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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sobre os anjos

Sim, tenho estado ausente. Não porque quero, porque me faltam palavras para descrever tudo que sinto. Têm sido muito intenso. Tenho vivido demais. Vivo o ápice do tal momento em que outrora escrevera aqui. Sim, as coisas tem se realizado. Não do jeito que quero e nem com a mesma frequência, mas tem dado certo. E sim, é preciso ter fé.
Acredito que quando nascemos estamos condenados à vida. Condenados sim, mas Deus dá anjos para aqueles que têm fé. E eu, ganhei os melhores anjos. Sim, Deus assusta, mas no momento certo prova que sempre esteve certo.
Não é tão fácil assim ter anjos; é preciso conquistá-los. Se acreditamos, existem; se não cremos, nunca os teremos. Por muito tempo eu fingi que acreditava, vivi enganada. Quando voltei a realidade e passei a viver, os anjos vieram, me salvaram de mim mesma e me levaram a onde todos, no fundo, querem ir.
O melhor da história é que vieram disfarçados para que eu não os pudesse reconhecer imediatamente. Hoje já os reconheço, porque entraram definitivamente em minha vida.

Vens, anjo meu, que te espero aqui
Vens anjo, que então nos dançaremos
Vens anjo meu, que já é hora de virdes
Não tenhas medo anjo, sempre estarei contigo

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Escrever aqui me faz tão bem, porque por mais que me contenha, consigo descarregar nas palavras o pesar dos sentimentos.

terça-feira, 5 de julho de 2011

É chegada a hora da redenção.

Eu me rendo. Abro meus braços. Desisti de tentar impedir. Quero ver acontecer.
Eu me rendo. Não mais serei contra. Seguirei talvez pelo Sul. Cansei de não ser eu.
Eu me rendo. Quero saber mais. Quero agora. Não vou esperar. Não, não mais.
Eu me rendo. Quatro sílabas e eu serei sua.

Eu me rendi. Me rendi há tanto tempo.
Eu me rendi. Me rendi ao improvável. Me rendi ao teu cheiro doce.
Eu me rendi. Me rendi aos meus ideais socialistas. Me rendi aos teus encantos.
Eu me rendi. Me rendi porque cansei de viver chorando sozinha.

Hoje, aqui, assumo publicamente a minha redenção. Digo, perante aos meus instintos tão antes afagados, que estou rendida à coisa mais pura que possa existir. Não só proclamo quanto afirmo que se antes escondi é pelo medo natural que todos temos. Agora, não que não me sinta mais acanhada, me sinto totalmente envergonhada de não ter dito antes.
Só Deus sabe o quão predestinadamente procurei. Procurei e não encontrei. Depois cansei de procurar. Até que quando desisti de procurar, encontrei. E esteve do meu lado o tempo inteiro ..
Chegado então o dia de hoje, cujos detalhes deste tempo de medo serão por hora omitidos, ainda receio perder. Sim, me apeguei tanto que não posso mais devolver. Me rendi para que chamasse de meu. Me orgulho tanto disso!
Por enquanto, não darei mais detalhes de motivos, razões, ações nem coisas do tipo que me trouxeram até aqui. A gente não pode se deixar atropelar as coisas, não por medo de perder. Temos que seguir os instintos e o coração, mas nunca passando pelo nossos princípios. Nenhuma redenção tem validade se a gente não estiver realmente disposto a se render! ;)


Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Passei de semestre, sem recuperação! Férias, finalmente!!!

"Como as estações, as pessoas tem habilidade para mudar. Não acontece com frequência, mas quando acontece, quase sempre dá certo. Às vezes pode se emendar o que se quebra. O inteiro precisa ser quebrado para se reconstruir. Às vezes, é preciso se abrir e deixar novas pessoas entrarem, mas na maiora das vezes, é preciso só de uma pessoa que tema demonstrar seus sentimentos com uma oportunidade que ela jamais julgaria possível. E algumas coisas não mudam nunca. Deixe um novo jogo começar." Gossip Girl - 2ª temporada

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Coisa de louco.

