um filho que busca ardentemente ao pai, que quer vê-lo, quer tocá-lo, quer receber sua benção e sentir-se amado. O Papa Francisco passa realmente toda alegria e ternura de um pai que encontra seus filhos. Reitero, me senti abençoada e amada.
Foram 3 ou 4 segundos, o tempo exato dele olhar, abençoar e sorrir para mim.
Nós e os paraguaios ficamos ainda uma meia hora gritando o quase-hino da JMJ: "essa é a juventude do papa!". Nós todos, de todo cantinho do mundo, havíamos viajado muitas horas e sofrido um tanto para aquele momento! Era nada mais que surreal. Para completar, quando os seguranças vieram retirar as grades de isolamento, deixaram escapar que pela manhã o Papa passaria de novo! Foi nesse momento em que decidimos que dormiríamos ali mesmo, passaríamos fome e frio e ficaríamos plantados na grade até o Papa passar novamente. A vigília começava para nós.
Como estávamos longe do palco e não podíamos ter uma visão perfeita do telão mais próximo acampamos ali mesmo onde estávamos, na calçada em frente ao posto 2 de serviços gerais; não vi a vigília começar. Aquela, aliás, era a hora da janta. Tínhamos, apenas, o lanche que ganhamos no café da manhã que teria que durar até a tarde de domingo. Havia a possibilidade de pegarmos o kit vigília, uma caixa contendo alimentos que nos sustentariam até a tarde do domingo quando os tickets alimentação voltariam a funcionar. O único problema é que quando passamos pelo - único - ponto de retirada desses kits, ainda há 5 quilômetros de Copacabana, a fila era imensa e não podíamos perder todo aquele tempo pois a fila dava cerca de 5 voltas em uma avenida. Ao final da passagem do Papa, em momento de muita luz e inspiração, os meninos tiveram a em Copacabana para garantir nosso espaço na calçada.
Todos os homens foram buscar os kits e fizeram um esforço gigante para chegar no lugar a tempo e ainda carregar todos os kits de volta. Quem foi disse que foi uma verdadeira demonstração de solidariedade de todos. Eu fiquei na praia e minha tarefa era juntar, ou melhor, catar, todo papelão em bom estado que eu encontrasse pois essa seria a nossa cama naquela noite. No meio da tarefa eu e as meninas demos um jeito de assistir um pouco da vigília em um telão próximo de onde nós estávamos acampados. O que mais me chamou atenção nesse momento foi que as pessoas que estavam próximas aos telões e que provavelmente estavam acampadas na praia já há alguns dias, nos concederam passagem e ofereceram o seu pedacinho de lona para que nós, que não tínhamos absolutamente nada, pudéssemos nos sentar ali e também acompanhar a vigília. Eu não conhecia ninguém e só sabia de onde eram pelas bandeiras que carregavam, mas eu sabia de uma coisa: eramos todos irmãos em Cristo. Não havia disputa por melhores lugares, não havia xingamentos, egoísmo e não havia distinção de raça, nacionalidade ou dinheiro. Todos faziam seus esforços para que o outro também estivesse bem, que pudesse ver a vigília e que tivesse o que comer.
Eu, que sou extremamente egoísta com as minhas coisas, nunca havia passado por um experiência tão forte e concreta do chamado "abrir mão". Abrir mão da minha cama quentinha, da minha comida pronta na mesa, do meu banho quente e demorado, do meu banheiro limpo, do meu conforto, da minha individualidade, da minha vontade pela vontade geral e abrir mão do meu egoísmo. Deus realmente queria me mostrar que ser altruísta ainda é o melhor caminho e que existem, ainda, pessoas dispostas à isso! Me surpreendi ao ver a solidariedade e o amor de Deus imperando entre os peregrinos.
Voltando à vigília, consegui um lugar privilegiado em frente a um telão e ali pude ver grande parte dos acontecimentos daquela noite. Tive a graça de poder ver a linda oração do Papa Francisco, as apresentações de música e teatro em que amei ter visto Luan Santana cantando a oração de São Francisco e a apresentação de uma cantora norte-americana em uma musica emocionante chamada "Jesus Christ, you are my life" que aprendi a cantar nessa JMJ. Mas, o ápice da primeira parte da vigília foi a exposição do Santíssimo, um momento em que todos na praia ficaram em silêncio e de joelhos enquanto o Papa cingia o corpo de Cristo com incenso e, assim como nós, rezava.
Coloquei diante de Deus as minhas orações. Tenho certeza que Ele as ouviu.
Depois de uma longa caminhada e de muitos sufoco, eis que o Papa Francisco havia passado diante dos meus olhos. A emoção de ver o Papa passando diante de mim é algo difícil de ser explicado, é um arrepio e um agitar de coração que eu nunca havia sentido igual. É único, é mágico! Espremer-me entre as pessoas para ver a sua rápida passagem foi para mim uma experiência de um filho que busca ardentemente ao pai, que quer vê-lo, quer tocá-lo, quer receber sua benção e sentir-se amado. O Papa Francisco passa realmente toda alegria e ternura de um pai que encontra seus filhos. Reitero, me senti abençoada e amada.
Foram 3 ou 4 segundos, o tempo exato dele olhar, abençoar e sorrir para mim.
Nós e os paraguaios ficamos ainda uma meia hora gritando o quase-hino da JMJ: "essa é a juventude do papa!". Nós todos, de todo cantinho do mundo, havíamos viajado muitas horas e sofrido um tanto para aquele momento! Era nada mais que surreal. Para completar, quando os seguranças vieram retirar as grades de isolamento, deixaram escapar que pela manhã o Papa passaria de novo! Foi nesse momento em que decidimos que dormiríamos ali mesmo, passaríamos fome e frio e ficaríamos plantados na grade até o Papa passar novamente. A vigília começava para nós.
Como estávamos longe do palco e não podíamos ter uma visão perfeita do telão mais próximo acampamos ali mesmo onde estávamos, na calçada em frente ao posto 2 de serviços gerais; não vi a vigília começar. Aquela, aliás, era a hora da janta. Tínhamos, apenas, o lanche que ganhamos no café da manhã que teria que durar até a tarde de domingo. Havia a possibilidade de pegarmos o kit vigília, uma caixa contendo alimentos que nos sustentariam até a tarde do domingo quando os tickets alimentação voltariam a funcionar. O único problema é que quando passamos pelo - único - ponto de retirada desses kits, ainda há 5 quilômetros de Copacabana, a fila era imensa e não podíamos perder todo aquele tempo pois a fila dava cerca de 5 voltas em uma avenida. Ao final da passagem do Papa, em momento de muita luz e inspiração, os meninos tiveram a em Copacabana para garantir nosso espaço na calçada.
Todos os homens foram buscar os kits e fizeram um esforço gigante para chegar no lugar a tempo e ainda carregar todos os kits de volta. Quem foi disse que foi uma verdadeira demonstração de solidariedade de todos. Eu fiquei na praia e minha tarefa era juntar, ou melhor, catar, todo papelão em bom estado que eu encontrasse pois essa seria a nossa cama naquela noite. No meio da tarefa eu e as meninas demos um jeito de assistir um pouco da vigília em um telão próximo de onde nós estávamos acampados. O que mais me chamou atenção nesse momento foi que as pessoas que estavam próximas aos telões e que provavelmente estavam acampadas na praia já há alguns dias, nos concederam passagem e ofereceram o seu pedacinho de lona para que nós, que não tínhamos absolutamente nada, pudéssemos nos sentar ali e também acompanhar a vigília. Eu não conhecia ninguém e só sabia de onde eram pelas bandeiras que carregavam, mas eu sabia de uma coisa: eramos todos irmãos em Cristo. Não havia disputa por melhores lugares, não havia xingamentos, egoísmo e não havia distinção de raça, nacionalidade ou dinheiro. Todos faziam seus esforços para que o outro também estivesse bem, que pudesse ver a vigília e que tivesse o que comer.
