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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Às portas da JMJ

O tema parece infinito e o coração de quem vos escreve aqui está transbordando. Estou cheia de palavras, emoções, ansiedade e medos para esta Jornada Mundial da Juventude que se aproxima. Falta, agora, exatamente uma semana. Dentro de mais sete longos dias estarei em solo carioca onde eu e mais milhões de jovens do mundo todo estaremos reunidos pelo mesmo motivo: Jesus Cristo.
Vou pois estou sedenta disso: ouvir o que Deus tem à me dizer; Ele diz através de outras pessoas, de cantos, de leituras e dos momentos de sacrifício. Uma vez ouvi de um dos meus catequistas preferidos que "Deus é acontecimento", ou seja, Deus se manifesta nas nossas vidas através do que que acontece; nos momentos difíceis é Ele quem nos dá força para poder suportar e nos momentos alegres nos dá a certeza de que só estamos felizes porque confiamos na sua palavra.
Nessa JMJ não faltarão acontecimentos. Passar fome, sede, calor, frio, enfrentar horas de caminhada, chuva, sono, dor de todos os tipos e no final receber a palavra de que tanto procurávamos. Isto é ser peregrino. A farra que fazemos é fruto disto. 
A alegria em Cristo não é passageira! Estou sedenta por ouvir minha palavra de consolo, ânimo e coragem. Estou sedenta por conhecer meus irmãos de fé, estrangeiros e brasileiros, filhos da mesma fé, que entoam o mesmo cântico, em qualquer língua.
Deus abre, também, o  meu coração nesta JMJ. Já sinto os ares dela pairando na minha cidade e, sobretudo, na minha vida. A revolução começou e o meu coração se enche de uma esperança que nunca tive. É tempo de viver. Chegou a hora. Quero estar lá. Estou com o coração e com a mente prontos. Pode vir, JMJ, há um coração esperando ansiosamente por ti.

O encontro com Jesus Cristo vos permitirá apreciar interiormente a alegria da sua presença viva e vivificante, para testemunhá-la depois no vosso ambiente. Quando encontramos Jesus e acolhemos o seu Evangelho, a vida muda e somos impelidos a comunicar aos outros a experiência própria. Papa Bento XVI

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"porque minha força e o meu canto é o Senhor, ele é meu salvador!"

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eu sou a maré viva.

Há momentos em que os astros se alinham e o resultado disso são as chamadas "marés vivas", que aumentam a atividade dos peixes e o volume das ondas. São os melhores dias para pescar e os piores para os banhistas. O mar fica agitado e alto, com ondas abundantes e impacientes, querendo arrastar tudo o que vê pela frente.
Quando a maré está assim, os guarda-vidas colocam várias daquelas plaquinhas de "perigo, não nada aqui" e ficam o dia inteiro chamando a atenção dos banhistas e apitando para que nenhum incidente grave aconteça.
Mas, se você for astuto, nenhuma plaquinha ou nenhum guarda-vida sarado vai te impedir de nadar contra a corrente. A escolha final é sempre sua mas saiba de antemão que se algo grave acontecer a culpa é inteiramente sua. O risco de afogamento e os índices deste são grandes. Não adianta saber nadar pois a maré é mais forte que você e lá, no meio do mar, não vai ter ninguém para te salvar.
Não se pode prever a quantidade de peixes que esta maré trará, tão pouco a força de suas ondas. Não há aparelhos capazes de medir e não dá para perceber com precisão quando elas vão chegar. É um tiro no escuro. Colocar seu barco ou nadar ao encontro da maré depende do quanto você é capaz de aguentar tudo de bom ou de ruim que te pode acontecer. Não há um manual pronto para te dizer o que fazer a cada instante; é um completo improviso, sem direito à ensaios.

Eu sou a maré viva e se você entrar, vai se afogar. Pense bem, posso te arrastar para o mais profundo de mim e se isso acontecer não poderá mais voltar a superfície. Eu sou a maré decisiva, posso te salvar ou te colocar em apuros. Ser pescador ou nadar contra a corrente depende de você; saiba previamente dos riscos, não diga que eu não avisei.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Síndrome de Maria Capitolina.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Automedicação

Uma das coisas de que eu mais gosto de fazer é assistir seriados de medicina, especialmente Grey's Anatomy; é a minha diversão. Mas, na vida real, detesto em ir médicos. Não gosto da coisa de ter que ficar o dia inteiro no consultório esperando a hora em que o médico poderá atender; as revistas da sala de espera sempre são velhas e isso me agonia pois tenho a sensação de estar revivendo todos os meus erros na sala de espera para depois confessá-los lá dentro. Ir em otorrinolaringologista é a morte para mim, tenho trauma de infância. Odeio exames, tenho medo de agulhas e não gosto da escuridão dos corredores do - único - hospital desta cidade. Ir em médicos ou hospital, para mim, é coisa rara.
Quando estou doente me automedico sem medo. Se é gripe/laringite/dor de cabeça já tenho a minha coleção própria de medicamentos. Afinal de contas, não há nada que um dorflex não resolva! Se nada disso der certo, tem a farmácia do centro da cidade, sempre dão remédios certeiros; são quase santos tamanhos são os milagres que já fizeram em mim. Quando a situação piora consulto o Google, sempre me fornecendo santos remédios, inclusive receitas caseiras realmente muito boas. Não há nada que o Google não cure.
Conselhos como "vá ao médico", "faça exames", "tome o antibiótico na hora certa" nunca funcionam para mim. Sou desatenta e cabeça dura. Tenho necessidade de fazer tudo do meu jeito, eu faço a regra. Preciso chegar ao meu limite para encarar o problema de frente e marcar uma consulta. Não sei prevenir; sempre espero a doença chegar arrebatadora para querer resolvê-la.
O único problema de tomar sempre os mesmos remédios é que eles vão perdendo o efeito graduadamente e você vai precisar de doses cada vez mais forte deles.Quando isso acontece, me sinto uma usurpadora inconsequente, que não cumpriu a prescrição e agora precisa apelar para a solução final: ir ao médico. Me sinto deteriorada, tenho que admitir que errei e mais um remédio não poderei usar.