A gente se vê fazendo coisas que jurava que nunca na vida ia fazer. Que não ia amar de novo, que não ia escrever, que não ia se importar e que ia ter calma. Foi como se atirar em um mar profundo sem bóias. É a fuga de quem quer ter provas que o que ficou no passado foi ruim e o que importa é agora. É um suicídio já começando errado. Mas na hora de viver, ninguém se importa com o que foi dito por teoria. Nem eu.
O corpo é cercado de feridas. São feridas feias, frias e inacabadas que estão presentes o tempo todo. No começo, até acreditava que um dia elas sumiriam. Mas não, me enganei, elas sempre estiveram lá. Não há como tatuar desenhos bonitos por cima ou usar uma blusa para encobrir; elas precisam estar lá para que toda vez que você as sinta arder lembre-se do motivo pelo qual estão lá. Se não lembrou de esquecer, é porque sempre pensou. Se tentou apagar, é porque ainda dói demais.
Mas agora não há como fechar completamente esses furos na pele. Começou uma nova história, há tanto tempo. Começou até que diferente, talvez até mais certa, porém com uma dose de perigo a mais. E foi aí que o blog ficou em segundo plano, porque tem um pensamento a mais que não sai da minha mente. Um pensamento absurdamente idiota e bobo. Não sei mais como descrever, não aprendi a entender e não me arrisco porque tenho medo! Por enquanto, só ouso em dizer que é ótimo, lindo e tudo que eu sempre quis.
Acho que acabei falando demais. De novo. Mas é isso aí mesmo.

Uma pequena nota Marô Dornellas:
Garçom, traga-me mais uma dose de perigo, e mais um papel.
PS: preciso passar de semestre
PS2: preciso resolver minha vida
PS3:preciso de uma calça nova
PS4: preciso da trilha sonora de eclipse
PS5: preciso escrever com frequência no blog
PS6:preciso ler Harry Potter
PS7: mas tudo isso tudo se anularia se ... sei lá, se pudessemos compor uma canção com o Muse.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Porque não é para entender e ponto final

Por tantas vezes estive à beira de cometer pseudos crimes para me livrar da dor de carregar a cruz. Há ausência de fogo e uma tranquilidade tão inédita que chega a ser questionável. Qualquer ardência é abafada pelo sorriso, as dores não são tão intensas como antes. Não há, então, lamúrias para escrever?
É algo tão mais complexo que perderia totalmente o real sentido se fosse explicado. Têm coisas na vida que foram feitas para não fazerem sentido. E a vida, tão irônica, não te permite entender, quanto mais tentar falar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Às vezes dá preguiça de escrever

Tem dias que dá preguiça mesmo de viver. A gente olha pra própria vidinha mais ou menos e se pergunta: o que, diabos, eu estou fazendo aqui? A resposta, a gente não consegue dar. Mas tem dias que simplesmente não dá. Não dá pra acreditar no futuro, no presente e desconfiamos até mesmo do passado. Tem horas que a gente parece estar no meio de um pesadelo (ou no meio de um sonho bom que nunca vai se realizar). Tem dias que não dá pra acreditar que a Xuxa usa hidratante Monange, que a Gisele Bündchen usa Pantene e que a Carolina Dieckmann tem dentes sensíveis. Chega uma hora que a realidade te espreme num canto, te dá um tapa na cara e te pergunta: o que é que você está fazendo aqui?
Brena Braz

terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando entramos em uma batalha, sabemos que temos chances iguais de ganhar ou peder. Sabemos, ainda, que não saberemos qual rumo tomar se perdermos. Também temos total convicção que se ganharmos ostentaremos tanto a honra que o ato de vencer em si se anula. Afinal, somos avisados de todas as probablilidades, temos a chance de saber tudo antes de tomar uma decisão. Mas então porque nós vamos lá e fazemos tudo ao contrário?
Não acredito na resposta "eu estava cego". Não acredito em meias verdades. E, nesse caso, não são válidos os ditados populares. Na verdade não porei na balança muito mais que insegurança e impulso.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Antologia