Eu, que sou extremamente egoísta com as minhas coisas, nunca havia passado por um experiência tão forte e concreta do chamado "abrir mão". Abrir mão da minha cama quentinha, da minha comida pronta na mesa, do meu banho quente e demorado, do meu banheiro limpo, do meu conforto, da minha individualidade, da minha vontade pela vontade geral e abrir mão do meu egoísmo. Deus realmente queria me mostrar que ser altruísta ainda é o melhor caminho e que existem, ainda, pessoas dispostas à isso! Me surpreendi ao ver a solidariedade e o amor de Deus imperando entre os peregrinos.
Voltando à vigília, consegui um lugar privilegiado em frente a um telão e ali pude ver grande parte dos acontecimentos daquela noite. Tive a graça de poder ver a linda oração do Papa Francisco, as apresentações de música e teatro em que amei ter visto Luan Santana cantando a oração de São Francisco e a apresentação de uma cantora norte-americana em uma musica emocionante chamada "Jesus Christ, you are my life" que aprendi a cantar nessa JMJ. Mas, o ápice da primeira parte da vigília foi a exposição do Santíssimo, um momento em que todos na praia ficaram em silêncio e de joelhos enquanto o Papa cingia o corpo de Cristo com incenso e, assim como nós, rezava.
Coloquei diante de Deus as minhas orações. Tenho certeza que Ele as ouviu.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte III
O sofrido e abençoado primeiro contato com Papa Francisco
Caminhamos muito para chegar a Copacabana. Enfrentamos frio, chuva, sol, calor, fome e sede. Depois de 6 ou 7 horas nessas condições, o cansaço pesou e estava difícil continuar. Alguns de nós já não estavam bem; precisávamos parar.
Achamos uma única churrascaria em Botafogo, há uns 2 ou 3 quilômetros da praia. Não foi o melhor churrasco da minha vida e o preço não estava incluído no orçamento peregrino, mas foi bom parar e finalmente, depois de dois dias, comer comida de verdade.
A comida reanimou; confesso que também estava cansada e ansiosa para chegar logo. Me parecia que quanto mais caminhávamos mais distantes ficávamos de tudo: distantes da vida que deixamos em nossa cidade, distantes dos problemas que encontramos na hospedagem e distantes, até mesmo, do que considerávamos como um limite. Eu não conseguia parar e pensar que eu estava vivendo tudo aquilo. Era cada vez mais surreal.
Outro grande momento da peregrinação (para mim, o primeiro dos três eventos mais emocionantes) foi o que aconteceu nos túneis de acesso a Copacabana. Estávamos na reta final e só precisávamos atravessar três túneis pequenos e virar uma esquina que já estaríamos lá. Me repudiou a ideia de estar dentro de um túnel no Rio de Janeiro mas, perante o meu medo e cansaço, Deus me proporcionou um momento único. Encontramos um grupo de peregrinos catecúmenos dos Estados Unidos e outro grupo de catecúmenos da Argentina e eles puxavam um canto chamado "Cântico de Moisés", uma adaptação do canto que os hebreus cantaram logo após terem atravessado o Mar Vermelho. Só cantamos este cântico na páscoa para lembrar o sofrimento que os hebreus passaram e, mesmo assim, deram graças a Deus. O canto diz que "minha força e meu canto é o Senhor, Ele é meu salvador, é meu Deus, eu o celebrarei"; da mesma forma que Deus os libertou da escravidão do Egito, Ele, aos poucos, nos libertava das nossas escravidões diárias e mostrava a todo momento a sua bondade conosco, não deixando que nos faltasse nada e nos reservando momentos únicos.
Foi emocionante porque dentro de um túnel o som se abafa e engrandece, emocionante porque cantamos em três línguas que professavam uma só fé; o gigante tremia ao som de vozes que buscavam em Cristo suas forças. O som dos quatro atabaques deixava tudo mais arrepiante ainda e, acreditem, se tem barulho, tem catecúmeno! Enquanto andávamos ali, encontrei ânimo novo e coragem. Era preciso renovar as energias pois o melhor ainda estaria por vir.
Nos haviam dito que só poderíamos chegar em Copacabana até as 17 horas porque depois desse horário os voluntários começariam a fechar as ruas de acesso para preparar para a chegada do Papa Francisco. Saímos da churrascaria às 16:50; teríamos, literalmente, que correr contra o relógio. Imagine a agonia de um grupo que caminhou um dia inteiro em busca de um objetivo e que este corria o risco de não ser realizado; nós entraríamos naquela praia a todo e qualquer custo, furaríamos qualquer bloqueio e chegaríamos o mais perto possível. Para nós, ali, não existia a possibilidade de não dar certo.
Deus, mais uma vez, mostrou sua infinita misericórdia e bondade. Conseguimos que um grupo de voluntário nos deixasse furar a segurança na segunda rua de acesso. Além de termos conseguido, estaríamos relativamente perto do palco. A praia estava completamente tomada por jovens peregrinos, em todas as direções, de todas as nacionalidades. Era realmente lindo presenciar aquilo.
Nos infiltramos no meio do povo até que conseguimos um lugar perfeito. Deus providenciou tudo aquilo à nós! Estávamos à cerca de meio metro da grade e naquele dia não havia seguranças e cordão de isolamento. O Papa estaria a, no máximo, um metro de mim. Inacreditável. Era 18:10 quando nos fixamos naquele lugar. O Papa viria às 19.
Foram 50 minutos de muita expectativa e oração. Eu esperei tanto por aquilo. Aliás, não somente eu mas 4 milhões de jovens aguardavam ansiosamente por aquele momento. Eis que Francisco veio: simples, sem milhares de seguranças, sorridente e quase saindo do papa móvel para abençoar a cada um de nós que estavam ali.
Foi naquele rápido momento em que o Papa, a figura de Jesus Cristo, esteve na minha frente e fez o sinal da cruz, me senti amada e abençoada; coloquei toda a minha vida nas mãos daquele homem, eu sabia que ele estava abençoando toda a minha vida e todas as orações que estavam guardadas em meu coração. Nós, ali, espremidos nas grades, gritávamos, em coro: "esta é a juventude do Papa". Sem medo, sem vergonha, em qualquer língua, emocionados, agitados, felizes.
Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a Sua palavra.
Somos parte da maioria.
Caminhamos muito para chegar a Copacabana. Enfrentamos frio, chuva, sol, calor, fome e sede. Depois de 6 ou 7 horas nessas condições, o cansaço pesou e estava difícil continuar. Alguns de nós já não estavam bem; precisávamos parar.
Achamos uma única churrascaria em Botafogo, há uns 2 ou 3 quilômetros da praia. Não foi o melhor churrasco da minha vida e o preço não estava incluído no orçamento peregrino, mas foi bom parar e finalmente, depois de dois dias, comer comida de verdade.
A comida reanimou; confesso que também estava cansada e ansiosa para chegar logo. Me parecia que quanto mais caminhávamos mais distantes ficávamos de tudo: distantes da vida que deixamos em nossa cidade, distantes dos problemas que encontramos na hospedagem e distantes, até mesmo, do que considerávamos como um limite. Eu não conseguia parar e pensar que eu estava vivendo tudo aquilo. Era cada vez mais surreal.