Doutor, hoje abro mão dos meus costumes, quero uma consulta com urgência pois a doença está grave e o remédio não faz mais efeito. Não prometo voltar daqui a três meses e não sei se farei o tratamento correto. Marque uma consulta, esperarei o dia inteiro se preciso. Preciso que descubras o quanto a doença evoluiu e se ainda é possível tratá-la ou curá-la; desta vez não tenho medo do diagnóstico. Apenas prometo que irei me esforçar.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Grey's Anatomy está de férias e só volta em Setembro. Estou com saudade; aguentem, então, as metáforas até lá.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Dias Ensolarados de Inverno.

Os dias aqui, nas margens do Rio Pardo, estão cada mais mais bonitos. Me encanta a beleza de um dia ensolarado, de céu sem nuvens, límpido e azul, e coroado com um belo por do sol ao fim do dia. Sou amante de dias assim pois vejo neles a alegria e o despertar de uma vida que pode ser tão linda quanto esses dias ensolarados.
Encanta-me, justamente, por agora ser época de inverno. Esperava por dias cinzentos e frios que trariam associados a melancolia e o fechar-se em casa, mas, este inverno está me surpreendendo a cada dia. A brisa é suave e refresca aquele verão extremamente quente de Janeiro; traz, junto consigo, as respostas que eu outrora esperava e a alegria da preparação para a Jornada Mundial da Juventude.
Esses dias de Sol de inverno aquecem o meu coração e me dão ânimo novo, me libertando do calor e da combustão constante do verão. Quando abro minha janela de manhã e vejo o dia lindo que me espera sinto vontade de ser melhor, de fazer tudo o que eu posso para ser melhor. Quando vejo dias assim, esqueço-me que no próximo verão enfrentarei a maratona de vestibulares, esqueço-me das tristezas que afligem o meu coração e das dúvidas que pairavam envolta de mim.
Me lembro que há tempos já remotos estive em lugares lindos coroados com dias como esses que tenho vivido aqui no meu sertão paulista; é claro que sinto saudade e vontade de voltar àqueles dias, àquelas viagens; espero que um dia isso seja possívels.
É tempo de preparação. De alegrar-se. É vida nova que emana pelo ar, que chega docemente como este inverno ensolarado. Cabe a cada um de nós captar estes bons ares, aproveitar cada instante dessa alegria que está cada vez mais presente em tudo, em cada lampejo de sol que brilha aqui dentro e lá fora. Deixemos as preocupações para os dias cinzas pois em dias como estes não é permitido nenhum tipo de tristeza ou aborrecimento. É tempo de sair e viver, pois os dias melhores chegaram.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Não basta sentir a chegada dos dias lindos. É necessário proclamar: "Os dias ficaram lindos". Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Em pleno carnaval.

Fantasias, cores, pessoas alegres, todo mundo na rua. É festa. A cidade coloriu-se de todas as cores, o sol brilha mais forte e a chuva dá uma trégua para não estragar os planos dos foliões. Não há tristeza, não há luto. O Brasil parou para contemplar a festa que nos caracteriza lá fora. Somos, por essência, foliões em dias de carnaval. Gostamos, por definição do que é ser brasileiro, de sentir as emoções à flor da pela, de agito e comemorações.
Hoje é carnaval fora de época aqui dentro. Resolvi, como todo bom brasileiro, quebrar as regras do calendário de vez em quando. Já escolhi minha fantasia e preparei a maquiagem; estou esperando a hora da festa começar. Está tudo pronto. A noite está linda; acenderam todos os postes e no centro da cidade há luzes coloridas, indicando que a noite, hoje, não permite tristeza e não tem hora para acabar.
O coração está aceso, em sintonia e com sede de festa. Quero esquecer de tudo, deixar os problemas, o vestibular e as contas da viagem para depois. Não quero uma super produção; vou deixar o Louboutin guardado dentro da caixa pois hoje nem dor no pé é permitido!
As músicas são agitadas e, que me perdoe a minha banda preferida, deixamos as músicas tristes para amanhã quando bater o arrependimento; hoje quero tudo que não faça sentido e que é proibido. Me desçam uma dose de axé com sertanejo no capricho, quero que seja tipicamente um carnaval.
A cidade é pequena, minúscula, todo mundo é meio parente. Hoje todos estarão lá, escondidos em algum canto ou procurando ser vistos. Há vantagens e desvantagens nisso, mas hoje, sinceramente, não me importo. Sei que haverá apenas uma pessoa em quem meus olhos pousarão, apenas uma pessoa a quem tudo foi pensado e planejado.
Vinícius de Morais disse que o amor é fantasia. Então, meu bem, a noite de carnaval é nossa.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Nunca gostei muito de carnaval até hoje.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Em clima de Jornada Mundial da Juventude.