Estive me perguntando por qual motivo não tenho mais inspirações suficientes para escrever. O engraçado é que quanto mais vivo, menos vontade de escrever histórias fictícias tenho. Tudo o que mais almejei estes anos todos me aconteceu. Não foi de repente e não foi contra a minha vontade; eu estive tão lúcida de minhas decisões que sequer vir o tempo passar. E, dessa vez, posso dizer com toda a convicção que o tempo "voou" mesmo. É claro que continua passado com calmarias arrastas e guinada estranhas, mas, acontece que agora é suportável.
A ferida nunca mais ardeu daquela forma; sinto-a lá, para me lembrar, porém já não incomoda tanto. Não sinto mais necessidade de morrer por nada; há coisas maiores para ocupar a mente.
Já não sei se gostaria de voltar aos velhos tempos; há tantas coisas para se abrir mão agora. Sinto falta de escrever histórias, de narrá-las de um jeito que fica quase impossível de entender a metáfora, sinto falta desse mistério. Mas, o Ensino Médio condena a vida de qualquer um, tira o mundo imaginário da mente para incrustar fórmulas e palavras que você sabe que nunca vai usar. E depois do Ensino Médio, como será? Ainda terei arquivadas minhas teorias dinâmicas para publicá-las em um livro? Escreverei outras histórias? Será que um dia me sobrará algum vestígio que um dia escrevi histórias e que fiz do meu blog um refúgio?
Quero acreditar que sim. Prefiro pensar que é apenas um surto, uma falta de tempo adjunta à falta de criatividade que espero que passe quando eu menos perceber. Sim, sei que agora o mundo real tem -e precisa- se sobressair, mas aquela essência sonhadora não pode ser algo que se joga no ralo, sem pretensão de um dia ter novamente. Aquelas idealizações permanecem junto conosco por um bom tempo, até que encontramos algo muito superior para trocar. E então se torna utópico, bem maior de algo que possamos entender agora.
Tenho uma união muito forte com esse blog e se que ele foi peça fundamental de minha vida adolescente. O mistério, a liberdade, a fantasia. Criei toda uma história nova para mim, alternativas e soluções para o meus próprios problemas e saudades, e como boa criadora, acredito no poder da criação. E é justamente por isso manterei-me aqui, talvez não como antes, mas não há motivos suficientes para desistir de mim mesma.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Os mistérios de 1º de abril.

Ou sobre a continuidade das mentiras.

Irônico como a mentira - um sentimento cruel - têm um dia inteirinho dedicado a ela enquanto sua maior rival - e a mais desejada - não possui sequer referência. Dedicamos um dia inteiro de nossas vidas para brincarmos de contar mentiras-meio-verdades, aquelas que a gente morre de vontade que seja verdade, mas que no fundo não são. É outra forma que a sociedade encontra de camuflar o que mentiras mais sérias, enquanto você conta histórias, mais dinheiro é desviado. Coisas que só se veem no Brasil.
Entre mil brincadeiras encontramos milhares de formas de demonstrar implicitamente aquilo que queremos no momento. Podem não ter muito fundamente mas toda palavra tem lá sua consequência.
Acredito que teor implícito de verdade dá a emoção que induz as pessoas a contarem-as cada vez mais. Não critico, rio de algumas e caio na maioria delas. É legal para descontrair a vida que normalmente já não é brincadeira, só não podemos viver os outros 364 dias vivendo de mentiras e histórias mal terminadas.

As mentiras que todo mundo já contou em primeiro de abril:
1-A mãe de alguém muito próximo morreu
2-O professor não vai dar prova amanhã
3-Tenho um novo e lindo namorado
4-Vai ter festa hoje à noite
5-Gritar pra classe "alerta de terremoto"!
6-Que alguém que você conheçe está na televisão

terça-feira, 22 de março de 2011

Sobre as diferenças entre escrita e ação.