Outro grande momento da peregrinação (para mim, o primeiro dos três eventos mais emocionantes) foi o que aconteceu nos túneis de acesso a Copacabana. Estávamos na reta final e só precisávamos atravessar três túneis pequenos e virar uma esquina que já estaríamos lá. Me repudiou a ideia de estar dentro de um túnel no Rio de Janeiro mas, perante o meu medo e cansaço, Deus me proporcionou um momento único. Encontramos um grupo de peregrinos catecúmenos dos Estados Unidos e outro grupo de catecúmenos da Argentina e eles puxavam um canto chamado "Cântico de Moisés", uma adaptação do canto que os hebreus cantaram logo após terem atravessado o Mar Vermelho. Só cantamos este cântico na páscoa para lembrar o sofrimento que os hebreus passaram e, mesmo assim, deram graças a Deus. O canto diz que "minha força e meu canto é o Senhor, Ele é meu salvador, é meu Deus, eu o celebrarei"; da mesma forma que Deus os libertou da escravidão do Egito, Ele, aos poucos, nos libertava das nossas escravidões diárias e mostrava a todo momento a sua bondade conosco, não deixando que nos faltasse nada e nos reservando momentos únicos.
Foi emocionante porque dentro de um túnel o som se abafa e engrandece, emocionante porque cantamos em três línguas que professavam uma só fé; o gigante tremia ao som de vozes que buscavam em Cristo suas forças. O som dos quatro atabaques deixava tudo mais arrepiante ainda e, acreditem, se tem barulho, tem catecúmeno! Enquanto andávamos ali, encontrei ânimo novo e coragem. Era preciso renovar as energias pois o melhor ainda estaria por vir.
Nos haviam dito que só poderíamos chegar em Copacabana até as 17 horas porque depois desse horário os voluntários começariam a fechar as ruas de acesso para preparar para a chegada do Papa Francisco. Saímos da churrascaria às 16:50; teríamos, literalmente, que correr contra o relógio. Imagine a agonia de um grupo que caminhou um dia inteiro em busca de um objetivo e que este corria o risco de não ser realizado; nós entraríamos naquela praia a todo e qualquer custo, furaríamos qualquer bloqueio e chegaríamos o mais perto possível. Para nós, ali, não existia a possibilidade de não dar certo.
Deus, mais uma vez, mostrou sua infinita misericórdia e bondade. Conseguimos que um grupo de voluntário nos deixasse furar a segurança na segunda rua de acesso. Além de termos conseguido, estaríamos relativamente perto do palco. A praia estava completamente tomada por jovens peregrinos, em todas as direções, de todas as nacionalidades. Era realmente lindo presenciar aquilo.
Nos infiltramos no meio do povo até que conseguimos um lugar perfeito. Deus providenciou tudo aquilo à nós! Estávamos à cerca de meio metro da grade e naquele dia não havia seguranças e cordão de isolamento. O Papa estaria a, no máximo, um metro de mim. Inacreditável. Era 18:10 quando nos fixamos naquele lugar. O Papa viria às 19.
Foram 50 minutos de muita expectativa e oração. Eu esperei tanto por aquilo. Aliás, não somente eu mas 4 milhões de jovens aguardavam ansiosamente por aquele momento. Eis que Francisco veio: simples, sem milhares de seguranças, sorridente e quase saindo do papa móvel para abençoar a cada um de nós que estavam ali.
Foi naquele rápido momento em que o Papa, a figura de Jesus Cristo, esteve na minha frente e fez o sinal da cruz, me senti amada e abençoada; coloquei toda a minha vida nas mãos daquele homem, eu sabia que ele estava abençoando toda a minha vida e todas as orações que estavam guardadas em meu coração. Nós, ali, espremidos nas grades, gritávamos, em coro: "esta é a juventude do Papa". Sem medo, sem vergonha, em qualquer língua, emocionados, agitados, felizes.
Eis-me aqui, faça-se em mim segundo a Sua palavra.
Somos parte da maioria.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte II
As provações.
Não conseguimos ir para Copacabana na Via Sacra na sexta, estávamos muito longe e completamente perdidos no tempo e no espaço. Depois de alojados e jantados, foi a hora do banho. Já era noite e o sol que tínhamos pegado durante o dia já tinha ido embora. No alojamento não tínhamos muitos banheiro e estávamos em muitas pessoas. A nossa sorte e agonia foi ter conhecido um voluntário muito gentil que conseguiu convencer o padre da paróquia a nos deixar usar o banheiro da casa paroquial. Fiquei super feliz por não termos que encarar a fila e os banheiros já bem usado do alojamento. Minha felicidade culminou em banho gelado.
Após uma noite de viagem e um dia tenso não foi difícil dormir naquela noite. Dormir no saco de dormir não é algo agradável, não é confortável e não faz bem para a coluna. Eu nem me importei com isso; dei graças a Deus por ter um lugar para estendê-lo e agradeci infinitamente à minha mãe por me ter feito levar um cobertor de casal.
A noite, afinal, terminou bem e quando o sol raiou eu senti que aquele seria o dia! Era sábado, o dia de finalmente ver o Papa Francisco!! Era o dia que começaria a vigília e eu estava feliz por isso. Pegamos outro kit, rezamos laudes no fundo na Igreja e exatamente às 9 da manhã partimos em direção à Copacabana. E nesse "partir" foi que realmente caiu a minha ficha que eu estava no Rio de Janeiro! Ficamos cerca de uma hora esperando um dos -apenas- três ônibus da linha peregrino que não estivesse extremamente lotado! E nesse meio tempo, cansados de esperar, a nossa turma se dividiu em grupos para tentar outras formas de transporte. Depois e uma hora, conseguimos que um ônibus parasse, lotado, mas entramos. Demoramos 40 minutos até a Central, onde supostamente pegaríamos um metrô. Quando chegamos o metrô já havia parado; teríamos que caminhar até Copacabana. Eu não tinha noção do quão longe era.
A questão dos transportes foi uma completa falta de respeito ao peregrino. Só podíamos pegar a linha peregrina, que contavam apenas com 3 ônibus que passavam espaçadamente e lotados. As vans de transporte interno do Rio, dessas que mostram nas novelas, era um meio rápido (apesar de caro!) de transporte pois sempre vinham vazias mas, infelizmente, o governo do Rio proibiu essas vans de circular próxima aos locais frequentados por peregrinos. Os metrôs eram menos caóticos e mais organizados, porém funcionavam até um certo tempo, até a lotação ou até o meio dia, quando nossos cartões de transporte não passavam mais. Isso sem falar que quando conseguíamos ter a graça de conseguir pegar um ônibus ou metrô eles já estavam cheios. Não sei como um ônibus conseguia transportar cerca de 150 pessoas em uma única viagem!
As ruas do Rio estavam tomadas de peregrinos. Às vezes chovia, outras aparecia o Sol; a caminhada foi longa, teve clima para todos os gostos. Caminhamos cantando, dançando, fazendo amizades. Às vezes com frio, com calor, com fome, cansados. À todo canto da cidade maravilhosa proclamava-se que Cristo é o Senhor da vida de milhões e milhões de jovens. E mais, proclamava-se em todos os idiomas, de todos os movimentos, de várias religiões. O meu cansaço não me dominou justamente por isso: eu não estava sozinha. Dentro de mim e de todos que estavam ali sofrendo com os 17 quilômetros, havia a certeza de que tudo ia valer à pena e a alegria que sentíamos era muito maior do quer tudo o que ainda pudesse acontecer.