Finalmente chegamos no esperado mês da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que começa agora!
Foram, exatamente, um ano e meio de espera desde àquela noite quente de Janeiro na sala 5 do Centro Pastoral da Paróquia Santuário de São Roque em que assinamos uma pré-lista de interessados para a Jornada. A partir daquela noite tudo foi feito e pensado em prol da JMJ. Foram meses e meses de venda de pizzas e rifas de tudo o que vocês podem imaginar para juntarmos algum dinheiro para a esperada Jornada. O trabalho foi árduo; acordar no sábado às 7 da manhã, estando calor ou frio, para montar as pizzas, sair pela cidade vendendo rifas, dançar nas festas da Paróquia, pedir ajuda e doações dizendo que não era passeio, mas um encontro de milhões de jovens que iriam ao Rio de Janeiro ver o Papa. Foram um ano e meio de privações, de economia e de muito planejamento para essa Jornada.
É inacreditável que tenha, finalmente, chegado a hora. Parafraseando a minha banda favorita: "chegou a hora de ser maior que as muralhas". A muralha é gigante. Serão cerca de 10 horas de viagem de ônibus até o Rio de Janeiro. Fora isso, quando chegarmos lá ainda não sabemos bem para onde iremos, onde vamos dormir e o quê exatamente vai acontecer nas nossas vidas.
Eu vou em busca de tentar encontrar de novo a minha vocação, seja ela qual for, pois esse é, além de tudo, um "encontro pessoal com Cristo".Quero tentar entender as perguntas que ainda ficaram sem respostas no Encontro Vocacional de Brasília, ano passado, e ver se realmente estou seguindo o que Ele me pede. Quero rever todos os amigos catecúmenos que estão espalhados por todo esse Brasil, os de perto e os de muito longe, e, quem sabe, fazer novas e incríveis amizades que só esses encontros de jovens nos permitem. A saudade dos amigos é gigante! Nos vemos uma vez por ano ou a cada seis meses, mas é como se fóssemos verdadeiramente irmãos, pois comungamos dos mesmos interesses e dividimos os mesmos valores, "somos, pois, amigos pela fé" e isso distância e saudade nenhuma separam!
Vou, reconheço, com o coração na mão, como todas as vezes em que fui à Encontros Vocacionais. Tenho medo pois não sei exatamente o que vou encontrar e as minhas expectativas são muitas! Tenho medo de passar mal, de ter fome e sede e de me perder de todo mundo. Mas, também sei, que estando na presença de Deus nada de ruim irá acontecer, pois Ele abre os caminhos e mesmo em meio às dificuldades, que certamente virão, ele se fará misericordioso e maior que toda e qualquer muralha.
Estou ansiosa. Tenho amado tudo o que tenho lido sobre a JMJ e visto que há muitas e muitas pessoas como eu: ansiosas, com mil expectativas, com medo e felizes, por ter finalmente chegado o mês dedicado à Jornada. No Rio de Janeiro, no dia 28 de Julho de 2013, em Guaratiba, no Campus Fidei, nos reuniremos em milhões de jovens que cantão, com muito orgulho e emoção, à uma só voz: "esta é a juventude do Papa".

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Eis que venho reunir todas as nações / virão e verão a minha glória"

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Dente do Siso

O famoso "dente do siso" corresponde ao "terceiro molar" da arcada dentária e, se você tiver muita sorte, terá um em cada canto da boca. Seu desenvolvimento acontece entre os 16 e 20 anos sendo, por isso, chamado popularmente de "dente do juízo".
Eu, 17 anos, encontro-me com os quatro sisos formados e enraizados, sendo que o de baixo, na esquerda, está em processo de rompimento. É muita sorte para uma pessoa só: ter os quatro sisos formados e eles resolverem nascer em meio à todo o caos dos vestibulares; como se eu já não tivesse problemas e dores o suficiente! Porém, não tem como escolher, não é algo que se possa determinar geneticamente ou que se possa escolher a hora em que irão nascer. Não há outra maneira além de se conformar mesmo.
Durante a minha adolescência, convivi com o trauma da possível cirurgia dos sisos antes mesmo de completarem sua formação. Eu, medrosa que sou, relutei ao máximo e dizia que não deixaria ninguém abrir a minha gengiva; fazia isso pois eu sabia que, apesar de evitar um problema no futuro, a dor e o trauma que a cirurgia me traria seria grande demais.
Hoje, os sisos estão formados e nascendo, e eu, que achei que só haveria dor na cirurgia, convivo com as dores do nascimento, que são bem chatas. É uma dor penetrante e a cada vez que mexo a boca é como se alguém colocasse pequenas agulhas pontiagudas na minha gengiva. Há dias que nem me lembro de que tenho o tal do terceiro molar absorvendo a minha gengiva - absorvendo, sim, pois o ato de romper é absorver a gengiva; há dias sem dor e outros torturantes.
Consultei meu dentista há alguns dias atrás pois queria que ele fizesse alguma coisa para amenizar a dor. Recebi, além de algumas cruéis espetadas na gengiva, um belo "agora você tem que esperar ele nascer". Em outras palavras, "bem feito, eu falei que era pra me deixar operar". Sinto uma pontinha de culpa por isso, confesso.
Contudo, a bem da verdade, tenho que dizer que a primeira vez que vi um cantinho de dente saindo de dentro da minha gengiva meu coração encheu-se de uma alegria muito grande, assim, do nada, sem motivo. Me deu uma tremedeira inexplicável e eu espalhei a novidade à todos os meus amigos, como se fosse a maior fofoca do século. Era só mais um dente.. não, não era só mais um dente, é "o" dente!! Foi o mais esperado e finalmente ele estava ali. Ele fez uma revolução em mim pois me mostrou em meio a muita dor e agonia o quanto era belo ver que eu, junto dele, eu estava crescendo e saindo do casulo.
O siso veio para me dizer que querendo ou não, na hora certa ou errada, cheguei a idade adulta e tenho que lidar com ela. Ele me mostra que não há como evitar totalmente as dores e traumas da vida mas há como tirar um bom proveito em todas as situações. Todo dia à noite, quando o olho no espelho antes de dormir, entreabre-se no meu rosto cansado um sorriso, pois sei que dias melhores estão vindo e hoje estou feliz por não tê-lo arrancado aos 14 anos, apesar da dor.
Quando ele terminar de nascer, se estiver em uma posição que não comprometa meus outros dentes, meu dentista disse que vou poder escolher entre arrancá-lo ou deixa-lo ali. Escolhi, desde já, que a menos que ele entorte novamente a minha arcada dentária e eu tenha que usar aparelho de novo, quero deixá-lo ali pois é uma parte de mim e toda vez que eu olhar para ele vou me lembrar que só há dor para nos mostrar o quão belo pode ser as pequenas coisas da vida. Aliás, isso é vida nascendo; é um bom motivo para festejar.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Em tempos de vestibular.