Escrevemos para nos livrar da raiva e da inquietude. Agimos de acordo com aquilo que pensamos e escrevemos. Nossas palavras e ações são algumas das poucas coisas que podemos chamar de "nossas". Há quem escreva o tempo todo ou escreve só para passar o tempo. Diferentemente da escrita, as ações são contínuas e não esperam seu surto de inspiração. Para os que só escrevem, está na hora de começar a agir.
Com o passar do tempo, as ideias vão se fixando e as palavras ganham um tom de seriedade que antes não possuíam. A partir daí, as meras palavras se tornam teorias, meio que uma regra que a gente mesmo inventa. São resultado de nossas expectativas, anseios e, até mesmo, da ira. São os nossos mandamentos, que fazemos questão de cumpri-los à risca, por mais desengonçados que sejam.
Porém, chega um momento em que simplesmente nos cansamos de só escrever e queremos ir em busca de provas que nossas teorias são verdadeiras. Quero um pouco de adrenalina, de perigo. E é o que tenho buscado fazer, provar as minhas teorias. Não quero transformá-las em teses com comprovações científicas, apenas ver até onde posso transformar minhas palavras em ações. Assim, me sentirei mais apta a vir aqui inventar outras teorias, pois saberei que têm um propósito e que poderei ajudar outras pessoas a encontrar fórmulas de resolução sem quebrar a cara.
E o que você faz com a SUA vida? Já parou para pensar em quanto tempo desperdiça? Você está mesmo concentrando todas as forças em buscar os seus objetivos e testar suas teorias? Avalie a sua vida, só por alguns instantes. Só não se esqueça que enquanto você toma conta da minha, a sua está jogada na sarjeta.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Faça o que eu falo, e não o que eu faço, porque às vezes eu faço tudo errado.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Backup

Tenho há três anos um computador surrado, dotado de um esturricado HD de 80gb. Ao longo desse tempo, fui baixando discos, criando músicas, fazendo inúmeras coisas até que o espaço acabou, me obrigando a fazer um backup. Por “backup” entenda-se salvar em outro lugar os arquivos que a gente não precisa mais, mas não tem coragem de deletar pra sempre. E foi aí que percebi: eu nunca fui um cara daqueles que fica pensando durante horas o que escrever. É muito mais a minha cara sentar a mão nas teclas de forma afobada e desordenada, no melhor estilo Chico Xavier. Quem acompanha meu empoeirado blog sabe muito bem disso. Eu gosto de escrever sem pensar, para refletir depois, quando já estiver publicado. Já cansei de vasculhar os arquivos antigos e, por meio dos meus textos, revisar cada segundo de um passado que eu poderia ter esquecido. Minha mente se preocupa com cada vez mais coisas, e eu preciso de um backup. Por isso vejo na escrita a solução. Ela é meu backup. É como se eu tirasse da cabeça um momento, uma história, assim abrindo espaço para muitos outros momentos, mais intensos e melhores do que os antigos. E, se minhas sinapses falharem algum dia, lá estarão meus relatos para refrescar minha memória. Portando, se algum dia você perceber que sua cabeça está cheia de histórias, dilemas, problemas a serem resolvidos, talvez seja a hora de você fazer o seu backup, ou melhor, escrever um pouco, para descarregar um pouco disso tudo. E se for uma história triste, sempre teremos a opção de mandar tudo pra lixeira.
Lucas Silveira

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Quero, muito, voltar a ter tempo suficiente para escrever minhas histórias no blog. A escola tem me exaurido.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Com a flecha incrustada no peito

O mais insano veneno bruto já encontrado na natureza me atingiu. Nem sempre se é analisado, porém, sempre é sentido na pele a dor de se reerguer. Levantar de uma rasteira não é assim tão simples quanto parece na poética. A vida real não leva em conta o quão lírico é; na vida real não há espaços para fantasias.
Sua flecha foi certeira; atingiu como um raio rasgando meu peito. E perdi sangue. Quando nos apegamos demais, corremos o risco de quebrar a cara uma, duas, três e quantas vezes for preciso para que aprendamos. Mas o que é que nos faz quebrar a cara de novo e de novo, sem jamais desistir?
O lugar, o tiro, a lança pontiaguda, a proximidade do disparo. Tudo se encaixa tão bem!
A reconstrução se apresenta lenta e gradual. Aos poucos, a cabeça vai esfriando e a raiva passa. Aí começa outra história...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Disparo