Não conseguimos ir para Copacabana na Via Sacra na sexta, estávamos muito longe e completamente perdidos no tempo e no espaço. Depois de alojados e jantados, foi a hora do banho. Já era noite e o sol que tínhamos pegado durante o dia já tinha ido embora. No alojamento não tínhamos muitos banheiro e estávamos em muitas pessoas. A nossa sorte e agonia foi ter conhecido um voluntário muito gentil que conseguiu convencer o padre da paróquia a nos deixar usar o banheiro da casa paroquial. Fiquei super feliz por não termos que encarar a fila e os banheiros já bem usado do alojamento. Minha felicidade culminou em banho gelado.
Após uma noite de viagem e um dia tenso não foi difícil dormir naquela noite. Dormir no saco de dormir não é algo agradável, não é confortável e não faz bem para a coluna. Eu nem me importei com isso; dei graças a Deus por ter um lugar para estendê-lo e agradeci infinitamente à minha mãe por me ter feito levar um cobertor de casal.
A noite, afinal, terminou bem e quando o sol raiou eu senti que aquele seria o dia! Era sábado, o dia de finalmente ver o Papa Francisco!! Era o dia que começaria a vigília e eu estava feliz por isso. Pegamos outro kit, rezamos laudes no fundo na Igreja e exatamente às 9 da manhã partimos em direção à Copacabana. E nesse "partir" foi que realmente caiu a minha ficha que eu estava no Rio de Janeiro! Ficamos cerca de uma hora esperando um dos -apenas- três ônibus da linha peregrino que não estivesse extremamente lotado! E nesse meio tempo, cansados de esperar, a nossa turma se dividiu em grupos para tentar outras formas de transporte. Depois e uma hora, conseguimos que um ônibus parasse, lotado, mas entramos. Demoramos 40 minutos até a Central, onde supostamente pegaríamos um metrô. Quando chegamos o metrô já havia parado; teríamos que caminhar até Copacabana. Eu não tinha noção do quão longe era.
A questão dos transportes foi uma completa falta de respeito ao peregrino. Só podíamos pegar a linha peregrina, que contavam apenas com 3 ônibus que passavam espaçadamente e lotados. As vans de transporte interno do Rio, dessas que mostram nas novelas, era um meio rápido (apesar de caro!) de transporte pois sempre vinham vazias mas, infelizmente, o governo do Rio proibiu essas vans de circular próxima aos locais frequentados por peregrinos. Os metrôs eram menos caóticos e mais organizados, porém funcionavam até um certo tempo, até a lotação ou até o meio dia, quando nossos cartões de transporte não passavam mais. Isso sem falar que quando conseguíamos ter a graça de conseguir pegar um ônibus ou metrô eles já estavam cheios. Não sei como um ônibus conseguia transportar cerca de 150 pessoas em uma única viagem!
As ruas do Rio estavam tomadas de peregrinos. Às vezes chovia, outras aparecia o Sol; a caminhada foi longa, teve clima para todos os gostos. Caminhamos cantando, dançando, fazendo amizades. Às vezes com frio, com calor, com fome, cansados. À todo canto da cidade maravilhosa proclamava-se que Cristo é o Senhor da vida de milhões e milhões de jovens. E mais, proclamava-se em todos os idiomas, de todos os movimentos, de várias religiões. O meu cansaço não me dominou justamente por isso: eu não estava sozinha. Dentro de mim e de todos que estavam ali sofrendo com os 17 quilômetros, havia a certeza de que tudo ia valer à pena e a alegria que sentíamos era muito maior do quer tudo o que ainda pudesse acontecer.
sábado, 3 de agosto de 2013
Diário de expedição: Jornada Mundial da Juventude - parte I
A Jornada Mundial da Juventude terminou oficialmente amanhã pra mim. Amanhã, sim, pois me despedirei da última turma de italianos que passará por minha cidade. Da 'Semana Missionária' até hoje, foram exatamente três semanas inteiramente dedicadas à Jornada. A preparação, conforme já dito muito neste blog, foi verdadeiramente de corpo e alma. A Jornada, em si, uma série de sofrimentos seguidos por doces alegrias. A acolhida dos chilenos, espanhóis e italianos foi realmente Cristo passando por essa cidade.
Quantos momentos únicos essa JMJ me proporcionou! Quantas revelações, quantas alegrias! É preciso registrar tudo, cada detalhe, descrever tudo pois quero me lembrar dessas 3 semanas com muita precisão. Farei uma série de textos contando a minha experiência na JMJ. Lá vai..
Os primeiros choques.
Era um começo de noite de sexta feira quando partimos para o Rio de Janeiro. Estava muito frio e o céu nublado. A mala, pequena, só levava itens de extrema necessidade; não podíamos nos dar ao luxo de levar metade do guarda-roupa, nem as melhores coisas que temos. O espírito de peregrinação começou aqui, foi difícil ver o tempo esfriando cada vez mais e eu com duas blusas de frio na mala.
Na saída, como de praxe, recebemos um benção no meio da rua de nossa Paróquia Santuário de São Roque, pedindo que o senhor acompanhasse a nossa viagem. O que foi fora do costume foi a carreata que nossos pais e amigos que aqui ficaram fizeram à nós! Percorreram todo o trajeto até a saída da cidade com as luzes ligadas e com as buzinas funcionando.A carreata foi a primeira emoção da viagem. Eu sentia que cada vez que as buzinas tocavam era o toque de apoio, saudade e desejo de estar junto que os nossos irmãos rio-pardenses mandavam. Obrigada por todo o apoio que nos deram, por todas as pizzas e rifas que compraram e venderam para que nós pudéssemos juntar dinheiro para ir! Todos estiveram em nossos pensamentos o tempo todo.
A viagem de 10 horas foi turbulenta. O ônibus era como uma sanfona, me estômago reclamava e a estrada nunca tinha fim. Foi difícil dormir essa noite.
Chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 6 da manhã com o sol nascendo. Ver a cidade maravilhosa acordando foi lindo. O sol nascia numa mistura de amarelo com rosa tão linda, nunca tinha visto coisa igual! Por sorte, nosso motorista se perdeu e fomos parar no centro do Rio de Janeiro!! Graças à isso, conseguimos ver e fotografar as belas paisagens do Rio ao nascer do Sol! Inesquecível, incrível, único!
Ficamos duas horas perdidos no Rio de Janeiro até chegarmos na Ilha do Governador, nosso local de catequese e hospedagem. A "Ilha" nos reservou grandes surpresas, boas e ruins, e, para completar, a vista era da ponte Rio-Niterói com seus 17 quilômetros de garbo e elegância!
Descemos cantando, o espírito era de peregrinação. Foi nesse momento que tivemos o primeiro contato com o "Kit Peregrino". Os lanches do kit eram muito bons! (à exceção da salada de atum em conserva e da batata de saquinho da vigilia que me proporcionaram a pior azia de todos os tempos). O único problema da comida foi comer torrada com polenginho + barrinha de cereal todos os dias.Nesta manhã ainda tivemos catequese com um bispo do Alasca seguida de eucaristia.
Depois da eucaristia, o pesadelo começou. Na hora de chamar as pessoas para serem acolhidas nas casas nosso nome não estava em nenhuma lista e não permitiam que ficássemos alojados no salão da Paróquia "São José Operário". Não tivemos almoço e o dilema perdurou até as 4 horas da tarde quando colocamos as malas dentro do salão contra a vontade da organização.
O salão era pequeno e não estava nas melhores condições de limpeza. Não tinham banheiros, estrutura e sala para acomodar todos os peregrinos que tiveram que ficaram alojados. Tentavam a todo custo nos tirar dali com mil e uma desculpas. Não aceitamos e o preço a pagar doeu.