Aproveitando que sexta-passada foi o "dia do vestibulando" colocarei-vos a par da loucura que é ser vestibulando.

Vestibulando que é vestibulando não sabe o que é dormir oito horas por noite, não sabe o que é ter finais de semana livre e também não sabe mais o que é ter a vida em ordem. Se eu fosse sintetizar em uma única palavra, seria: "confusão", ou, ainda, "loucura"; ficaria entre essas duas. O combustível é sempre o café, e quanto mais amargo melhor, pois quanto mais concentrada é a solução de cafeína mais acordado ela te deixa; é a combinação perfeita.
Músicas e filmes só se forem educativos e relacionados à matéria. Entram nesse grupo, único, coisas como: "o rap da pilha", "isomeria sertaneja", "canção da trigonometria" e, não menos importante, "Grey's Anatomy" coroando as noites de sexta. É uma sintonia harmônica e perfeita, digna de grandes clássicos.
Os maiores e mais sedutores amantes são aqueles exercícios de matemática que parecem impossíveis e que nos deixam loucos da vida. Quanto aos livros, nem pense em tirá-los de perto de nós, pois desenvolvemos uma dependência incurável.
Não diga coisas do tipo "isso é uma forte tendência do vestibular" ou "a Fuvest vem aí" porque isso acaba com o humor de qualquer um. Não há tempo suficiente para todo o conteúdo diário que temos que absorver, e ainda lidar com toooooooooodas as provas do terceirão, porque, por mais que doa muito dizer isso, a Fuvest realmente logo chegará e dessa vez ela não nos detonará, porque estamos sendo maior que as muralhas.
Só se ganha os louros da vitória depois de muito sacrifício, determinação e, sobretudo, coragem. Coragem porque vamos encarar o que vier pela frente e se der errado vamos começar de novo, sim! Coragem porque não sabemos o que acontecerá amanhã ou em que lugar estaremos ano que vem. Coragem porque em seis meses já foram fortes emoções, e ainda há mais outros seis até, se Deus quiser, acabar. Coragem porque a luta ainda persiste e você não pode cair no meio dela. Coragem, coragem..
Só peço à Deus que não me falte coragem e determinação, pois sei que um dia tudo entrará em perfeita harmonia e todos os meus sonhos e objetivos se concretizarão. Também peço à Deus que me mantenha firme e forte na fé para que eu nunca desanime dessa árdua caminhada.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Mas de uma coisa é certa: quando tudo acabar, sentirei saudade de toda essa loucura, pois aprendi demais nesses anos. Mas isso é assunto para outro texto...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Infecção Generalizada.

Quando tudo parece estar bem eis que surge uma infecção para nos derrubar de novo. O pior é que ela chega sem avisar, sorrateiramente pela porta dos fundos. Não há prevenção efetiva contra essa temível bactéria: ela está por toda parte e espalha-se pelo ar. Se encontra terreno fértil em nosso organismo, aloja-se sem o menor pudor e sem pedir permissão; não é algo que você pode controlar por mais que esteja com a carteira de vacinação em dia. Quando isso acontece, precismos de doses fortes de antibióticos e o máximo de cuidado possível, porque, dependendo do tipo de bactéria, pode ser fatal.
O primeiro sinal de qualquer infecção é a febre. Dizem a biologia e a medicina que se há febre, é  porque alguma coisa está errada.A febre nos faz suar frio, tremer e estar em constante atenção para que a temperatura do corpo volte ao normal. Junto dela vem o mal-estar, a dor de cabeça latejante e a fraqueza. A infecção não se contenta em vir destruir sozinha nosso organismo: sempre traz um exército de reserva bem reforçado para nos derrubar por alguns dias.
Para os mais sortudos, os piores sintomas desaparecem logo nas primeiras doses do medicamento. para os mais azarados, ou mais "resistentes", é preciso dias de repouso e doses severas até que tudo volte ao normal. É como dizem os médicos: cada caso é um caso.
Há também os extremos, e esses são os mais preocupantes. A doença pode ser assintomática ou transformar-se em uma série de outras infecções, espalhando a tal da bactéria por todo o organismo. Os dois casos são letais se descobertos tardiamente, pois exigem isolamento do paciente em unidades intensivas de tratamento; é preciso sedá-lo e injetar doses extremamente perigosas para o corpo. São aqueles casos em que um milímetro a mais ou a menos de remédio pode fazer toda diferença.
Sinto que a minha infecção se encaixa nesse último quadro, o mais perigoso. Foi totalmente inesperada e literalmente, veio da noite para o dia e me deixou de cama. Não veio sozinha: trouxe febre, fraqueza, mal-estar, forte dores de cabeça, laringite, otite e dores no estômago. Já se foram cinco dias de fortes doses de antibióticos mas sinto que a bactéria ainda vive dentro do meu corpo e que a qualquer momento ressurgirá novamente em outra grave infecção.
Tenho evitados os médicos pois tenho medo do diagnóstico; não quero descobrir que meu caso é letal e que não tem mais jeito. Não quero que a infecção domine meu corpo e a minha consciência. Para o meu caso, no entanto, sei de apenas uma coisa: não há vacina ou remédio fortes o suficiente para evitar que ela venha ou para neutralizar seus efeitos colaterais. Sinto que ela entrará em equilíbrio quando for a hora, convivendo em relações mútuas, sem que seja preciso matá-la ou me matar.
E que Deus sempre me proteja do que está por vir.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sobre sapos.