5000 metros. Um arco, uma fecha, um índio e um coração. Muita água que já rolou nesse conto, logo, o passado pode ser considerado aqui. As histórias cruzam entre si, formando um emaranhado de palavras mal resolvidas que, por algum motivo, foram deixadas assim. Nós, aqui, não julgaremos o passado, ele apenas será tido como referência.
1000 metros.
No arco estava contido todas as ataduras de anos atrás. Sim, eram muitas. Algumas foram sendo esquecidas, outras camufladas mas a maioria delas ainda vivia. Carrega-se no ombro o peso de uma vida inteira. É possível disfarçar a dor que se sente carregando o fardo. Colocamos sorrisos onde não têm, inventamos palavras que nunca foram ditas e até mesmo somos capazes de nos vestir dos mais insanos personagens. E para tanta loucura, não é necessário que se tenha motivos concretos; o ódio e a inveja são gratuitos.
500 metros.
A flecha deixava claro o sentimento vingativo. A revanche não é aqui e nem agora; só pagamos o preço de viver ao final da vida. A ira é uma fácil dominadora; e devasta. Vem, arrasta tudo consigo para somente depois ir embora. A vingança não está - e nunca esteve - jogando a favor.
Não seria justo caracterizar o índio. O índio era apenas um índio desempenhando seu papel de índio. A caça de subsistência faz parte de sua rotina em tribo.
50 metros.
Agora a distância é curta demais para poder fugir. O som do disparo se aproxima. Sua flecha atingiu em cheio o meu coração.

domingo, 6 de março de 2011

Novos tempos. Muitas histórias.

Tudo que vai volta. Toda ferida é amenizada com o tempo. Nenhum ciclo pode ser totalmente interrompido. Alguns amores nunca terminam. Não há nada que não possa ser aprendido. As construções não resistem para sempre. A maior parte das lembranças não são eternas. À toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade e sentido.
É certo que muitas coisas mudaram. Você já não é mais o mesmo de tempos atrás. Não digo em relação à anos, ou décadas; me refiro à apenas algumas semanas a mais. É uma concretização de suas fantasias. Cada vez mais, as teorias têm se cumprido. Não são necessários feitos extraordinários e receitas malucas ... você só precisa dar valor aos seus pensamentos e segui-los com convicção.
Chega uma hora em que nada do que você fez antes tem importância. É valioso para você, são suas lembranças. A vontade de começar uma nova história acaba superando o desejo de não esquecê-las. E isso nada mais é do que dar uma chance à você.
São novos começos de histórias opostas. Há sempre novas sensações na berlinda esperando por nós. É mais interessante viver que ficar se lamentando pelos cantos. É mais digno lutar por seus objetivos que esperá-los. Nem tudo depende somente de nós, mas, na maior parte dos casos, somos os maiores responsáveis pelos rumos que as histórias tomam. Podemos alterar textos e frases quando se trata do imaginário. Na vida real, é preciso cuidado maior. Nem tudo pode ser completamente alterável, apenas moldado. Mesmo que colemos o vaso ele nunca mais será como antes, sem trincas. E a vida vai impondo seus caminhos e abrindo novos livros diante da gente. Não dá para simplesmente parar no meio. Agora temos que continuar até o fim, sem desamimar. Se há um lado ruim em tudo, ele não pode ofuscar o desejo que temos florescendo dentro de nós de querer uma história melhor.

terça-feira, 1 de março de 2011

Mas onde está o que eu quero dizer?

O sonho é mais completo que a realidade, esta me afoga na inconsciência. O que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo? - Palavras muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma brilhante e úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que eu quero dizer, onde está o que eu devo dizer? Inspirai-me, eu tenho quase tudo: eu tenho o contorno à espera da essência; é isso? - O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de si? Utilizar-se como corpo e alma em proveito do corpo e da alma? Ou transformar sua força em força alheia? Ou esperar que de si mesma nasça, como uma consequência, a solução? Nada ainda posso dizer dentro da forma. Tudo o que possuo está muito fundo dentro de mim. Um dia depois de falar enfim, ainda terei do que viver? Ou tudo o que eu falasse estaria aquém e além da vida?

E um dia virá, sim, um dia virá em mim a capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave, um dia o que eu fizer será cegamente seguramente inconscientemente, pisando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer que seria incapaz de falar, sobretudo um dia virá em que todo o meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há de temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de uma animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro! Não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fundido, porque estão viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei e ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.