Quantos momentos únicos essa JMJ me proporcionou! Quantas revelações, quantas alegrias! É preciso registrar tudo, cada detalhe, descrever tudo pois quero me lembrar dessas 3 semanas com muita precisão. Farei uma série de textos contando a minha experiência na JMJ. Lá vai..
Os primeiros choques.
Era um começo de noite de sexta feira quando partimos para o Rio de Janeiro. Estava muito frio e o céu nublado. A mala, pequena, só levava itens de extrema necessidade; não podíamos nos dar ao luxo de levar metade do guarda-roupa, nem as melhores coisas que temos. O espírito de peregrinação começou aqui, foi difícil ver o tempo esfriando cada vez mais e eu com duas blusas de frio na mala.
Na saída, como de praxe, recebemos um benção no meio da rua de nossa Paróquia Santuário de São Roque, pedindo que o senhor acompanhasse a nossa viagem. O que foi fora do costume foi a carreata que nossos pais e amigos que aqui ficaram fizeram à nós! Percorreram todo o trajeto até a saída da cidade com as luzes ligadas e com as buzinas funcionando.A carreata foi a primeira emoção da viagem. Eu sentia que cada vez que as buzinas tocavam era o toque de apoio, saudade e desejo de estar junto que os nossos irmãos rio-pardenses mandavam. Obrigada por todo o apoio que nos deram, por todas as pizzas e rifas que compraram e venderam para que nós pudéssemos juntar dinheiro para ir! Todos estiveram em nossos pensamentos o tempo todo.
A viagem de 10 horas foi turbulenta. O ônibus era como uma sanfona, me estômago reclamava e a estrada nunca tinha fim. Foi difícil dormir essa noite.
Chegamos ao Rio de Janeiro por volta das 6 da manhã com o sol nascendo. Ver a cidade maravilhosa acordando foi lindo. O sol nascia numa mistura de amarelo com rosa tão linda, nunca tinha visto coisa igual! Por sorte, nosso motorista se perdeu e fomos parar no centro do Rio de Janeiro!! Graças à isso, conseguimos ver e fotografar as belas paisagens do Rio ao nascer do Sol! Inesquecível, incrível, único!
Ficamos duas horas perdidos no Rio de Janeiro até chegarmos na Ilha do Governador, nosso local de catequese e hospedagem. A "Ilha" nos reservou grandes surpresas, boas e ruins, e, para completar, a vista era da ponte Rio-Niterói com seus 17 quilômetros de garbo e elegância!
Descemos cantando, o espírito era de peregrinação. Foi nesse momento que tivemos o primeiro contato com o "Kit Peregrino". Os lanches do kit eram muito bons! (à exceção da salada de atum em conserva e da batata de saquinho da vigilia que me proporcionaram a pior azia de todos os tempos). O único problema da comida foi comer torrada com polenginho + barrinha de cereal todos os dias.Nesta manhã ainda tivemos catequese com um bispo do Alasca seguida de eucaristia.
Depois da eucaristia, o pesadelo começou. Na hora de chamar as pessoas para serem acolhidas nas casas nosso nome não estava em nenhuma lista e não permitiam que ficássemos alojados no salão da Paróquia "São José Operário". Não tivemos almoço e o dilema perdurou até as 4 horas da tarde quando colocamos as malas dentro do salão contra a vontade da organização.
O salão era pequeno e não estava nas melhores condições de limpeza. Não tinham banheiros, estrutura e sala para acomodar todos os peregrinos que tiveram que ficaram alojados. Tentavam a todo custo nos tirar dali com mil e uma desculpas. Não aceitamos e o preço a pagar doeu.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Às portas da JMJ
O tema parece infinito e o coração de quem vos escreve aqui está transbordando. Estou cheia de palavras, emoções, ansiedade e medos para esta Jornada Mundial da Juventude que se aproxima. Falta, agora, exatamente uma semana. Dentro de mais sete longos dias estarei em solo carioca onde eu e mais milhões de jovens do mundo todo estaremos reunidos pelo mesmo motivo: Jesus Cristo.
Vou pois estou sedenta disso: ouvir o que Deus tem à me dizer; Ele diz através de outras pessoas, de cantos, de leituras e dos momentos de sacrifício. Uma vez ouvi de um dos meus catequistas preferidos que "Deus é acontecimento", ou seja, Deus se manifesta nas nossas vidas através do que que acontece; nos momentos difíceis é Ele quem nos dá força para poder suportar e nos momentos alegres nos dá a certeza de que só estamos felizes porque confiamos na sua palavra.
Nessa JMJ não faltarão acontecimentos. Passar fome, sede, calor, frio, enfrentar horas de caminhada, chuva, sono, dor de todos os tipos e no final receber a palavra de que tanto procurávamos. Isto é ser peregrino. A farra que fazemos é fruto disto.
A alegria em Cristo não é passageira! Estou sedenta por ouvir minha palavra de consolo, ânimo e coragem. Estou sedenta por conhecer meus irmãos de fé, estrangeiros e brasileiros, filhos da mesma fé, que entoam o mesmo cântico, em qualquer língua.
Deus abre, também, o meu coração nesta JMJ. Já sinto os ares dela pairando na minha cidade e, sobretudo, na minha vida. A revolução começou e o meu coração se enche de uma esperança que nunca tive. É tempo de viver. Chegou a hora. Quero estar lá. Estou com o coração e com a mente prontos. Pode vir, JMJ, há um coração esperando ansiosamente por ti.
O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria. Papa Bento XVI
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"porque minha força e o meu canto é o Senhor, ele é meu salvador!"
"porque minha força e o meu canto é o Senhor, ele é meu salvador!"
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Eu sou a maré viva.
Há momentos em que os astros se alinham e o resultado disso são as chamadas "marés vivas", que aumentam a atividade dos peixes e o volume das ondas. São os melhores dias para pescar e os piores para os banhistas. O mar fica agitado e alto, com ondas abundantes e impacientes, querendo arrastar tudo o que vê pela frente.
Quando a maré está assim, os guarda-vidas colocam várias daquelas plaquinhas de "perigo, não nada aqui" e ficam o dia inteiro chamando a atenção dos banhistas e apitando para que nenhum incidente grave aconteça.
Mas, se você for astuto, nenhuma plaquinha ou nenhum guarda-vida sarado vai te impedir de nadar contra a corrente. A escolha final é sempre sua mas saiba de antemão que se algo grave acontecer a culpa é inteiramente sua. O risco de afogamento e os índices deste são grandes. Não adianta saber nadar pois a maré é mais forte que você e lá, no meio do mar, não vai ter ninguém para te salvar.
Não se pode prever a quantidade de peixes que esta maré trará, tão pouco a força de suas ondas. Não há aparelhos capazes de medir e não dá para perceber com precisão quando elas vão chegar. É um tiro no escuro. Colocar seu barco ou nadar ao encontro da maré depende do quanto você é capaz de aguentar tudo de bom ou de ruim que te pode acontecer. Não há um manual pronto para te dizer o que fazer a cada instante; é um completo improviso, sem direito à ensaios.
Eu sou a maré viva e se você entrar, vai se afogar. Pense bem, posso te arrastar para o mais profundo de mim e se isso acontecer não poderá mais voltar a superfície. Eu sou a maré decisiva, posso te salvar ou te colocar em apuros. Ser pescador ou nadar contra a corrente depende de você; saiba previamente dos riscos, não diga que eu não avisei.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Síndrome de Maria Capitolina.
Quando a maré está assim, os guarda-vidas colocam várias daquelas plaquinhas de "perigo, não nada aqui" e ficam o dia inteiro chamando a atenção dos banhistas e apitando para que nenhum incidente grave aconteça.