Toda noite quando saio de casa pra estudar no meu quartinho dos fundos sempre encontro sapos no curto trajeto que percorro. Alguns dizem que é porque aqui em casa a umidade e a "roça" favorecem a proliferação deles; outros dizem apenas que é puro azar. Não sei o que pensar dos sapos, apenas os odeio e me recuso a passar perto. Só sei que eles estão lá à espreita, toda noite, como se me vigiassem com seus olhos negros e saltos acrobáticos.
Não gosto dos olhos, da rugosidade da pele, do formato do corpo e principalmente da capacidade de estarem escondidos onde a gente menos espera. É como se me dissessem: "estou aqui e sei que você está com medo". E obviamente, me recuso a pegar a vassoura no canto da parede e espantá-los porque sempre fico imaginando o pior (eles saltarem em mim e liberarem algum tipo de veneno).
Sou refém dos sapos, assim, sem reagir, sem lutar; apensa me rendo ao medo e grito por socorro. Mas hoje eu me pergunto: até quando? No começo, quando a gente está aprendendo alguma coisa nova os medos são aceitáveis e compreensíveis. Porém, chega uma hora que vira comédia. O medo vira desculpa e conformação. A gente se recusa a fazer alguma coisa que nos faria bem só pelo simples fato  de ter medo de coisas bobas. Coisas que a gente nem sabe direito porque é que tem medo.
Dizem que para matar sapos a gente deve jogar sal em cima deles; o sal desidrata o corpo do bicho e a morte é lenta e então você sofre junto. Se matar sapos não resolve o problema a gente faz o quê exatamente? Alguns dizem que você deve espantá-los, tocá-los pra bem longe toda vez que aparecerem. Outros dizem que é um bom sinal, por "o sapo sempre vira o príncipe no final da história". O problema do primeiro é que ele sempre volta e o problema do segundo é que o final vai demorar e não sei se será feliz. Estou nesse impasse com os meus sapos hoje: tocá-los ou torcer para que eles não pulem em mim enquanto espero o final feliz?
Sei que apesar dos mil conselhos que posso receber e das inúmeras tentativas do meu pai de me proteger de alguma ação maligna deles, a decisão só cabe a mim. Sou eu quem percorre o caminho entre a cozinha e o quarto de estudos todos os dias. Sou eu quem tem que passar e lidar com eles. Não tenho culpa se estão ali, mas eles também não tem. É apenas a vida seguindo seu curso normal, cada um em seu habitat tentando sobreviver. Sei que preciso me decidir, e logo, se vou deixá-los quietos ali ou se vou tocá-los sempre que os ver.
Mas hoje, escolho ficar aqui dentro de casa e não ter que vê-los por essa noite. Tenho adiado minha decisão e disso bem sei, mas apenas quero fazê-la com prudência e cautela, sem que haja arrependimentos futuros, sem que haja mais dores, medos e pesares.
Sapos: espero que vocês sejam um sinal divino e que realmente controlem seus impulsos saltatórios e que guardem bem suas toxinas quando eu estiver por perto enquanto eu me decido do futuro que vocês terão em minha vida.
Grata, Maria Olívia.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A mocidade é um estado de espírito

"A mocidade não é apenas uma quadra da vida, é um estado de alma. Ser jovem não é uma questão de faces rosadas e joelhos lépidos - é também uma questão de vontade, de imaginação, de emoção, sentimentos que brotam das fontes profundas da vida.A juventude significa a preponderância da coragem sobre a timidez; do espírito de aventura sobre o amor à comodidade.Ninguém se torna velho, simplesmente, por ter vivido um certo número de anos. As pessoas tornam-se velhas quando abandonam seus ideais. O passar dos anos enruga o rosto; perder o entusiasmo enruga a alma.As preocupações, as dúvidas, o medo, o desespero é que são os longos anos que fazem perder a cabeça e levam o espírito a volver ao pó.Qualquer que seja sua idade, não deixe que desapareça de seu coração o amor maravilhoso. Não perca a curiosidade infantil pelo que está por vir; nem a alegria pelo jogo da vida. Você será tão jovem quanto a fé que o anima, tão velho quanto as dúvidas que alimenta. Tão moço quanto a sua autoconfiança; tão idoso quanto o seu medo. Tão jovem quanto suas esperanças; tão velho quanto seu desespero. Enquanto seu coração puder captar mensagens de beleza, de esperança, de coragem, de aplausos, você permanecerá jovem. Quando, porém, se esgotar essa receptividade e seu coração se cobrir com as neves do pessimismo e os gelos do cinismo, que Deus, então, se apiede de sua alma de velho" Douglas MacArthur.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sobre as amarras da vida.