Clarice Lispector

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas

Tinha começado a escrever uma história fictícia linda, que contaria metaforicamente toda a nossa história, mas, o blogger não salvou na íntegra. Queria que pelas palavras bonitas e pela complexidade de se interpretar uma comparação metafórica o texto se tornasse lindo. Mas, depois de ter ficado quase uma semana inteira xingando os criadores do blog, resolvi voltar e escrever, de uma forma ou de outra, o que eu queria de fato.
Não sei se um dia vou ter coragem de te mostrar esse texto, porque morro de vergonha de que você não goste ou ache melodramático demais. Queria mais é dar uma satisfação a mim mesma, de poder ter o registro do que eu senti ao longo desse tempo e de como me sinto agora. Juro que vou tentar não fazer muito drama e que vou ser sincera acima de tudo.
Bom, conheci o Pedro há uns dois anos, quando a gente estava fazendo as catequeses para entrar no Caminho. Sempre escutamos muito a Maria Luiza falando dos filhos, até que um dia ela levou o caçula na Igreja também. Acho que aquele era um dos dias que o Pedro teve vontade de "matar" a mãe dele, porque dava pra ver nitidamente que ele estava morrendo de vergonha. Daí o tempo foi passado e exporadicamente o tal do filho da Maria Luiza aparecia no meio de nós: sempre quieto e tímido. É sério, o Pedro não dizia nada além de "oi"e tão pouco parecia disposto à uma conversa. Era tão .... estranho!
Um ano se passou desse jeito e eis que chegamos em Agosto de 2010 no aniversário de 15 anos da Ana Clara, uma amiga em comum. Era uma noite fria, estávamos em umas 10 meninas .... e o Pedro! Na verdade nem ele sabe porque foi. Não levou presente, se perdeu pelo caminho e deixou de ir encontrar a atual namorada. Achei que até estava rolando um clima de romance ali, entre o Pedro e a Ana, mas era, como sempre, zoação.
Aí, estamos em Novembro de 2010. É o tão esperado final de semana da peregrinação. E o Pedro estava lá com a Maria Luiza, talvez porque ela tenha dito que viriam muitas meninas bonitas de São Carlos pra cá ou talvez porque ele não tinha nada melhor pra fazer, mas eu ainda prefiro a primeira hipótese. Provavelmente foi outro dia que ele se sentiu deslocado e eu morrendo de rir de ver apenas o Pedro parado em pé no meio da Igreja enquanto todo mundo estava dançando.
Na semana do meu aniversário, aliás, no dia do meu aniversário de 15 anos o Pepê vem me puxar assunto comigo, assim: do nada. Por quê? Destino? Não, porque ele queria ir na minha festa de 15 anos HASUAHSASHAUSAHSUAHSAUSHAUS. Brincadeiras e piadas à parte, poucas vezes me diverti tanto como naquele dia. Eu estava muito tensa, com medo de tudo dar errado, de cair do salto, de tropeçar no vestido, do Jonas não ir dançar valsa comigo, de ninguém aparecer na festa, do meu vestido não entrar, do meu cabelo não ficar bom, naquela paranóia! E apareceu o Pedro na minha vida, pra me dizer que tudo ia dar certo e que ia ser maravilhoso. No fundo, eu também acreditava nisso, mas precisava muito que alguém me escutasse e me dissesse aquilo naquela hora. Foi assim que nasceu nossa amizade.
O tempo foi passado e a gente morrendo de rir com as nossas piadas toscas. Duas semanas depois, fomos a um churrasco e nem preciso dizer o quanto aquele dia foi legal! Foi a presença, a conversa descontraída, os conselhos, as piadas e a sua lealdade que me cativou.
Quando tudo esteve prestes a desmoronar, você estava lá, para que eu não caisse na besteira de achar que tudo estava perdido porque enquanto houver uma chance de sobreviver temos que estar firme e forte.
Agora, meu amigo se mudou pra faculdade. Fico muito feliz por você, Pedro, sei o quanto você desejou por isso e o quanto estudou. Me alegro em saber que você foi fazer o que gosta e que provavelmente vai ficar bem. Mas, eu já sinto muito a sua falta. Obrigada por tudo que você fez por mim, por não ter me deixado desanimar (e nem chorar!), por ter me contado todas aquelas piadas que no começo eram muito irritantes (!) e por ter me feito entender que a minha vida é muito maior do que aquele jogador do time de futebol. Você foi um amigo e tanto, como eu nunca tive. Foi muito bom ter te conhecido, torço pelo seu sucesso pessoal, profissional e amoroso. E só te peço que não se esqueça de mim - nem por um segundo - e eu estarei aqui, para o que você precisar.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"Se alguém ama uma flor da qual só exista um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as comtempla. Ele pensa "Minha flor está lá, em algum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é, para ele, como se todas as estrelas se repentinamente se apagassem! E isto não tem importância?"
O Pequeno Príncipe