Mas, se você for astuto, nenhuma plaquinha ou nenhum guarda-vida sarado vai te impedir de nadar contra a corrente. A escolha final é sempre sua mas saiba de antemão que se algo grave acontecer a culpa é inteiramente sua. O risco de afogamento e os índices deste são grandes. Não adianta saber nadar pois a maré é mais forte que você e lá, no meio do mar, não vai ter ninguém para te salvar.
Não se pode prever a quantidade de peixes que esta maré trará, tão pouco a força de suas ondas. Não há aparelhos capazes de medir e não dá para perceber com precisão quando elas vão chegar. É um tiro no escuro. Colocar seu barco ou nadar ao encontro da maré depende do quanto você é capaz de aguentar tudo de bom ou de ruim que te pode acontecer. Não há um manual pronto para te dizer o que fazer a cada instante; é um completo improviso, sem direito à ensaios.
Eu sou a maré viva e se você entrar, vai se afogar. Pense bem, posso te arrastar para o mais profundo de mim e se isso acontecer não poderá mais voltar a superfície. Eu sou a maré decisiva, posso te salvar ou te colocar em apuros. Ser pescador ou nadar contra a corrente depende de você; saiba previamente dos riscos, não diga que eu não avisei.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Síndrome de Maria Capitolina.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Automedicação
Uma das coisas de que eu mais gosto de fazer é assistir seriados de medicina, especialmente Grey's Anatomy; é a minha diversão. Mas, na vida real, detesto em ir médicos. Não gosto da coisa de ter que ficar o dia inteiro no consultório esperando a hora em que o médico poderá atender; as revistas da sala de espera sempre são velhas e isso me agonia pois tenho a sensação de estar revivendo todos os meus erros na sala de espera para depois confessá-los lá dentro. Ir em otorrinolaringologista é a morte para mim, tenho trauma de infância. Odeio exames, tenho medo de agulhas e não gosto da escuridão dos corredores do - único - hospital desta cidade. Ir em médicos ou hospital, para mim, é coisa rara.
Quando estou doente me automedico sem medo. Se é gripe/laringite/dor de cabeça já tenho a minha coleção própria de medicamentos. Afinal de contas, não há nada que um dorflex não resolva! Se nada disso der certo, tem a farmácia do centro da cidade, sempre dão remédios certeiros; são quase santos tamanhos são os milagres que já fizeram em mim. Quando a situação piora consulto o Google, sempre me fornecendo santos remédios, inclusive receitas caseiras realmente muito boas. Não há nada que o Google não cure.
Conselhos como "vá ao médico", "faça exames", "tome o antibiótico na hora certa" nunca funcionam para mim. Sou desatenta e cabeça dura. Tenho necessidade de fazer tudo do meu jeito, eu faço a regra. Preciso chegar ao meu limite para encarar o problema de frente e marcar uma consulta. Não sei prevenir; sempre espero a doença chegar arrebatadora para querer resolvê-la.
O único problema de tomar sempre os mesmos remédios é que eles vão perdendo o efeito graduadamente e você vai precisar de doses cada vez mais forte deles.Quando isso acontece, me sinto uma usurpadora inconsequente, que não cumpriu a prescrição e agora precisa apelar para a solução final: ir ao médico. Me sinto deteriorada, tenho que admitir que errei e mais um remédio não poderei usar.
Doutor, hoje abro mão dos meus costumes, quero uma consulta com urgência pois a doença está grave e o remédio não faz mais efeito. Não prometo voltar daqui a três meses e não sei se farei o tratamento correto. Marque uma consulta, esperarei o dia inteiro se preciso. Preciso que descubras o quanto a doença evoluiu e se ainda é possível tratá-la ou curá-la; desta vez não tenho medo do diagnóstico. Apenas prometo que irei me esforçar.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Grey's Anatomy está de férias e só volta em Setembro. Estou com saudade; aguentem, então, as metáforas até lá.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Dias Ensolarados de Inverno.
Os dias aqui, nas margens do Rio Pardo, estão cada mais mais bonitos. Me encanta a beleza de um dia ensolarado, de céu sem nuvens, límpido e azul, e coroado com um belo por do sol ao fim do dia. Sou amante de dias assim pois vejo neles a alegria e o despertar de uma vida que pode ser tão linda quanto esses dias ensolarados.
Encanta-me, justamente, por agora ser época de inverno. Esperava por dias cinzentos e frios que trariam associados a melancolia e o fechar-se em casa, mas, este inverno está me surpreendendo a cada dia. A brisa é suave e refresca aquele verão extremamente quente de Janeiro; traz, junto consigo, as respostas que eu outrora esperava e a alegria da preparação para a Jornada Mundial da Juventude.
Esses dias de Sol de inverno aquecem o meu coração e me dão ânimo novo, me libertando do calor e da combustão constante do verão. Quando abro minha janela de manhã e vejo o dia lindo que me espera sinto vontade de ser melhor, de fazer tudo o que eu posso para ser melhor. Quando vejo dias assim, esqueço-me que no próximo verão enfrentarei a maratona de vestibulares, esqueço-me das tristezas que afligem o meu coração e das dúvidas que pairavam envolta de mim.
Me lembro que há tempos já remotos estive em lugares lindos coroados com dias como esses que tenho vivido aqui no meu sertão paulista; é claro que sinto saudade e vontade de voltar àqueles dias, àquelas viagens; espero que um dia isso seja possívels.
É tempo de preparação. De alegrar-se. É vida nova que emana pelo ar, que chega docemente como este inverno ensolarado. Cabe a cada um de nós captar estes bons ares, aproveitar cada instante dessa alegria que está cada vez mais presente em tudo, em cada lampejo de sol que brilha aqui dentro e lá fora. Deixemos as preocupações para os dias cinzas pois em dias como estes não é permitido nenhum tipo de tristeza ou aborrecimento. É tempo de sair e viver, pois os dias melhores chegaram.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Não basta sentir a chegada dos dias lindos. É necessário proclamar: "Os dias ficaram lindos". Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Em pleno carnaval.
Fantasias, cores, pessoas alegres, todo mundo na rua. É festa. A cidade coloriu-se de todas as cores, o sol brilha mais forte e a chuva dá uma trégua para não estragar os planos dos foliões. Não há tristeza, não há luto. O Brasil parou para contemplar a festa que nos caracteriza lá fora. Somos, por essência, foliões em dias de carnaval. Gostamos, por definição do que é ser brasileiro, de sentir as emoções à flor da pela, de agito e comemorações.
Hoje é carnaval fora de época aqui dentro. Resolvi, como todo bom brasileiro, quebrar as regras do calendário de vez em quando. Já escolhi minha fantasia e preparei a maquiagem; estou esperando a hora da festa começar. Está tudo pronto. A noite está linda; acenderam todos os postes e no centro da cidade há luzes coloridas, indicando que a noite, hoje, não permite tristeza e não tem hora para acabar.
O coração está aceso, em sintonia e com sede de festa. Quero esquecer de tudo, deixar os problemas, o vestibular e as contas da viagem para depois. Não quero uma super produção; vou deixar o Louboutin guardado dentro da caixa pois hoje nem dor no pé é permitido!
As músicas são agitadas e, que me perdoe a minha banda preferida, deixamos as músicas tristes para amanhã quando bater o arrependimento; hoje quero tudo que não faça sentido e que é proibido. Me desçam uma dose de axé com sertanejo no capricho, quero que seja tipicamente um carnaval.