É hora de silenciar. Fechar a boca, desligar a música, apagar a luz, meditar e escrever. O início de ano foi uma loucura. Voou e foi-se embora os meses como tantas outras coisas. Tenho sentido antecipadamente as dores de um ano que promete fortes emoções.
É tanta loucura, tanta confusão e tanta falta de tempo que nos poucos momentos de paz-de-espírito que tenho, me encho de saudade. De nostalgia. De conjugar no passado. Tenho sentido às amarras do passado me assombrando quando fecho os olhos. É como um fantasma que só aparece quando a gente já está com medo de outras coisas. É um ímã. Uma tempestade que não cessa.
Quando a criança tem medo, dizem que ela tem que ir lá e lutar contra o fantasma e no fim ela descobrirá que ele é apenas seu pai enrolado em um lençol. Quando a gente cresce, a gente briga, luta, esfaqueia, asfixia e nada disso revela a verdadeira face do fantasma. Ele fica nos seguindo e se a gente pergunta o que ele quer, ele ri na nossa cara.
É uma infecção contra a qual a medicina não desenvolveu remédios que a mandassem embora para sempre. A doença sempre volta sem avisos, sem hora marcada.
A gente se prende por mil e uma coisas. A gente fecha a boca porque sabe que se falar demais e na hora errada, vai estar tudo perdido. A gente troca de roupa e de sapato até que tudo combine. A gente foge do fantasma quando sente ele próximo. A gente se auto-medica e acredita que os nossos conhecimentos médicos são o bastante para curar qualquer coisa. A gente decora frases prontas e finge que se disser com convicção, vamos enganar alguém.
A gente se culpa pelos menores deslizes que damos. Culpa por ter gastado muito tempo ou por não ter gastado tempo nenhum. Culpa por lembrar. Culpa por ainda deixar que um fantasma domine alguma coisa.
Mas o que é que a gente faz de verdade? Será que a gente realmente se esforça para mudar de vida? A gente arranja mil motivos pra continuar perto do fantasma e adia a visita ao médico. A gente finge que não existe mais nada, que está tudo guardado e trancado quando não está. Nós mesmos nos prendemos em nós. Somos os vilões e somos heróis. Soltar as amarras da vida depende das nossas forças: não basta dizer e não fazer nada. É hora de agir; de não ter medo de lidar. É hora de despojar de tudo o que faz mal. É hora de mover as amarras que nos prende a isso e aquilo. É tempo de libertar-se.

Espero que a partir de amanhã eu realmente viva como já deveria estar vivendo à um ano: desamarrada. Livre do fantasma. Livre de pendências. Livre de urgências. Livre de qualquer coisa que me lembre passado e plural. Quero ser só eu, meu presente e meu futuro. Não quero mais o que eu nunca tive. Não, não mais.. Já passou da hora de mudar de vida. E agora, foi dada a largada..

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Tenho morrido de estudar e gostado das coisas enérgicas. Quero movimento e ações e por isso, estou começando a dar exemplo disso. E que Deus esteja sempre conosco nessa empreitada! um beijo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Liberdade e Direitos civis

Na antiguidade, ser livre significava participar da política, como é o caso de Atenas, onde cada cidadão ateniense participava diretamente das escolhas políticas. Já a liberdade moderna consiste em direitos e deveres, ou seja, sua liberdade individual é plena desde que não interfira na do outro.
Antes, para ter direitos políticos e sociais era preciso fazer parte de uma nobreza, mas com o advento das Revoluções Burguesas do século 18, esses direitos colocaram os cidadãos em igualdade perante a lei; ricos e pobres passaram a ter os mesmos direitos e deveres.
A lei em si é inspiradora mas na prática nem sempre é assim. Ainda há lugares no mundo que condenam o uso de determinadas roupas, impedem manifestações religiosas e fazem distinção entre os sexos e entre a cor da pele.
A verdade é que a sociedade é discriminante e separa as pessoas de acordo com um critério. Foi assim na África do Sul com a separação histórica entre brancos e negros e das diferenças de direitos sociais e trabalhistas às  mulheres nas indústrias dos Estados Unidos nos anos de 1860.
A sociedade e a política induzem as pessoas a se posicionarem sobre todos os assuntos sem dar importância aos aspectos humanos. Reprime pessoas que não se comportam segundo um padrão pré-estabelecidos sem se darem conta de que um padrão é criado de acordo com um critério que um grupo de pessoas acredita ser o certo.
 Somos filhos de uma sociedade que venceu o apartheid, que conquistou direitos políticos, sociais e civis ás mulheres, que instituiu liberdade de crença mas que ainda assim julga automaticamente pessoas que se vestem diferente, homossexuais e fumantes sem perceber que ao fazer isso, ferimos o direito à liberdade de expressão.
Somos livres e arcamos com as nossas escolhas, mas ainda assim, livres. Condenar o quão certo ou errado é ou deixa de ser não cabe à nós. Não somos justos com nada e ninguém.
Hoje temos uma lei que nos confere igualdade política e liberdade de expressão, porém a própria sociedade se encarrega de violar esses direitos no sentido de não respeitar as diferenças e impor padrões. Esse é o mundo em que vivemos.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
A gente escreve o que sente, o que vê e se inconforma. Belo texto para a minha a aula de inglês.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Às mulheres