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os testes que a vida nos impõe e suas consequências emocionais

Hoje quem fala é ela. E quer dizer verdadeiramente tudo o que quer até o final deste texto. Insiste nisso pois precisa de um desabafo contínuo para o bem de sua sanidade mental. Necessito dizer tudo que fere meu coração com garras afiadas. É cheio de drama e de angústia. É entorpecido, cheio de temor. É o sonido ensurdecedor, estagnado em minha mente, tocando sem parar. É o cume de um morro em que a gente não pode se mover, porque ao menor movimento pode deslizar para um dos lados e o estrago da queda pode ser grande demais.
Sabe quando você acha que é o fim de tudo? Que está tudo acabado para sempre? É como agora. Levaram embora minhas coisas. Não foi roubo, eu os vi levando mas não soube como impedi-los. Eu vi de perto a dor e não tive forças de agir.
Quero ter certeza, as dúvidas me angustiam. Tenho medo de tudo, até de mim às vezes. Queria ter a mesma força emocional que tenho com as palavras para enfrentar as crises. Se não acabou, é porque ainda não chegou ao fim. Sei que a minha tragetória ainda será muito longa. Também entendo que não posso desanimar logo no início, mas está sendo mais difícil do que transparece em mim. Essa é a dor de quem está com medo de não saber; a dor de quem sempre soube e agora já não o sabe mais. É pelo conhecimento que vivemos, logo, temos que dar um jeito de aguentar a pressão. Irei sobreviver? É a coisa que mais quero e acredito: que não passa de drama e que tudo vai dar certo.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
"A vida nos testa, sim. O destino nos mostra do que somos capazes. E, sempre que a gente acha que é o fim, não é." Lucas Silveira
PS: tenho escrito menos porque a escola está me exaurindo e, se bobear, não está dando nem tempo para pensar direito. Mas continuo amando meu blog e fico triste quando não posso escrever aqui :)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Analisando o universo sob a mente humana

Tudo está contido nele. Tudo de mais belo. O céu, as estrelas, o Sol. Tudo que brilha e que habita aqui. Está inserido tudo aquilo que somos, de onde viemos e para onde iremos um dia. É preciso viajar em nossa própria mente. É uma viagem longa e distante do referencial. Quando, e sobretudo se chegarmos, pode ser que não encontremos todas as respostas que fomos buscar. Não se pode contar ou pesar o Universo. Ele é a própria imensidão.
Olhamos para o céu e temos uma pequena visão de todo esse infinito. Não acaba, nunca. É nosso.
Não há nenhum problema, crise ou decepção que não caiba em sua órbita. Há espaço para nós todos. Não houve disputa por espaços, nem guerras: todos sempre coexistiram. E nós? Estamos aqui, ocupando uma parte desprezível de todo esse espaço, e nos achamos tão bons para guerrear e acabar com tudo.
O céu iluminado é belo e comovente. Há uma história inteira ali, maior que nossa capacidade de conhecimento. É autosuficiente. Não é imutável e não precisa de nós, pelo contrário: nós é que precisamos dele!
Não há necessidade de pintar o céu de outra cor, nem acrescentar ou tirar estrelas. É assim que tem que ser. As filosofias são apenas pensamentos e a ciência não explica tudo. Têm coisa na vida da gente que não precisam ser explicadas. As teses não têm valor se não houver humanidade. O universo é feito de estrelas, galáxias e planetas, porém, nos somos a parte que realmente vive.
Nós não estamos perdidos aqui. Temos um próposito de vida; somos feitos de ambições. O céu azul não têm as respostas, elas estão na nossa mente. Somos uma pequena partícula em todo um azul iluminado. Somos do tamanho de nossos sonhos e podemos chegar tão longe quanto pretendermos. Precisamos, apenas, abrir nossa mente aos sonhos, sem ter medo do que poderá vir e mergulhar fundo nessa aventura. Enquanto acreditarmos que isso basta, bastará. E por enquanto, isso basta para mim.

Uma pequena nota por Marô Dornellas:
Não desista de você mesmo.