A cidade é pequena, minúscula, todo mundo é meio parente. Hoje todos estarão lá, escondidos em algum canto ou procurando ser vistos. Há vantagens e desvantagens nisso, mas hoje, sinceramente, não me importo. Sei que haverá apenas uma pessoa em quem meus olhos pousarão, apenas uma pessoa a quem tudo foi pensado e planejado.
Vinícius de Morais disse que o amor é fantasia. Então, meu bem, a noite de carnaval é nossa.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Nunca gostei muito de carnaval até hoje.
Hoje é carnaval fora de época aqui dentro. Resolvi, como todo bom brasileiro, quebrar as regras do calendário de vez em quando. Já escolhi minha fantasia e preparei a maquiagem; estou esperando a hora da festa começar. Está tudo pronto. A noite está linda; acenderam todos os postes e no centro da cidade há luzes coloridas, indicando que a noite, hoje, não permite tristeza e não tem hora para acabar.
O coração está aceso, em sintonia e com sede de festa. Quero esquecer de tudo, deixar os problemas, o vestibular e as contas da viagem para depois. Não quero uma super produção; vou deixar o Louboutin guardado dentro da caixa pois hoje nem dor no pé é permitido!
As músicas são agitadas e, que me perdoe a minha banda preferida, deixamos as músicas tristes para amanhã quando bater o arrependimento; hoje quero tudo que não faça sentido e que é proibido. Me desçam uma dose de axé com sertanejo no capricho, quero que seja tipicamente um carnaval.
A cidade é pequena, minúscula, todo mundo é meio parente. Hoje todos estarão lá, escondidos em algum canto ou procurando ser vistos. Há vantagens e desvantagens nisso, mas hoje, sinceramente, não me importo. Sei que haverá apenas uma pessoa em quem meus olhos pousarão, apenas uma pessoa a quem tudo foi pensado e planejado.
Vinícius de Morais disse que o amor é fantasia. Então, meu bem, a noite de carnaval é nossa.
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Nunca gostei muito de carnaval até hoje.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Em clima de Jornada Mundial da Juventude.
Finalmente chegamos no esperado mês da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que começa agora!
Foram, exatamente, um ano e meio de espera desde àquela noite quente de Janeiro na sala 5 do Centro Pastoral da Paróquia Santuário de São Roque em que assinamos uma pré-lista de interessados para a Jornada. A partir daquela noite tudo foi feito e pensado em prol da JMJ. Foram meses e meses de venda de pizzas e rifas de tudo o que vocês podem imaginar para juntarmos algum dinheiro para a esperada Jornada. O trabalho foi árduo; acordar no sábado às 7 da manhã, estando calor ou frio, para montar as pizzas, sair pela cidade vendendo rifas, dançar nas festas da Paróquia, pedir ajuda e doações dizendo que não era passeio, mas um encontro de milhões de jovens que iriam ao Rio de Janeiro ver o Papa. Foram um ano e meio de privações, de economia e de muito planejamento para essa Jornada.
É inacreditável que tenha, finalmente, chegado a hora. Parafraseando a minha banda favorita: "chegou a hora de ser maior que as muralhas". A muralha é gigante. Serão cerca de 10 horas de viagem de ônibus até o Rio de Janeiro. Fora isso, quando chegarmos lá ainda não sabemos bem para onde iremos, onde vamos dormir e o quê exatamente vai acontecer nas nossas vidas.
Eu vou em busca de tentar encontrar de novo a minha vocação, seja ela qual for, pois esse é, além de tudo, um "encontro pessoal com Cristo".Quero tentar entender as perguntas que ainda ficaram sem respostas no Encontro Vocacional de Brasília, ano passado, e ver se realmente estou seguindo o que Ele me pede. Quero rever todos os amigos catecúmenos que estão espalhados por todo esse Brasil, os de perto e os de muito longe, e, quem sabe, fazer novas e incríveis amizades que só esses encontros de jovens nos permitem. A saudade dos amigos é gigante! Nos vemos uma vez por ano ou a cada seis meses, mas é como se fóssemos verdadeiramente irmãos, pois comungamos dos mesmos interesses e dividimos os mesmos valores, "somos, pois, amigos pela fé" e isso distância e saudade nenhuma separam!
Vou, reconheço, com o coração na mão, como todas as vezes em que fui à Encontros Vocacionais. Tenho medo pois não sei exatamente o que vou encontrar e as minhas expectativas são muitas! Tenho medo de passar mal, de ter fome e sede e de me perder de todo mundo. Mas, também sei, que estando na presença de Deus nada de ruim irá acontecer, pois Ele abre os caminhos e mesmo em meio às dificuldades, que certamente virão, ele se fará misericordioso e maior que toda e qualquer muralha.
Estou ansiosa. Tenho amado tudo o que tenho lido sobre a JMJ e visto que há muitas e muitas pessoas como eu: ansiosas, com mil expectativas, com medo e felizes, por ter finalmente chegado o mês dedicado à Jornada. No Rio de Janeiro, no dia 28 de Julho de 2013, em Guaratiba, no Campus Fidei, nos reuniremos em milhões de jovens que cantão, com muito orgulho e emoção, à uma só voz: "esta é a juventude do Papa".
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Eis que venho reunir todas as nações / virão e verão a minha glória"
Foram, exatamente, um ano e meio de espera desde àquela noite quente de Janeiro na sala 5 do Centro Pastoral da Paróquia Santuário de São Roque em que assinamos uma pré-lista de interessados para a Jornada. A partir daquela noite tudo foi feito e pensado em prol da JMJ. Foram meses e meses de venda de pizzas e rifas de tudo o que vocês podem imaginar para juntarmos algum dinheiro para a esperada Jornada. O trabalho foi árduo; acordar no sábado às 7 da manhã, estando calor ou frio, para montar as pizzas, sair pela cidade vendendo rifas, dançar nas festas da Paróquia, pedir ajuda e doações dizendo que não era passeio, mas um encontro de milhões de jovens que iriam ao Rio de Janeiro ver o Papa. Foram um ano e meio de privações, de economia e de muito planejamento para essa Jornada.
É inacreditável que tenha, finalmente, chegado a hora. Parafraseando a minha banda favorita: "chegou a hora de ser maior que as muralhas". A muralha é gigante. Serão cerca de 10 horas de viagem de ônibus até o Rio de Janeiro. Fora isso, quando chegarmos lá ainda não sabemos bem para onde iremos, onde vamos dormir e o quê exatamente vai acontecer nas nossas vidas.
Eu vou em busca de tentar encontrar de novo a minha vocação, seja ela qual for, pois esse é, além de tudo, um "encontro pessoal com Cristo".Quero tentar entender as perguntas que ainda ficaram sem respostas no Encontro Vocacional de Brasília, ano passado, e ver se realmente estou seguindo o que Ele me pede. Quero rever todos os amigos catecúmenos que estão espalhados por todo esse Brasil, os de perto e os de muito longe, e, quem sabe, fazer novas e incríveis amizades que só esses encontros de jovens nos permitem. A saudade dos amigos é gigante! Nos vemos uma vez por ano ou a cada seis meses, mas é como se fóssemos verdadeiramente irmãos, pois comungamos dos mesmos interesses e dividimos os mesmos valores, "somos, pois, amigos pela fé" e isso distância e saudade nenhuma separam!
Vou, reconheço, com o coração na mão, como todas as vezes em que fui à Encontros Vocacionais. Tenho medo pois não sei exatamente o que vou encontrar e as minhas expectativas são muitas! Tenho medo de passar mal, de ter fome e sede e de me perder de todo mundo. Mas, também sei, que estando na presença de Deus nada de ruim irá acontecer, pois Ele abre os caminhos e mesmo em meio às dificuldades, que certamente virão, ele se fará misericordioso e maior que toda e qualquer muralha.