Peça para um homem descrever um mulherão.Ele imediatamente vai falar do tamanho dos seios,na medida da cintura,no volume dos lábios,nas pernas,bumbum e cor dos olhos.Ou vai dizer que mulherão tem que ser loira, 1. 80m,siliconada,sorriso colgate. Mulherões,dentro deste conceito,não existem muitas:Vera Fischer, Leticia Spiller, Malu Mader,Adriane Galisteu, Lumas e Brunas.Agora pergunte para uma mulher o que ela considera um mulherão e você vai descobrir que tem uma a cada esquina. Mulherão é aquela que pega dois ônibus por dia para ir ao trabalho e mais dois para voltar,e quando chega em casa encontra um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome.Mulherão é aquela que vai de madrugada para a fila garantir matricula na escola e aquela aposentada que passa horas em pé na fila do banco para buscar uma pensão de 100 Reais. Mulherão é a empresária que administra dezenas de funcionários de segunda a sexta, e uma família todos os dias da semana.Mulherão é quem volta do supermercado segurando várias sacolas depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento.Mulherão é aquela que se depila, que passa cremes, que se maquia, que faz dieta,que malha,que usa salto alto, meia-calça,ajeita o cabelo e se perfuma,mesmo sem nenhum convite para ser capa de revista.Mulherão é quem leva os filhos na escola,busca os filhos na escola,leva os filhos para a natação,busca os filhos na natação,leva os filhos para a cama,conta histórias,dá um beijo e apaga a luz.Mulherão é aquela mãe de adolescente que não dorme enquanto ele não chega, e que de manhã bem cedo já está de pé, esquentando o leite. Mulherão é quem leciona em troca de um salário mínimo,é quem faz serviços voluntários,é quem colhe uva,é quem opera pacientes,é quem lava roupa pra fora,é quem bota a mesa,cozinha o feijão e à tarde trabalha atrás de um balcão.Mulherão é quem cria filhos sozinha, quem dá expediente de oito horas e enfrenta menopausa,TPM,menstruação.Mulherão é quem arruma os armários, coloca flores nos vasos,fecha a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantém a geladeira cheia e os cinzeiros vazios.Mulherão é quem sabe onde cada coisa está, o que cada filho sente e qual o melhor remédio pra azia. Feliz dias das mulheres.
Martha Medeiros

Parabéns para você, que, linda, lida com explosões hormonais uma vez ao mês. Que sente tudo inchar. Que chora por besteira. Que valoriza bobagens. Que acredita em filmes de amor. Que faz coleção de esmaltes. Que ama sapatos, bolsas e cacarecos para colocar no cabelo. Que compra só porque tava em liquidação. Que sempre precisa de alguma coisa. Que acha o amor a coisa mais bonita – e importante desse mundo. Que sabe como é fundamental olhar para si mesma – ainda que de vez em quando se perca e se preocupe em demasia com o "querer" do outro. Parabéns para você, que dia a dia aprende mais sobre você mesma. Que erra para aprender. Que é forte o suficiente para seguir em frente – sem lamúrias, mas com maturidade e sensatez. Que de vez em quando esquece a própria idade e o juízo em algum canto. E depois acha, como mágica. Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus. Parabéns pra nós mulheres !

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sobre jogar as redes no fundo do mar.

Navegar em mares nunca dantes navegados me dá medo. Não tenho pavor do mar, pelo contrário, amo-o, mas intriga-me essa coisa de ir até o local mais profundo, jogar a minha rede e esperar que dê algum resultado. Estou acomodada. Se contemplar a vida na parte rasa da praia já me parece suficientemente lindo, porque então correr perigo e me atirar em alto mar? E se eu naufragar? E se aparecerem tubarões?
E se.. E se.. E se..
Minha vida é tomada de dúvidas do que poderia ter sido. Não mais me arrisco com a mesma frequência de antes e a cautela passou a integrar o meu vocabulário. Não me arrisco porque tenho medo. Esse conselho de "a gente nunca sabe até tentar" não funciona comigo. Quero provas concretas que possam ser usadas em minha defesa caso eu falhar.
Ao contrário disso, a vida real não funciona assim. Raramente temos provas e se temos, são as nossas próprias conclusões (precipitadas). Dizem que o alto-mar é belo e o que temos que fazer é acreditar na experiência das pessoas que já foram até ele e voltaram. Porém nada nos garante que quando chegar a nossa vez de pegar o barco e remar não encontraremos obstáculos no caminho.
Cada viagem é única e cada pessoa segue sua bússola interior. Um passo em falso, um vento contrário e acredite, vou me perguntar porque diabos fui entrar nessa. Me desespero e coloco mil pensamentos negativos na minha cabeça antes mesmo de tirar a rede de dentro d'água e ver se o plano deu certo.
O que é raso me dá a sensação que não vou estar em perigo e que se vier um tsunami, vou ter tempo de correr. Mas é apenas sensação. Nem sempre é verdade. Aliás, dificilmente é. Ninguém está a salvo de nada nesta vida e o que tiver que acontecer vai acontecer mesmo se a gente correr bastante disso. Uma hora a onda nos atinge e carrega tudo que estiver atrapalhando-a de nos atingir; então o estrago é maior.
O ideal é que não tenhamos medo de molhar nossas roupas e partamos para uma viagem que possa ser mais construtiva do que só analisar tudo de longe. Dizem que o alto-mar é lindo e que a beleza não pode ser explicada com o mesmo detalhamento de quem tem a chance contemplá-lo. Vai que de repente, quando você estiver lá, você acorde pra vida e veja que mesmo se vier todos os tubarões do mundo inteiro, é melhor ser atacado e ter tudo do que se salvar e se sentir vazio por dentro. Não deixe a vida escorrer de suas mãos. Na maioria das vezes o que acontece nessas ocasiões é que a nossa rede se enche com peixes de todas as cores e tamanhos e o nosso sorriso mal cabe na nossa boca tamanha é a nossa felicidade.
Nada disso teria acontecido se a gente não tivesse perdido o orgulho e tivesse ido adiante. Vontade de ir ao alto-mar e de lá não sair não me faltam. O medo, por outro lado, não me abandona e às vezes me prende ao raso da praia. Tenho procurado meios de combater meus medos, olhar no espelho e ver que mudar o rumo da minha história depende de mim. Torço para que o medo nunca fale mais alto do que a vontade de vencer porque enquanto eu tiver força e coragem, remarei em busca de novas águas.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Esse dispensa comentários.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A obra mais valiosa.