Estou ansiosa. Tenho amado tudo o que tenho lido sobre a JMJ e visto que há muitas e muitas pessoas como eu: ansiosas, com mil expectativas, com medo e felizes, por ter finalmente chegado o mês dedicado à Jornada. No Rio de Janeiro, no dia 28 de Julho de 2013, em Guaratiba, no Campus Fidei, nos reuniremos em milhões de jovens que cantão, com muito orgulho e emoção, à uma só voz: "esta é a juventude do Papa".
Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Eis que venho reunir todas as nações / virão e verão a minha glória"
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Dente do Siso
O famoso "dente do siso" corresponde ao "terceiro molar" da arcada dentária e, se você tiver muita sorte, terá um em cada canto da boca. Seu desenvolvimento acontece entre os 16 e 20 anos sendo, por isso, chamado popularmente de "dente do juízo".
Eu, 17 anos, encontro-me com os quatro sisos formados e enraizados, sendo que o de baixo, na esquerda, está em processo de rompimento. É muita sorte para uma pessoa só: ter os quatro sisos formados e eles resolverem nascer em meio à todo o caos dos vestibulares; como se eu já não tivesse problemas e dores o suficiente! Porém, não tem como escolher, não é algo que se possa determinar geneticamente ou que se possa escolher a hora em que irão nascer. Não há outra maneira além de se conformar mesmo.
Durante a minha adolescência, convivi com o trauma da possível cirurgia dos sisos antes mesmo de completarem sua formação. Eu, medrosa que sou, relutei ao máximo e dizia que não deixaria ninguém abrir a minha gengiva; fazia isso pois eu sabia que, apesar de evitar um problema no futuro, a dor e o trauma que a cirurgia me traria seria grande demais.
Hoje, os sisos estão formados e nascendo, e eu, que achei que só haveria dor na cirurgia, convivo com as dores do nascimento, que são bem chatas. É uma dor penetrante e a cada vez que mexo a boca é como se alguém colocasse pequenas agulhas pontiagudas na minha gengiva. Há dias que nem me lembro de que tenho o tal do terceiro molar absorvendo a minha gengiva - absorvendo, sim, pois o ato de romper é absorver a gengiva; há dias sem dor e outros torturantes.
Consultei meu dentista há alguns dias atrás pois queria que ele fizesse alguma coisa para amenizar a dor. Recebi, além de algumas cruéis espetadas na gengiva, um belo "agora você tem que esperar ele nascer". Em outras palavras, "bem feito, eu falei que era pra me deixar operar". Sinto uma pontinha de culpa por isso, confesso.
Contudo, a bem da verdade, tenho que dizer que a primeira vez que vi um cantinho de dente saindo de dentro da minha gengiva meu coração encheu-se de uma alegria muito grande, assim, do nada, sem motivo. Me deu uma tremedeira inexplicável e eu espalhei a novidade à todos os meus amigos, como se fosse a maior fofoca do século. Era só mais um dente.. não, não era só mais um dente, é "o" dente!! Foi o mais esperado e finalmente ele estava ali. Ele fez uma revolução em mim pois me mostrou em meio a muita dor e agonia o quanto era belo ver que eu, junto dele, eu estava crescendo e saindo do casulo.
O siso veio para me dizer que querendo ou não, na hora certa ou errada, cheguei a idade adulta e tenho que lidar com ela. Ele me mostra que não há como evitar totalmente as dores e traumas da vida mas há como tirar um bom proveito em todas as situações. Todo dia à noite, quando o olho no espelho antes de dormir, entreabre-se no meu rosto cansado um sorriso, pois sei que dias melhores estão vindo e hoje estou feliz por não tê-lo arrancado aos 14 anos, apesar da dor.
Quando ele terminar de nascer, se estiver em uma posição que não comprometa meus outros dentes, meu dentista disse que vou poder escolher entre arrancá-lo ou deixa-lo ali. Escolhi, desde já, que a menos que ele entorte novamente a minha arcada dentária e eu tenha que usar aparelho de novo, quero deixá-lo ali pois é uma parte de mim e toda vez que eu olhar para ele vou me lembrar que só há dor para nos mostrar o quão belo pode ser as pequenas coisas da vida. Aliás, isso é vida nascendo; é um bom motivo para festejar.
Eu, 17 anos, encontro-me com os quatro sisos formados e enraizados, sendo que o de baixo, na esquerda, está em processo de rompimento. É muita sorte para uma pessoa só: ter os quatro sisos formados e eles resolverem nascer em meio à todo o caos dos vestibulares; como se eu já não tivesse problemas e dores o suficiente! Porém, não tem como escolher, não é algo que se possa determinar geneticamente ou que se possa escolher a hora em que irão nascer. Não há outra maneira além de se conformar mesmo.
Durante a minha adolescência, convivi com o trauma da possível cirurgia dos sisos antes mesmo de completarem sua formação. Eu, medrosa que sou, relutei ao máximo e dizia que não deixaria ninguém abrir a minha gengiva; fazia isso pois eu sabia que, apesar de evitar um problema no futuro, a dor e o trauma que a cirurgia me traria seria grande demais.
Hoje, os sisos estão formados e nascendo, e eu, que achei que só haveria dor na cirurgia, convivo com as dores do nascimento, que são bem chatas. É uma dor penetrante e a cada vez que mexo a boca é como se alguém colocasse pequenas agulhas pontiagudas na minha gengiva. Há dias que nem me lembro de que tenho o tal do terceiro molar absorvendo a minha gengiva - absorvendo, sim, pois o ato de romper é absorver a gengiva; há dias sem dor e outros torturantes.
Consultei meu dentista há alguns dias atrás pois queria que ele fizesse alguma coisa para amenizar a dor. Recebi, além de algumas cruéis espetadas na gengiva, um belo "agora você tem que esperar ele nascer". Em outras palavras, "bem feito, eu falei que era pra me deixar operar". Sinto uma pontinha de culpa por isso, confesso.
Contudo, a bem da verdade, tenho que dizer que a primeira vez que vi um cantinho de dente saindo de dentro da minha gengiva meu coração encheu-se de uma alegria muito grande, assim, do nada, sem motivo. Me deu uma tremedeira inexplicável e eu espalhei a novidade à todos os meus amigos, como se fosse a maior fofoca do século. Era só mais um dente.. não, não era só mais um dente, é "o" dente!! Foi o mais esperado e finalmente ele estava ali. Ele fez uma revolução em mim pois me mostrou em meio a muita dor e agonia o quanto era belo ver que eu, junto dele, eu estava crescendo e saindo do casulo.
O siso veio para me dizer que querendo ou não, na hora certa ou errada, cheguei a idade adulta e tenho que lidar com ela. Ele me mostra que não há como evitar totalmente as dores e traumas da vida mas há como tirar um bom proveito em todas as situações. Todo dia à noite, quando o olho no espelho antes de dormir, entreabre-se no meu rosto cansado um sorriso, pois sei que dias melhores estão vindo e hoje estou feliz por não tê-lo arrancado aos 14 anos, apesar da dor.
Quando ele terminar de nascer, se estiver em uma posição que não comprometa meus outros dentes, meu dentista disse que vou poder escolher entre arrancá-lo ou deixa-lo ali. Escolhi, desde já, que a menos que ele entorte novamente a minha arcada dentária e eu tenha que usar aparelho de novo, quero deixá-lo ali pois é uma parte de mim e toda vez que eu olhar para ele vou me lembrar que só há dor para nos mostrar o quão belo pode ser as pequenas coisas da vida. Aliás, isso é vida nascendo; é um bom motivo para festejar.
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