Uma vez me disseram que as minhas histórias eram lindas, porem calcadas em solo arenoso. Não me refiro essas, contadas aqui, mas as que estão lá fora.
O autor nunca chama a sua obra de feia, de incompleta e faz questão de atribuir milhares de significado que só ele consegue decifrar com clareza. O artista deseja que suas obras estejam em uma boa exposição, que arranque suspiros e olhares atônitos. O astronauta não pensa duas vezes antes de rumar ao infinito - porque tudo está lá.
Sou uma mistura disso tudo. Não espere que eu vá dizer exatamente e com clareza o que se passa aqui dentro, nas madrugadas quietas. Não espere que meus olhos brilhem quando tuas mentiras fajutas forem ditas. Não espere eu dizer que estou com medo da viagem, não costumo aparentar minhas fraquezas. Não espere que eu seja algo que eu não sou, porque também não vou esperar nada de você.
A beleza da vida está em apreciar todos os detalhes, em ser o autor de obras inacreditáveis em exposições vazias. Meu caminho é atribulado e cheio de buracos que estou tentando consertá-los. Minha face é cheia de remendos bem feitos que à distância você mal os percebe. Meu coração, colado em mil pedacinhos, é tão resistente quanto as areias do deserto em dias de ventania.
Espero por alguém que transforme o solo arenoso em granito resistente e inquebrável. Apenas sento na frente do computador e espero, desprezando o tempo, apreciando a beleza da vida. Se a gente esperar com cautela, a exposição vazia no canto escuro da cidade se ilumina e enche de gente com olhares sonhadores e sorrisos serenos. E a obra mais valiosa é o que alguns chamam de amor, esteja ele onde estiver.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
A obra mais valiosa das exposições fica guardada em redomas de vidro, em segurança, a espera que alguém descubra o seu segredo, a liberte e a leve para casa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

À Dona Felicidade, um muito obrigada!

A pontinha de felicidade está lá dentro de nós, numa linha fina, tênue e inquebrável. E melhor: dá para achá-la mesmo quando parece impossível! É essa dona felicidade que agita o dia e assombra a madrugada. Se a gente pensar bem, nada faz muito sentido então a gente se vira em mil e arruma uma forma - ousada - de prender a bandida com a falsa ilusão de que ela nunca irá escapar. O que nós esperamos é que ela não fuja de madrugada enquanto cochilamos e que, ainda, nos deixe resquícios dos motivos pelos quais ela reapareu em nossas vidas.
Engana-se muito quem pensa que ela está escondida nas coisas perfeitas, caras, na beleza, no glamour ou na popularidade pois essas coisas apenas nos dão prazeres momentâneos - não digo ruins - e logo irão embora deixando apenas o vazio de não ter feito nada que valesse a pena. A felicidade está no amor. Em amar. Em ser amado. Está nas conquistas. Nas barreiras vencidas. Naquela última gota de suor que você derramou ao celebrar a vitória.
Tudo que é óbvio demais perde a graça em menos de um mês. A gente precisa daquele agito, daquela pulsação latente no peito e da vontade de nunca estar parado. Ter expectativas. Surpresas e ás vezes até uma pontinha de dúvida para que não sejamos totalmente convencidos do nosso poder. Nem um décimo das coisas que ganhamos "de graça" conseguem nos deixar mais felizes do que aquelas que sofremos e lutamos para conseguir.
Dessa vez, a Senhora Felicidade me surpreendeu e fez questão de permanecer quietinha e comportada em seu lugar, não deixando que a dor a vencesse ou que houvesse tristeza e saudade. Algumas coisas - e pessoas - vão embora assim, sem deixar rastros, sem marcas, sem dores, sem ressentimentos; deixando apenas a felicidade de alguns bons momentos irradiando dentro de nós, fortalecendo a nossa linha tênue, nos fazendo lembrar que o mais importante não é ser perfeito e sim achar o número certo, mesmo se você esquecer de contra e que se um dia a matemática não funcionar, ainda teremos felicidade e amor, sempre!

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
E a gente sempre encontra um tanto de coisas por aí, inclusive a Dona Felicidade!